Mario Garnero: Hora de reflexão e ação

webphotographeer/GettyuImages
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Força estabilizadora continental e com tradição democrática, 210 milhões de habitantes, uma sólida base industrial e agrícola, com universidades e empresas com capacidade gerencial, nós nos impomos naturalmente

Fico pasmo com as interpretações e conjecturas de certos jornalistas e sábios articulistas políticos pela distorção da realidade com a qual transferem ao leitor desavisado seus sentimentos pessoais destroçados pelos fatos da vida. O mais claro dos afastamentos terminou no dia 3 de novembro com os resultados das eleições americanas. O delírio antecipado chegou às raias de colocar o Brasil como um país terminal, em caso da vitória de Biden.

Diante da oitava maior economia do mundo e estrategicamente colocado como a segunda maior economia das Américas, não se pode imaginar que um presidente americano, independentemente do partido, possa fechar os olhos ao nosso país.

Força estabilizadora continental e com tradição democrática, 210 milhões de habitantes, uma sólida base industrial e agrícola, com universidades e empresas com capacidade gerencial, nós nos impomos naturalmente. Poderíamos, é claro, ser mais ativos na política internacional. Mas daí a sermos enxovalhados por comentários colonialistas de brasileiros desconectados com a realidade mundial nos traz uma tristeza enorme.

E agora, tendo ganho Biden? A resposta está em nós mesmos. Seremos suficientemente capazes, sociedade e governo, para nos aproveitarmos da vantagem comparativa de um novo presidente americano e torná-lo mais simpático ao país? Ele tem limitações, e pouco deveremos esperar, a não ser um grande e atrasado acordo comercial entre Estados Unidos e Brasil. E a condução equilibrada das discussões ambientais, como o fizeram antes os meus amigos, o presidente Clinton e o senador Chris Dodd, hoje proeminente figura da administração futura. O restante é tarefa nossa de entendimento e coesão social, para darmos em 2021, após a pandemia, um salto quádruplo no desenvolvimento, mirando um crescimento de 4,5% no PIB.

“Diante da oitava maior economia do mundo e estrategicamente colocada como a segunda maior economia das Américas, não se pode imaginar que um presidente americano, independente do partido, possa fechar os olhos ao nosso país.”

Vacinação em massa, SUS apoiado como grande conquista brasileira, paz social e luta para arraigar a pobreza neste rico país. Esta é a mensagem que cada um de nós deve transmitir aos governantes eleitos ou reeleitos e àqueles no exercício do poder. Sem ufanismo, mas conscientes do valor destes 27 estados unidos em uma só nação. As afirmações como nação, no entanto, devem ser mais amplas e mais incisivas. Cito o caso da consulta popular em Bruxelas, organizada por grandes empresas agrícolas da França e de países vizinhos, em prol do protecionismo e subsídios da Comunidade Europeia, aos pequenos agricultores. É um documento assinado por oito países europeus. O tema é Amazônia e seus incêndios, e o objetivo é o de proibir importações de carnes e derivados e de grãos produzidos no Brasil.

Mas a mão boba por trás, com o apoio de governos que inclusive detêm áreas na própria Amazônia, visa bloquear só os produtos brasileiros na falácia de proteger o meio ambiente. Fundamental que os produtores brasileiros acionem seus importadores, a imprensa e os governos para contestarem de forma estridente tais abusos e tais infringências ao livre-comércio.

Creio que as câmaras de comércio bilaterais têm um papel importante para refutar as inverdades e dar testemunhos da realidade de um país que protege 76% de seu território e tem, no combustível verde, etanol e biodiesel, as armas mais modernas na descarbonização da atmosfera e no controle da poluição ambiental. A mobilização do país, hoje sofrendo uma guerra comercial ao se tornar o maior produtor de alimentos do mundo, é necessária. Governo, classes produtoras, empresas estrangeiras, aqui acolhidas como se brasileiras fossem, e imprensa sem cores têm de se alinhar nesta batalha. Esta é guerra do momento, e a convocação deve vir de cada um de nós.

Mario Garnero é chairman do Grupo Garnero e presidente do Fórum das Américas

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