Mario Garnero: Mesmo com a pandemia, Brasil demonstra crescimento econômico expressivo

O recorde no recolhimento de impostos federais e o avanço da infraestrutura mostra que o país também tem motivos para celebrar.

Mario Garnero
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Priscila Zambotto/Getty Images
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O recorde no recolhimento de impostos federais e o avanço da infraestrutura mostra que o país também tem motivos para celebrar

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Impõe-se esta pergunta diante da avassaladora onda de pessimismo com que tentam  pintar  o  Brasil  de  hoje.  No  caldeirão  de  vaidades  e  de  radicalismos  políticos,  a  realidade fica distante do barulho dos tambores  e  tamborins  a  repetirem  slogans  e  a  matraquearem   pessimismo,   deixando   de   lado  conquistas  e  certezas  econômicas  e  sociais positivas. 

Dos países que conheço, há dois em que o  espírito  crítico  e  negativo  ultrapassam  as  fronteiras  do  razoável.  França  e  Brasil  são  campeões  mundiais  do  negacionismo  ao  clima  de  construção  de  um  consenso  positivo  sobre  suas  realidades.  E,  claro,  o  Brasil,  por  ter  herdado  uma  parte  do  patrimônio  cultural  francês  concentrado  na  Sorbonne,   com   grande   influência   sobre   nossa elite política e intelectual.

Nada  é  bom  no  Brasil,  se  não  tiver  um  mas  após  algo  positivo,  no  mesmo  estilo  do  “mais” gaulês tão em moda por aqui. No artigo  deste  mês,  queria  quebrar  o  padrão  do  mas,  para  trazer  algumas  informações  incontestáveis. 

A primeira delas é que o Brasil não foi escorraçado pelos Estados Unidos e por Biden na  cúpula  do  clima.  Pelo  contrário,  foi  cha-mado de parceiro confiável, um atributo que vem  desde  a  Grande  Guerra  para  a  qual  en-viamos nossos jovens contra o eixo nazista.

A segunda é a exemplar conduta do agro-negócio  no  Brasil  e  no  mundão.  Hoje,  alimentamos  mais  de  1  bilhão  de  pessoas  no  mundo. Somos, segundo a FAO, “top five” no mundo  em  cerca  de  30  produtos  agrícolas,  ocupando,   com   todas   as   nossas   lavouras,   uma  área  de  cerca  de  63  milhões  de  hectares  (não  mais  de  13,5%  do  território  nacional). Tudo isso sem subsídios para um setor cujo  autofinanciamento  responde  por  85%  de  suas  necessidades  (o  crédito  público  financia  apenas  7,5  %  da  demanda  de  todo  o  setor).   Citando   Priscila   Pinto,   presidente   do  Instituto  Millenium,  comissionado  pela  ONU  para  a  realização  do  estudo:  “O  agro-negócio  funciona  porque  o  Estado  não  está  em  cima  dele  e  é  um  exemplo  de  inspiração  para outros setores”.

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Vamos   aos   dados   do   Caged   que   registrou,  nos  quatro  primeiros  meses  do  ano,  a  expressiva soma  de cerca 1 milhão de novos empregos com carteiras assinadas no Brasil. Em uma pandemia como esta, tais números, ainda mais considerando-se o lockdown em partes  do  país  e  interrupções  na  cadeia  de  produção  de  insumos  industriais  prejudicando  as  empresas,  podem  representar  um  fator   altamente   favorável   ao   crescimento   econômico.

Correlato  a  esse  fator  de  crescimento,  a  evolução   recorde   do   recolhimento   de   impostos  federais  e  estaduais  mostra  que  deixamos  a  recessão  e  caminhamos  para  um  crescimento  da  ordem  de  3,5  %  neste  ano.  Anoto  também  o  singular  e  saudável  fato  de  que,  após  17  anos,  conseguimos  ter  saldos  favoráveis   na   balança   de   pagamentos.   Segundo números do Ministério da Economia, caminhamos para um saldo final da balança comercial  da  ordem  de  US$ 89  bilhões.  São  números importantes. Primeiro ao nos afastarem  de  uma  crise  cambial;  depois,  por  aumentarem as reservas hoje próximas de US$ 400  bilhões  de  dólares  –  nos  colocando  no  percurso de retornar ao grau de investimento das agências de rating internacionais.

Embora tenhamos tido de conter os gastos orçamentários devido aos aportes de assistência aos estados e municípios e aos auxílios  emergenciais,  estamos  conseguindo  fazer  uma  revolução  na  infraestrutura  brasileira de portos, estradas, pontes, ferrovias e,  como  mostrou  o  leilão  da  Cedae,  na  área  essencial de águas e esgotos.

Choremos e ergamos nossas preces pelos mortos  pela  Covid-19.  Mas  ergamos  nosso  olhar  para  Deus  agradecendo  o  que  de  bom  estamos colhendo na área econômica. A crítica  é  saudável  e  necessária,  mas  não  pode  se  tornar  o  ácido  corrosivo  banhando  uma  nação potente.

Mario Garnero é Chairman do Grupo Garnero e presidente do Fórum das Américas

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.


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