Como o Brasil se tornou líder mundial em bioinsumos

Tecnologia pode ser a chave para aliar diminuição de custos e maior sustentabilidade.

Helen Jacintho
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Embrapa
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Mercado de bioinsumos vem ganhando espaço no manejo das lavouras

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O agronegócio vem em uma espiral de crescimento e inovação constante nas últimas 5 décadas, se firmando como um esteio da nossa economia. O setor tem se reinventado e ouvimos cada vez mais falar de iniciativas como ILP (Integração Lavoura Pecuária), ILP (Integração Lavoura Pecuária), agricultura regenerativa, orgânica e bioinsumos. O agro tem buscado a diminuição dos custos na produção de alimentos e fibras, enquanto se aproxima da produção sustentável, visando encontrar um equilíbrio entre estas duas variáveis.

Nesta busca, a tecnologia dos bioinsumos para controlar pestes, doenças e aumentar a produtividade, vem crescendo a passos largos no Brasil, que já é líder mundial na utilização de biológicos. O que surgiu como uma alternativa, hoje é realidade no campo, resultando em enorme economia no controle biológico e na fixação de nitrogênio e umidade no solo.

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Os bioinsumos englobam uma série de produtos feitos a partir de microorganismos, extratos vegetais e agentes biológicos que podem ser utilizados em diversas fases da produção animal e vegetal, no pós-colheita e também no processamento, podendo ser divididos em inoculantes, biofertilizantes, bioacaricidas, bioinsecticidas, biofungicida e fitoterápicos

O cenário de inovação se deve ao avanço do conhecimento teórico das nossas instituições de pesquisa, aliado a linha direta que existe entre pesquisa e aplicação no campo. Na agricultura brasileira é muito comum a prática de experimentos, levando a pesquisa direto para o campo, acelerando assim, a implementação de boas práticas e produtos.

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De acordo com Marcelo Morandi da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em reunião do Cosag (Conselho Superior do Agronegócio), “um bom exemplo é um bioinsumo feito a partir de uma bactéria encontrada nas raízes do mandacaru que acabou de ser lançado, sendo capaz de hidratar as raízes e atuar na fisiologia dos vegetais, fazendo com que respondam melhor à escassez de água.”

Abordamos em coluna anterior, outro bom exemplo que é o uso de biofertilizantes nas pastagens e lavouras. Este produto é obtido utilizando um passivo ambiental (dejetos de animais) que passa pelo biodigestor, resultando em dois produtos nobres, o biogás e o biofertilizante, transformando assim, um passivo ambiental em um ativo energético.
Outro exemplo é a utilização de cera de carnaúba em uma nanoemulsão para frutas e legumes, criando uma barreira contra perda de umidade, troca de gases e ação microbiana. O resultado é o aumento de cerca de 15 dias no tempo de prateleira dos produtos, evitando perdas e desperdícios de alimentos.

Diante do quadro de aumento vertiginoso do valor dos insumos agrícolas, visando diminuir a dependência dos produtores nacionais de insumo importado, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento),  lançou em maio de 2020 o Programa Nacional de Bioinsumos com o objetivo de incentivar a produção de bioinsumos nas propriedades, incentivando a estruturação de novas empresas e o desenvolvimento de normativas.

Segundo Cléber Soares, secretário adjunto de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Mapa, o Brasil marca uma posição muito sólida no que ele chama de terceira onda da agricultura tropical, uma agricultura suportada por insumos biológicos, que foi precedida pela revolução verde e pela atual agricultura que busca a integração dos sistemas. Lembrou que na última safra de verão, mais de 40 milhões de hectares, de diversas culturas, a maioria grãos, usaram fixadores biológicos de nitrogênio. A produção sustentável é o único caminho para a agropecuária brasileira e uma grande oportunidade de negócios, o mercado de bioinsumos cresceu 37% atingindo R$ 1,7 bilhão na safra 20/21, segundo levantamento da consultoria Spark Inteligência Estratégica. 

As duas pontas da cadeia, investidores e consumidores, têm buscado produtos produzidos de forma mais sustentável e o crescimento dos bioinsumos é um exemplo de como o agro tem se atualizado em velocidade recorde. 

Helen Jacintho é engenheira de alimentos por formação e trabalha há mais de 15 anos na Fazenda Continental, na Fazenda Regalito e no setor de seleção genética na Brahmânia Continental. Fez Business for Entrepreneurs na Universidade do Colorado e é juíza de morfologia pela ABCZ. Também estudou marketing e carreira no agronegócio.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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