Flávia Camanho: A importância dos Comitês Familiares

Fiordaliso/GettyImages
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Esse comitê costuma ter o nome de Comitê de Integração Familiar ou Comitê de União Familiar

Durante nove anos, tive a honra e o grande desafio de dirigir um dos family offices mais relevantes do Brasil, com um nível de sofisticação compatível com os melhores do mundo: dois ramos familiares, múltiplos negócios de extrema relevância, sociedade com outras famílias em cada negócio, valores sólidos e múltiplas gerações interagindo num verdadeiro family enterprise.

Existem múltiplos formatos de family office, single ou multi-family, com uma gama de serviços além da gestão de ativos, investimentos e monitoramento dos recursos, suporte jurídico, relações públicas e monitoramento de imagem, mediação dos conflitos familiares, desenvolvimento de herdeiros, coordenação de iniciativas sociais, entre outras múltiplas possibilidades que venham ao encontro das necessidades de cada família.

Dentro dessa gama, hoje vou destacar a necessidade do desenvolvimento de iniciativas que criem alinhamento, engajamento dos membros da família e fortaleçam os laços de união que serão fundamentais para a perpetuidade do legado familiar. E quando as famílias são multigeracionais, numerosas, muitas vezes com seus membros espalhados pelo mundo, é necessária uma forma estruturada e planejada de propor à família uma vivência rica e produtiva. Com esse enfoque, existe uma figura na governança de extrema relevância: a constituição de Comitês Familiares.

Esse comitê costuma ter o nome de Comitê de Integração Familiar ou Comitê de União Familiar. Ele será formado por familiares que se voluntariam para desenharem, juntos, as atividades que vão propiciar à família trocas valiosas, a transmissão dos valores e a construção de uma sólida relação de confiança.

Para que ele seja efetivo, é sempre recomendado que tenha representatividade de múltiplas gerações, de gênero, de ramo familiar e também uma boa diversidade de formação e experiências, de modo a trazer amplitude para a construção de algo único.

O número mágico para um Comitê Familiar varia de cinco a oito membros, levando em conta o tamanho de cada família. Ele deve ter uma agenda estruturada de encontros por ano e uma periodicidade que permita que projetos possam ser criados, desenvolvidos e implementados. Minha experiência é que, tendo um membro da estrutura profissional do family office coordenando as atividades e dando cadência às iniciativas, encontros mensais são bem efetivos.

“O número mágico para um comitê familiar varia de cinco a oito membros, levando em conta o tamanho de cada família.”

E qual é a agenda desses encontros? Um bom primeiro desafio é construir um Encontro de Família de um dia, um fim de semana ou até uma viagem onde você possa unir a grande maioria dos participantes em torno de atividades interessantes, com momentos de descontração, troca e compartilhamento de conhecimento.

Algumas boas práticas que podem ajudar muito: ter um budget definido e aprovado pela família para as ações do comitê, ter um processo de validação das iniciativas e ter rotatividade dos participantes para que seja sempre um processo democrático e inclusivo.

Nem sempre será fácil, nem sempre os membros do comitê vão agradar a família inteira com suas escolhas, nem sempre vão cumprir as agendas, nem sempre todos poderão estar presentes, mas eu garanto que esse comitê vai aumentar a coletânea de bons momentos e lindas lembranças de família. Ah, e não se esqueça de incluir no budget um fotógrafo para garantir o registro desse importante momento.

Flávia Camanho Camparini é consultora em governança familiar e estratégia de desenvolvimento humano, fundadora do Flux Institute e partner facilitator dos programas do Cambridge Family Enterprise Group e do IBGC

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