Patricia Bonaldi, estilista e empresária, às vésperas de estreia presencial na NYFW: “é preciso ser local para ser global”

Em momento de expansão, PatBo também vai abrir as portas da primeira loja internacional na mesma rua que Saint Laurent, Dior e Chloé em Nova York.

Donata Meirelles
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A estilista e empresária Patricia Bonaldi está em processo de expansão de sua marca, PatBO, nacional e internacionalmente

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Patricia Bonaldi está a mil. Na próxima terça-feira (10) abre oficialmente a flagship store de sua marca PatBO em São Paulo – um espaço de 1.500 metros quadrados nos Jardins. No final do mês será a vez da abertura da primeira loja internacional, no SoHo, em Nova York. Completando a trilogia de sucesso, em setembro, apresenta coleção com desfile presencial no line up da New York Fashion Week.

Nada mau para a mineira de Uberlândia que um dia achou que iria ser advogada – ela é formada em Direito – mas: “a moda me pegou no meio do caminho”, diz bem-humorada. A mudança de rumo foi mais que oportuna e, há 15 anos, ela lançava a grife Patricia Bonaldi, especializada em vestidos de festa que marcavam presença pelo caráter couture – tudo feito à mão. Um DNA forte que se mantém na PatBO: “Incorporei meu aprendizado na couture em um estilo mais casual e divertido”, explica a estilista.

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O atual momento de inaugurações e lançamento internacional de coleção faz parte do processo de expansão da marca iniciado em 2017. “Traçamos um plano estratégico muito bem definido e partimos para ganhar o mercado norte-americano. Hoje somos representados por big retailers, como Saks, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus, além de Net-à-Porter e Moda Operandi”, enumera. O plano também contempla o crescimento no Brasil, com a meta de 20 lojas próprias até 2025. “Já temos doze”, avisa Patricia. Ao todo, hoje a PatBO está presente em 250 pontos de vendas em 25 países.

Patricia Bonaldi também chama atenção para as oportunidades que se apresentaram durante o abalo mundial provocado pela pandemia. Por exemplo, ao perceber que o e-commerce da marca apresentava um desempenho melhor que o do varejo tradicional, lançou produtos exclusivos online, como uma linha de pijamas que, como ela mesma diz, “bombou”.

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“Nesses dias de pandemia, não ficamos paralisados e, assim, pudemos diversificar e usar a criatividade”, avalia e informa que uma linha Home também está nos planos e deve fortalecer o caráter lifestyle desejado para a marca. “Sou muito criativa e, ao mesmo tempo, tenho uma veia comercial muito aflorada”, observa.

E quando Patricia usa o “nós” para falar de trabalho, refere-se à parceria de vida e negócios com o marido, Luiz Moraes. “Somos casados há vinte anos, criamos uma empresa familiar e independente, sem investidores. É uma escolha nossa e o caminho que acreditamos”, define. E conclui: “Ainda na diversificação, pretendo fazer sapatos. Tudo muito bem estruturado e com coleções regulares. Mesmo alçando voos maiores, nosso trabalho é muito bem controlado e visamos o crescimento sustentável”.

A seguir, Patricia Bonaldi fala da identidade e da preciosidade de sua marca. Além de sucesso pessoal, parceria de vida e celebridades fisgadas pelo charme PatBO.

A importância de ser casual

“Em Nova York, fui convidada para expor uma de minhas peças no FIT (Fashion Institute of Technology). A curadora definiu minha marca como ‘contemporânea com um toque couture’. Gostei, porque trata-se de uma roupa couture que pode ir para a rua enfrentar o dia a dia. Ou seja, um casual mais importante.”

Quem sabe compartilha

“Produzimos tudo na minha cidade, Uberlândia, onde criei uma escola para capacitar e formar mão de obra não só para mim. Hoje na cidade existem muitas pessoas que aprenderam a bordar e o nível de qualidade do trabalho que realizam é muito alto.”

Questão de tempo

“O tempo é a coisa mais preciosa que possuímos e o bordado é uma arte do tempo. Ele é belo e único exatamente porque leva tempo para ser realizado. Quando se compra algo bordado, é o tempo de uma pessoa – ou mais – que está presente na peça. Isso me emociona, pois é o resultado de, às vezes, até dez dias de trabalho e dedicação.”

Desde sempre

“Na minha infância, não se comprava roupa pronta. A gente mandava fazer na costureira e na bordadeira. Era eu quem escolhia o material das minhas roupas. A pesquisa e a busca que faço para encontrar tecidos e materiais para os bordados fazem parte da minha vivência e do meu imaginário.”

Cor local, sabor universal

“A PatBO chamou a atenção no exterior porque produzimos tudo localmente e temos o controle sobre a cadeia de produção. Esse valor agregado é muito grande e procurado na moda atualmente. Além disso, aprendi trabalhando com o mercado norte-americano que é preciso ter uma noção muito boa de merchandising. Apenas ter o produto não basta. Também descobri que meu produto é universal e a mesma peça vendida no Brasil, também é vendida nos Estados Unidos. É preciso ser local para ser global.”

Sumô

“Sou da escola da adversidade. Para mim, nada chegou pronto, sempre tive de lutar e ser forte. Vim de uma família bem humilde e sei me virar bem quando as coisas ficam difíceis. Fico mais criativa, mais focada e trabalho melhor. Tudo que construí com meu marido foi com o dinheiro que juntamos com o nosso trabalho. Antes da moda, durante três anos, vivemos e trabalhamos no Japão, em uma cidade a 40 quilômetros de Tóquio. Meu marido ainda fala japonês, eu esqueci tudo… Quer dizer, eu sei pelo menos como não passar fome em japonês.”

Vizinhos ilustres

“Quem encontrou o ponto para nossa loja em Nova York foi a country manager da marca, uma norte-americana que conseguiu uma boa negociação. Com a pandemia, muitos negócios fecharam na cidade e isso ajudou na hora de fechar o acordo. Vamos abrir no SoHo, na mesma rua que Saint Laurent, Dior e Chloé.”

Mulher de fases

“Quando eu era inexperiente e não havia construído nada, pensava que o sucesso era um lugar definido, onde se chega e ponto. Hoje sei que sucesso é o próprio processo. Gosto de atravessar fases, me desconstruir e me refazer. O sucesso é um construir constante e um eterno aprender. É estar sempre em transformação.”

Outros tempos

“Acho ótimo que na moda não há mais lugar para aquele comportamento velha guarda, cheio do arrogância, elitismo e discriminação. Além da pressão de vários grupos por melhores condições para quem trabalha no setor, parece que a pandemia mostrou o quanto somos frágeis e que tudo que é mais humano, que tem empatia, é bem melhor.”

Red carpet

“Não é por nada, não… mas Alicia Keys, Janelle Monáe, Camila Cabello, Vanessa Hudgens e Sharon Stone já apareceram em vários eventos vestindo PatBO.”

Donata Meirelles é consultora de estilo e atua há 30 anos no mundo da moda e do lifestyle.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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