Mario Garnero: O renascer das cinzas

Mario Garnero
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alexandragl1/Getty Images
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No Brasil pandêmico, perdemos muito tempo com querelas jurídicas e políticas de quem deve ser o responsável por carregar mais caixões

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Martinho da Vila, este ícone brasileiro, deu uma entrevista recentemente na qual relembrou o seu sucesso de 1974 Canta canta minha gente! e Vai renascer, tem que renascer, agora nós temos que cantar muito que vamos renascer das cinzas.

Passei um domingo de março no qual cuidei o dia inteiro para conseguir uma vaga em um hospital para a mãe de uma funcionária minha. Em São Paulo, impossível. Consegui um leito em Campinas.

Aí, me perguntei como não prevíramos em todo o país a continuidade ou o retorno do Covid e fechamos os hospitais de campanha como o Pacaembu, os de Manaus, do Rio de Janeiro e de outras cidades, comemorando ao final do primeiro tempo uma vitória que se desmancharia no segundo tempo.

Em um país de 203 milhões de habitantes, estamos com cerca de 10 milhões de vacinados*, ou 4,7% da população. Frente aos números dos Estados Unidos, com 14,5%, e da Europa, da qual a França só planeja atingir 10 milhões de vacinados ao final de abril, não estamos tão mal assim.

Mas, se obtivermos sucesso nas negociações em curso, poderemos alcançar, até o final do ano, seja através das novas vacinas, seja através de pessoas curadas, a chamada imunidade do rebanho, com um sucessivo índice decrescente de mortes.

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Fomos, certamente, como povo, surpreendidos pela gravidade da pandemia. Perdemos muito tempo com querelas jurídicas e políticas de quem deve ser o responsável por carregar mais caixões – governo federal, estados ou municípios.

Pelos desvios vergonhosos de verbas com as quais pagamos, por respiradouros, de cinco a seis vezes em dólares por unidade, e desvios astronômicos em itens essenciais para o tratamento de doentes terminais. Mas a Polícia Federal se incumbirá de mostrar os responsáveis.

Da tragédia anunciada e concretizada ao retorno da esperança e da vontade de cantar com o Martinho da Vila, o caminho se estreitou. Vamos renascer das cinzas com mais força e coesão nacional.

Se do ponto de vista econômico conseguimos nos manter com uma retração de 4,1% do PIB e nas melhores posições entre os países ricos, com a criação de 1,2 milhão de novos empregos, o surgimento de 750 mil novas empresas, a valorização do Ibovespa de 70 mil a 125 mil pontos, o ressurgimento da indústria de construção civil, o aumento da produção industrial como um todo e o crescimento das exportações e a recuperação do setor de serviços atestam que há base sólida para a retomada econômica.

E, propositalmente, não mencionei o agronegócio que, de 6 milhões de toneladas produzidos quando  lançáramos o carro a álcool em 1979, passou a 270 milhões, transformando o Brasil de país importador de alimentos a celeiro do mundo.

Reservas em crescimento de cerca de US$ 400 bilhões e aumento da produtividade são fatores incontestes da melhoria e da geração de otimismo no país, malgrado a tristeza e a solidariedade pelos mortos pela Covid-19.

Quero ser o eco de 85% dos CEOs brasileiros que acreditam que a economia global terá um desempenho melhor em 2021. O otimismo generalizado com a economia é mais forte no Brasil, conforme diz o relatório da Price Waterhouse Coopers. Outro ponto importante: há a aposta no aumento de  contratações para os próximos três anos na ordem de 82% das vagas atuais.

Transformação digital, liderança e desenvolvimento de talentos e segurança cibernética são os focos de investimentos no Brasil. E, se há duvidas, vejam as listas dos futuros 20 unicórnios no Brasil, todos próximos ao bilhão de dólares.

Acorde, Brasília. Demo-nos as mãos Congresso, Executivo e Judiciário, que é o que nós, povo brasileiro, esperamos, e vençamos o medo, rasgando o véu da desesperança, mostrando a nação que desafiou a Covid-19, a venceu e renasceu das cinzas.

Mario Garnero é Chairman do Grupo Garnero e presidente do Fórum das Américas

*Coluna publicada na edição 86, lançada em 28 abril de 2020

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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