Tapa na cara

Da mesma forma que eu não esperava um tapa, minha filhinha esperava tudo menos um gesto carinhoso.

Paula Drumond Setubal
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Justin Paget/Getty Images
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Filhos são uma oportunidade maravilhosa de crescimento

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Hoje levei meu primeiro tapa na cara. O primeiro de forma literal, porque durante a vida obviamente já levei alguns. Mas veio assim, de repente, da pessoa mais improvável.

No final de um dia cansativo comum, após uma batalha por um sorvete qualquer, ele veio.

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Da minha filhinha. Aquela boneca do olhar mais doce.

Na hora ficamos as duas sem reação.

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Ela e toda a imaturidade de uma pessoinha de 2 anos, eu e os meus 32 anos de erros e acertos nos olhamos. De repente me vi através dos olhos dela.

Ali eu poderia ter brigado. Poderia ter criado um abismo entre nós, mas na hora eu só consegui enxergar com toda a minha empatia uma mini pessoa que chegou nesse mundo há pouco tempo e tem aprendido dia após dia sobre tudo. Que acha que o normal é sairmos na rua nos escondendo atrás de uma máscara, afinal ela nunca conheceu um mundo que não fosse esse. Que praticamente toda semana recebe uma moça em casa pra “passar um cotonete” no narizinho dela.

Eu a abracei ali com todo o meu amor.

Da mesma forma que eu não esperava o tapa, ela esperava tudo menos um gesto carinhoso.

Foi só um abraço, mas o que eu quis dizer é que eu sempre estarei ao lado dela, de corpo e alma, principalmente quando ela não merecer. Ela ficou estática, depois me abraçou de volta com força.

Ali ficamos as duas, agarradas, despedaçadas, mas transbordando amor.

Filhos são uma oportunidade maravilhosa de crescimento. Não existe um dia que eu termine sem pensar no quanto eles me ensinam infinitamente mais do que eu ensino a eles. Como se a gente finalmente entendesse o mundo quando eles chegam. O invisível de repente se torna visível.

Eles nos mostram o amor em sua mais pura forma. A forma que não espera nada em troca. Filhos são a maior forma de doação. De tempo, de sentimentos, de cuidados.

Por eles passamos noites em claro, alimentamos, sangramos, cuidamos, carregamos, ensinamos, amamos. Repetidamente, insistentemente, ininterruptamente.

Damos muitas vezes o que nem temos, e nos viramos ao avesso se necessário.

Eles nos salvam das armadilhas do ego, mudam nossa ótica sobre o mundo. E quanto mais vivo a maternidade percebo que não existem fórmulas prontas, não há manual de instrução, na prática não se aplicam as mil teorias. Ninguém precisa te dizer como educar filhos. Está aí em você. Sempre esteve. E eu ainda não conheci nenhuma bússola melhor que o amor de uma mãe.

Paula Drumond Setubal é advogada, mãe de gêmeos e produtora de conteúdo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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