Atropelados pelo futuro

Kupicoo/Getty Images
Kupicoo/Getty Images

O trabalho remoto parece ser a principal revolução do mundo após a pandemia

O mundo que parecia distante nos pegou de surpresa, avassalador. Muita coisa mudou no mundo do trabalho, e muito ainda vai mudar. Nesse novo cenário, o trabalho remoto parece ser a principal revolução. Se antes questionávamos seus prós e contras, hoje essa é a única realidade possível – ao menos, no caso de serviços não essenciais. Um amadurecimento brusco tanto para as empresas quanto para seus colaboradores.

Até o início da pandemia, a adoção da alternativa era tímida na maioria das companhias, que concediam a modalidade de trabalho à distância uma vez por semana, em geral. Quais serão os desdobramentos da jornada home office em nosso dia a dia e na economia como um todo? Inúmeros, com seus bônus e ônus.

As empresas entenderam que é possível operacionalizar o negócio à distância. Os atuais sistemas digitais podem suportar essa demanda, não precisamos de grandes espaços físicos e infraestrutura para alocar equipes, e existem outras formas de controle que vão além das que adotamos até ontem, de forma presencial.

Enquanto trabalhamos de casa, não usamos carros, poluímos menos e colaboramos para diminuir os inúmeros e quilométricos engarrafamentos de nossas cidades. Por outro lado, consumimos menos de tudo: o próprio combustível, alimentos prontos, sapatos, roupas, acessórios, maquiagem, entre outros serviços e produtos. Uma adaptação aparentemente simples, mas capaz de provocar uma onda de mudanças no ambiente ao seu redor e em boa parte da nossa estrutura econômica.

No universo corporativo, passou a ser essencial considerar de forma enfática princípios que nem sempre estão alinhados às questões financeiras e de lucratividade – como as condições físicas e psicológicas dos funcionários, a relação com as comunidades envolvidas no processo de produção ou impactadas por ele, de forma direta e indireta. O “novo normal” competitivo é sermos sustentáveis para além de pautas já conhecidas, como o uso adequado de recursos naturais, as mudanças climáticas e a criação de códigos rigorosos de sistemas e condutas (o famoso compliance).

Nesse momento incerto e desequilibrado, o comprometimento, a eficiência e a eficácia tornam-se competências ainda mais requisitadas. Isso significa que o mercado buscará com maior ênfase por profissionais mais assertivos, com capacidade de entregar bons resultados com menos custo, menos recursos e mais rapidez, juntamente com a habilidade de criar soluções para questões que nunca imaginamos.

A mudança que já olhávamos pela fechadura, visualizando muito pouco do todo que havia para além da porta, entrou voando pela janela, tornou-se realidade, a favor ou contra nossa vontade. Precisamos nos reinventar em um espaço de tempo muito curto, numa velocidade única. Fomos fortemente desafiados pela natureza a rever nosso jeito de fazer as coisas, a reexperimentar o mundo, a redefinir valores e recriar riquezas.

A crise deixou claro que a visão que tínhamos sobre o mundo globalizado é frágil e vulnerável. É tempo de agir pela coletividade sistematicamente, não apenas enquanto durar o medo e a incerteza. Não se trata de modismo: agora a jornada é diferente, mais igualitária e fraternal. Em mandarim, a palavra “crise” significa oportunidade. E é exatamente isso o que temos hoje em nossas mãos: a oportunidade de aprender com os erros da humanidade e recalcular a rota para nossa reconstrução.

 

 

Rachel Maia é CEO da Lacoste Brasil

 

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