Maitê Lourenço: Levando negros ao rol dos bilionários brasileiros

Rido Franz/Getty Images
Rido Franz/Getty Images

Apoio ao empreendedorismo pode levar negros e negras à lista dos bilionários brasileiros

Ouvi de dois gestores brasileiros de venture capital diferentes que a crise ainda não impactou os fundos de investimentos. Fui atrás de informações e, segundo dados da PitchBook e da National Venture Capital Association, 62 fundos de capital de risco captaram um total de US$ 21 bilhões nos Estados Unidos durante o primeiro trimestre de 2020.

Isso se compara a um total de US$ 51 bilhões arrecadados para o ano inteiro de 2019, o que sinaliza que as empresas de capital de risco em mercados desenvolvidos estão em uma posição forte para enfrentar a crise econômica iminente.

Aqui no Brasil, conforme a Endeavor, os investidores estão mais cautelosos, olhando aspectos de longo prazo e a saúde dos negócios. Ou seja, estão definindo critérios tradicionais de investimento diante de tamanha incerteza resultante do momento político, da pandemia e da queda do desenvolvimento econômico no país.

É inevitável dizer que empreendedores negros e periféricos vivem suas vidas inteiras no campo da incerteza. E, ainda assim, lidam com o desafio de ultrapassar obstáculos que muitas startups que nascem milionárias não saberiam como lidar se não tivessem tantos recursos.

Além disso, as crises têm um potencial imenso de facilitar a emergência de novas soluções e empreendedores mais capacitados para suprir as necessidades do mercado.

Prova disso são negócios como a Beejobs, que avançam mesmo neste cenário, contrariando as previsões negativas. A startup, liderada por empreendedores negros, chegou a mim através de uma matéria, cujo título dizia que a startup havia recebido um investimento de R$ 20 milhões.

Fiquei surpresa pois, pasmem, a startup criou uma solução tecnológica para processos de recrutamento e seleção, utilizando inteligência artificial. No atual momento de crise, ver investidores apostando em uma startup como a Beejobs, que atua em um mercado diretamente impactado pelas incertezas atuais, é algo que realmente chama a atenção.

Quis saber mais sobre o processo. A Capital Indigo, empresa de private equity com sede na Cidade do México, foi a investidora na Beejobs. Em seu site, logo no menu, consta uma aba de responsabilidade social. Ao ver isso, fiquei pensando sobre o quanto é necessário atrelar este valor na construção de novos negócios. Também pensei em como é desafiador promover uma agenda comprometida com a sociedade, que clama cada vez mais por mudanças e melhorias, para o ecossistema de investimento.

Trabalho para que mais empreendedoras negras e negros tenham a oportunidades como a que Cláudio Vinícius, CEO da Beejobs, está tendo, e para que mais investimentos como este aconteçam aqui no Brasil, atrelando também oportunidades de crescimento para estas empresas lideradas por negros no exterior.

Quero ser uma das responsáveis por levar jovens negras e negros ao rol dos grandes bilionários brasileiros.

Sou uma pessoa que, o tempo todo, se propõe a adotar formas diferentes de avaliar e atuar em desafios complexos. Como modelo de vida trago a inovação, resiliência e visão sistemática típica de pessoas negras, apesar dos tantos anos de exclusão que enfrentamos.

Desejo que possamos cada vez mais fazer uso de um princípio muito falado – quanto maior for o risco, maior será o retorno – fazendo disso uma prática real por meio da qual será possível materializar novas visões para solucionar problemas, com muita inovação e tecnologia. Fica aqui um convite e provocação para quem vê no risco a oportunidade de grandes retornos.

Maitê Lourenço é fundadora e CEO da BlackRocks Startups, que incentiva os negros a acessarem ecossistemas inovadores e de tecnologia.

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