Como tomar uma boa decisão? Especialista aponta os piores erros – e como superá-los

SIphotography/Getty Images
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A pior atitude possível é não reservar um tempo para entender quais conhecimentos você pode aplicar nessa decisão

Na hora de tomar uma decisão, há quem calcule cada variável. Outras pessoas preferem confiar nos instintos. Qual delas está certa?

Depende. Especialmente se pararmos para pensar de qual decisão estamos falando.

Como minha especialidade é finanças, vou me ater a este universo – mas estes conselhos valem para quase tudo na vida.

Recentemente, tive a honra de entrevistar Annie Duke, autora do livro “How to Decide” (“Como Decidir”, ainda sem tradução para o português). Além de pesquisadora e autora sobre ciências comportamentais, ela é campeã mundial de poker – e, por muito tempo, foi a mulher que mais ganhou dinheiro com o esporte no mundo.

Em seu livro, Annie apresenta uma ferramenta muito prática e completa para ajudar a tomar decisões na vida profissional, pessoal e financeira.

Qual é o maior erro que se pode cometer ao tomar uma decisão?

Para Annie, a pior atitude possível é não reservar um tempo para entender quais conhecimentos você pode aplicar nessa decisão.

Por exemplo, se o assunto for investimentos: devo ou não deixar meu dinheiro nesta aplicação?

A autora defende que, antes de usar métodos nada confiáveis, como “minha mãe mandou”, é preciso reunir todo seu conhecimento em torno desta decisão. O que você sabe sobre este investimento? O que você sabe sobre seu momento financeiro? Quando você precisará deste dinheiro de volta? Quais são as taxas cobradas? Seu perfil de investidor é compatível com essa aplicação?

Estes são apenas alguns conhecimentos que você deve reunir antes de investir. E este é apenas um exemplo entre o mar de decisões que precisamos tomar ao longo da vida.

“Quando as pessoas dizem coisas como ‘eu decidi com minha intuição’, ou ‘minha intuição disse que’, isso entra na categoria de Maior Erro que Você Pode Cometer. Quando você usa a intuição, basicamente diz: ‘eu não estou de fato pensando no que sei e no conhecimento que posso aplicar nessa decisão’”, disse Annie. Isso significa que sua intuição nunca deve entrar em jogo?

Mais uma vez, depende.

“Eu não estou dizendo que você nunca deva usar sua intuição, só que você deveria utilizá-la apenas em decisões pequenas, como um prato para comer no restaurante. Mas, para qualquer grande decisão, este seria o maior erro”, defende.

Peça um feedback

Além de consultar seus próprios conhecimentos, o método de Annie Duke também inclui pedir a opinião de outras pessoas.

Essa é a forma mais eficiente de esquivar dos chamados vieses cognitivos – tendências da nossa cabeça de pegar atalhos, em vez de ser racional. Existe, por exemplo, o viés de confirmação: quando seu cérebro retém apenas as informações que corroboram com sua visão de mundo.

Para Annie, esses vieses fazem parte do que chamamos de “intuição” ao tomar decisões, já que fazem parte do nosso próprio jeito de olhar o mundo.

O antídoto? Pedir a opinião de quem está de fora. “Isso irá melhorar o conhecimento que você usa para tomar suas decisões”, completa.

Então, antes de tomar qualquer grande medida, pare, reúna seus conhecimentos e peça um feedback de outras pessoas – que não necessariamente compartilham sua visão de mundo. O resultado será uma decisão muito mais elaborada e com menor risco de erro.

Quanto a decidir o que pedir naquele restaurante, tudo bem poupar seu cérebro e confiar no que seu paladar está pedindo.

Carol Sandler é jornalista, educadora financeira e fundadora do Finanças Femininas, a maior plataforma online do Brasil de educação financeira para mulheres. É apresentadora do podcast “Meu Dinheiro, Minhas Regras” e colunista da Rádio Bandeirantes. Autora dos livros “Dinheiro Nasce em Árvore?” e “Detox das Compras”, além de coautora do “Finanças Femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos”. Instagram: @financasfemininas

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