Steve Forbes: Um salário para todos?

Daniel Grizelj/Getty Images
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Programa de renda básica poderia custar US$ 3 trilhões aos cofres públicos dos Estados Unidos

A ideia é chamada de renda básica universal e está ganhando terreno aqui nos EUA e na Europa, sobretudo com a Covid-19 afetando as economias com tanta força. O governo pagaria a cada adulto certo montante em dinheiro todos os meses, quer você trabalhe, quer não. Os ativistas do Partido Democrata adoram a ideia. Alguns republicanos idem. O papa se manifestou a favor. Um candidato à indicação presidencial democrata, Andrew Yang, defendeu o pagamento de US$ 1 mil por mês a cada adulto. Ele não ganhou a indicação, mas sua ideia está pegando. A Itália tem uma medida de renda mínima que complementa a renda de uma pessoa caso caia abaixo de determinado valor. A Espanha está cogitando algo semelhante.

Embora a proposta de Yang pareça atraente – quem não gostaria de US$ 12 mil extras por ano? –, ela causaria danos reais.

Vamos deixar claro que não estamos falando de programas de rede de segurança, como vale-refeição, seguro-desemprego ou Medicaid. Uma renda garantida seria perniciosa para a ética de trabalho das pessoas, especialmente porque os políticos sempre aumentariam os benefícios perto das eleições. Ela erodiria o crucial vínculo entre esforço e recompensa e afastaria muitas pessoas de uma vida mais produtiva. Isso é errado tanto do ponto de vista moral quanto econômico.

O trabalho é fundamental para dar sentido à vida. Ele nos oferece um propósito. Estrutura e incentiva a disciplina, ajudando-nos a olhar além do momento imediato e a pensar no futuro. Estimula a postura de que tudo é possível. O trabalho produz os recursos que consumimos e as inovações que melhoram nosso padrão de vida.

E ainda há os grandes problemas práticos da implementação de tal programa. Ele seria absurdamente caro. Calcula-se que o sistema de Yang custaria US$ 3 trilhões por ano. Além de todos os outros impostos, ele criaria um superimposto nacional de 10% sobre as vendas.

Essas cargas tributárias seriam um malefício para a economia ao destruírem o capital, prejudicando os investimentos produtivos, essenciais para uma renda mais alta e um padrão de vida melhor. A economia estagnada reduziria as oportunidades e agravaria as desigualdades. Uma abordagem mais construtiva seria reformar e expandir o Crédito de Imposto de Rendimento de Trabalho, que é, na verdade, um abatimento do imposto sobre a folha de pagamento. Isso proporcionaria um maior salário líquido, isento de impostos, às pessoas de baixa renda.

Vale lembrar: antes da Covid-19, o salário dos trabalhadores de baixa renda vinha aumentando mais rapidamente que o das outras pessoas.

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Steve Forbes, Editor-chefe da Forbes

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