Sim, o agro brasileiro é Hi Tech

Saiba como agro brasileiro tem se firmado como celeiro para novas tecnologias, liderando o ranking mundial de crescimento da produtividade agrícola, segundo o USDA

Helen Jacintho
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FG Trade_Gettyimages
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Consumidores estão atentos ao que os produtores oferecem nas gôndolas

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Investidores e consumidores têm exigido novos modelos de produção, o desafio da agropecuária brasileira é produzir em grande escala, mantendo o crescimento da produção, aliado à sustentabilidade. Diante deste desafio, uma nova revolução liderada por agtechs e apoiada por produtores rurais vem acontecendo. As Agtechs são startups de tecnologia para o agro que promovem inovações no setor do agronegócio, otimizando soluções para toda a cadeia. 

O agronegócio tem se destacado apresentando os melhores resultados da economia brasileira, representando 27,4% do PIB em 2021, o que tem mantido o mercado aquecido. O setor de agtechs se expandiu significativamente nos últimos dois anos, o volume de investimentos chegou a 126 milhões de reais em 2021, porém, chegou a um momento de amadurecimento, pois o produtor não usará, por exemplo, vários aplicativos para resolver o mesmo problema.

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De acordo com o Radar Agtech Brasil 2020/2021, o mapeamento de startups do setor do agro brasileiro feito em parceria com Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) existem atualmente 1.574 startups atuando no agronegócio, número 40% maior do que o registrado em 2019. 

O agronegócio brasileiro tem se firmado como celeiro para novas tecnologias liderando o ranking mundial de crescimento da produtividade agrícola com uma taxa de crescimento de 3,18% ao ano, de acordo com estudo realizado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

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Nosso agro é profundamente estratificado, as propriedades variam tanto em tamanho, como pelos produtos produzidos, nível de tecnificação e gestão. O ponto em comum é o dinamismo e a avidez por adoção de novas tecnologias que aumentem a produtividade e a sustentabilidade.

O agro é hi tech, produz e exporta tecnologias abastecendo o agro não só aqui, como em outros países defende Mariana Vasconcelos, CEO da Agrosmart “o agro é tecnológico, temos hoje mais de 48 milhões de hectares e 100 mil produtores que são digitais usando agrosmart. A tecnologia permite que a cadeia de produção seja mais sustentável e resiliente”. Ainda segundo Vasconcelos, estamos vivendo um momento de transição da cadeia de produção, de olhar a cadeia como um ecossistema, desde as indústrias de insumos, o produtor, as cooperativas, as indústrias de alimentos e bebidas, os bancos e as traders trabalhando juntos. Dentre as adoções de práticas sustentáveis e tecnologias, o futuro dos serviços ambientais financeiros é a ferramenta que proporcionará união de forças e soluções, que viabilizem ao produtor adotar melhores práticas no campo. 

O desafio é conectar de maneira a sensibilizar os produtores sobre os benefícios das tecnologias digitais, onde se destaca o trabalho dos hubs. Otávio Celidônio diretor executivo do AgriHub, aponta que a importância dos hubs está muito ligado a comunicação, “o hub traduz as dores, necessidades e desafios do campo para quem quer construir soluções ( startups, mentores, empresas de tecnologia, pesquisadores)  e por outro lado, ajuda a apresentar as soluções para os produtores com uma visão que ele consiga entender e enxergar, ajudando a aproximar e conectar os dois lados”. Celidonio destaca que outro papel dos hubs seria desenvolver uma cultura de inovação, tanto de empresas como para os de produtores, “o desafio é criar a cultura de aprendizado, de melhoria contínua das soluções que existem nas fazendas  e empresas, que é fundamental para estarmos nos preparando para o futuro.”

O World Agri-Tech Summit 2022, South America, o mais importante evento de AgriTechs e inovação na América Latina reuniu os maiores players e deu um panorama sobre as perspectivas para o setor. A sustentabilidade e o networking pautaram as discussões sobre investimento, estratégias de inovação e comunicação. Foram apresentadas tecnologias inovadoras desde blockchain, biopesticidas, plataformas digitais integradas até pulverização com drones. O evento incluiu recursos interativos, mesas redondas, reuniões privadas visando criar oportunidades para startups se conectarem com potenciais investidores e parceiros. Networking conecta ideias a produtores, papel de empresas como a GridExponential, segundo Francisco Salvatelli, Brasil Manager, as agtechs buscam a eficiência do produtor, seja no talhão, no controle de pragas ou no uso de insumos e adubos, visando incrementar a rentabilidade e uso eficiente dos recursos. Entre tantas soluções, Salvatelli destaca ferramentas práticas, que sejam de mais fácil adoção pelo produtor como pulverização seletiva, uso eficiente de sementes e principalmente a biotecnologia que deve crescer muito proporcionando menor impacto ambiental.

Julia Roulet co-fundadora da Syocin, startup que cria biobactericidas de alta precisão, apresentou no World Agri-Tech Summit um biobactericida que pode curar e proteger lavouras de doenças bacterianas como o cancro cítrico, greening e mancha bacteriana, preservando a saúde do solo. De acordo com Roulet, doenças bacterianas não têm cura e têm sido tratadas com produtos químicos, que são prejudiciais ao meio ambiente gerando resistência bacteriana e desequilíbrio da microbiota do solo, que é essencial para produção de alimentos e estoque de carbono no solo.

A conjuntura mundial pós pandemia, quebra das cadeias de produção, seguida de alta da inflação dos alimentos, terminando com a guerra na Ucrânia e reajustes nas taxas de juros de vários países levou a diminuição dos aportes de capital. Francisco Jardim, da SP Ventures, durante o debate de investidores, pontuou que o cenário não é linear, que devido ao aquecimento e resiliência do mercado de agtechs doméstico e regional, o crescimento deve ser contínuo e que investidores têm buscando empresas que demonstrem indicadores econômicos positivos, apontando que tenham atingido pelo menos o break even point (ponto de equilíbrio).

O agro brasileiro é modelo de empreendedorismo e inovação, que se reflete no boom de agtechs, empresas que têm um papel fundamental neste sucesso e no futuro desenvolvendo um agro ainda mais eficiente e sustentável.

*Helen Jacintho é engenheira de alimentos por formação e trabalha há mais de 15 anos na Fazenda Continental, na Fazenda Regalito e no setor de seleção genética na Brahmânia Continental. Fez Business for Entrepreneurs na Universidade do Colorado e é juíza de morfologia pela ABCZ. Também estudou marketing e carreira no agronegócio.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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