Soja brasileira é sustentável, produtiva e acima de tudo competitiva

Lucas Ninno/Getty Images
Lucas Ninno/Getty Images

A produção da safra de grãos 2020/21 está estimada em 268,7 milhões de toneladas

Duas notícias chamaram a atenção recentemente para o mercado produtor e exportador de soja brasileiro, a primeira foi o presidente da França alegando que “continuar a depender da soja brasileira seria apoiar o desmatamento da Amazônia“, a segunda foi o anúncio da Cofco, subsidiária da maior empresa de alimentos da China, que preocupada com sua própria sustentabilidade, anunciou que pretende rastrear toda a soja vinda do Brasil até 2023.

Esta atenção ostensiva sobre o Brasil é justificada, somos os maiores produtores e exportadores mundiais de soja, uma das commodities mais importantes do mundo.

O agronegócio tem sido o setor mais eficiente da economia brasileira, de acordo com o primeiro levantamento da safra de grãos 2020/21 divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a produção está estimada em 268,7 milhões de toneladas, superando em cerca de 11 milhões de toneladas o recorde de 257,7 milhões de toneladas da última safra. Os números da Conab mostram que o Brasil colheu uma safra de 121,5 milhões de toneladas de soja em 2020, com produção de soja estimada em 133,7 milhões de toneladas para 2021, números que mantém o Brasil como o maior produtor mundial da oleaginosa.

Então surge a pergunta: A soja brasileira é sustentável? Conseguiremos atender a demanda do mercado sem destruir a Amazônia?

A produção de soja ocupa somente 4% do território nacional. De acordo com Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), além de preservar a floresta como patrimônio nacional, o Brasil detém domínio tecnológico para dobrar a produção atual nas áreas que já cultivam soja ou recuperando áreas de pastagens degradadas. “Os incrementos da produção brasileira nos últimos anos estão diretamente associados às novas recomendações de manejo da cultura, ao potencial genético de cultivares e às novas perspectivas abertas pela combinação de áreas de pastagens degradadas em sistemas mais eficientes por meio da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)”.

Dados da Embrapa Territorial, confirmados pela National Aeronautics and Space Administration (NASA), comprovam que 25% de toda área preservada no Brasil está dentro de propriedades rurais, portanto é preservada por produtores rurais a seus próprios custos e responsabilidades.

99% das propriedades rurais inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) não tem registro de desmatamento ilegal, portanto somente 1% das propriedades estão em desacordo com o Código Florestal Brasileiro.

10% da soja produzida no Brasil é produzida no bioma amazônico, esse percentual, produzido nas bordas na Amazônia legal, é internacionalmente reconhecido livre de desmatamento desde 2008, graças a Moratória da Soja, iniciativa que identifica e bloqueia a aquisição de soja produzida em área desmatada ilegalmente.

Ainda de acordo com Gazzoni, “o cultivo da soja no bioma amazônico está absolutamente fora de qualquer cenário de expansão do volume de soja produzido no país, não apenas pelas questões ambientais e restrições legais, mas também por questões econômicas, de logística, técnicas e financeiras”.

Nossa soja é sustentável. O que está então por trás das declarações de Macron e das ações da China?

A atitude do presidente da França, Emmanuel Macron, vem como justificativa para o pacote de € 100 milhões gastos em subsídios aos produtores de soja franceses. Para se ter uma ideia do que está em jogo, em 2020 a União Europeia (UE) comprou US$ 16,30 bilhões em produtos agrícolas brasileiros, ficando assim, em segundo lugar como destino regional mais importante das exportações do agro. Vale ressaltar, que de acordo com reportagem do jornal “O Estado de São Paulo” em 12/01/21, os Países Baixos são a porta de entrada para a soja brasileira na UE e estes receberam US$ 1,11 bilhão em soja brasileira no ano passado, enquanto a Espanha, US$ 957 milhões. Juntos, esses países responderam por 7,2% das exportações de soja feitas pelo Brasil.

Já a China, maior emissor de gases de efeito estufa mundial assumiu o compromisso de zerar suas emissões até 2060. A preocupação ambiental da China, com sustentabilidade, mudanças climáticas, manutenção de florestas, biodiversidade e mudança da matriz energética, mostra um caminho de oportunidades para o produtor rural brasileiro. A China se transformou nos últimos dez anos no maior parceiro comercial do Brasil, segundo dados do Ministério da Agricultura, o agronegócio exportou para a China US$ 32 bilhões de janeiro a novembro de 2020, ou 34,7% do total das exportações.

O agronegócio tem sido um dínamo da nossa economia, porém não podemos ignorar o ruído produzido pelo grande conflito de informações. Temos que enxergar essa pressão internacional como uma oportunidade para o nosso agro comunicar ao mundo o trabalho de excelência que temos feito. A soja brasileira é sustentável, produtiva e acima de tudo competitiva, produzimos com baixo custo, cumprindo todas as normas ambientais e trabalhistas e isto incomoda profundamente! Os países no intuito de proteger sua própria produção, tentarão criar todo tipo de barreiras protecionistas. China e União Europeia estão buscando parceiros que atendam seus protocolos de sustentabilidade, portanto, o Brasil precisa estar pronto para comunicar o que tem feito. O agronegócio brasileiro tem toda possibilidade de aumentar seu destaque como fornecedor mundial de alimentos.

Fontes: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Jornal Valor Econômico, Jornal O Estado de São Paulo.

Helen Jacintho é engenheira de alimentos por formação e trabalha há mais de 15 anos na Fazenda Continental, na Fazenda Regalito e no setor de seleção genética na Brahmânia Continental. Fez Business for Entrepreneurs na Universidade do Colorado e é juíza de morfologia pela ABCZ. Também estudou marketing e carreira no agronegócio. E-mail: [email protected]

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