A pergunta do milhão

Mesmo com a inflação e a desvalorização do real frente ao dólar, ter esse valor em mãos continua sendo um objeto de desejo de muitos jovens que sonham com independência financeira.

Flávio Augusto da Silva
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“Qual é o caminho que considero mais promissor para ganhar um, dois, muitos milhões?”

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Em minhas redes sociais, repondo a várias perguntas da minha audiência. Uma delas aparece com muita frequência: “Como faço para
acumular o meu primeiro milhão antes dos 30?”.

É bem verdade que, com a inflação e a desvalorização do real frente ao dólar, o primeiro milhão de reais perdeu muito de seu poder de compra. Mas continua sendo um objeto de desejo de muitos jovens que sonham com sua independência financeira. Normalmente, esses jovens trilham sua jornada com muito entusiasmo e também com muitas incertezas, sem saber exatamente qual o melhor caminho a seguir.

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Eu, como um típico “drop out”, termo utilizado nos EUA para classificar um estudante que abandonou sua faculdade, a exemplo de Bill Gates, Mark Zuckerberg e o saudoso Steve Jobs, tenho uma visão bem diferente da convencional sobre o caminho que considero mais interessante para a conquista da independência financeira.

Comecemos pelo problema.

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Como alguém que não teve uma boa carreira acadêmica – oferecida por escolas com mensalidades que custam quatro vezes a renda média do brasileiro –, alguém que não vem de uma família rica ou não tem um bom pistolão pode conseguir um trabalho para conquistar – do zero – seu primeiro milhão acumulado antes dos 30 anos de idade?

Eu poderia dizer: faça um concurso público, daqueles que pagam R$ 32 mil para uma posição de juiz federal. Bem, voltamos ao primeiro ponto do parágrafo anterior. Com uma relação candidato-vaga de quase 300 para 1, não me parece muito provável que alguém com uma formação que não seja top e precisando trabalhar para pagar suas contas do mês consiga ter muita chance de sucesso nesse concurso. De vez em quando pintam as louváveis exceções – e mesmo nesse caso, com nosso personagem imaginário sendo aprovado e recebendo o bom salário de juiz, acumular R$ 1 milhão antes dos 30 anos continuaria não sendo uma tarefa trivial. Por vários motivos, que vão da alta tributação ao fato de que, com a certeza de uma entrada razoável e regular de dinheiro na conta, o brasileiro prefere gastar no curto prazo em vez de pensar no acúmulo de riqueza.

O caminho que considero mais promissor, e talvez o mais desprezado pelo brasileiro médio, é engajar-se em uma carreira de vendas. O passo a passo que sugiro é esse: desenvolva-se em vendas, seja na internet ou offline; aprimore sua capacidade e seus conhecimentos de gestão de times de vendas; conheça e use diversos canais de vendas e monte um time de líderes de vendas. Em menos de uma década, certamente você terá o potencial para a realização do sonho do primeiro milhão – e do segundo, do terceiro, do centésimo… Sem contar que o desenvolvimento dessas habilidades aponta para a entrada no universo do empreendedorismo. Vendas são a essência do empreendedorismo.

Infelizmente, isso não se ensina nas universidades. Em muitos casos, o trabalho em vendas sofre preconceito até dentro de casa: muitos pais enxergam essa atividade e essa carreira como algo de terceira categoria e não a desejam para seus filhos. Matam o futuro empreendedor no berço. E tiram dele, logo de cara, o caminho mais fácil para o milhão. Que pena.

Flávio Augusto da Silva é empreendedor e escritor. Dentre suas iniciativas, é CEO e fundador da WiseUp, líder no ensino de inglês para adultos, proprietário do Orlando City Soccer Club, time de futebol profissional dos EUA, e fundador e Presidente do conselho de administração da Wiser Educação.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Artigo publicado na edição 92 da revista Forbes, publicada em novembro de 2021.

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