BIA, a ferramenta estratégica para empresas medirem e relatarem seus impactos

Ismail Hamdi Mat Ali/EyeEm/Getty Images
Ismail Hamdi Mat Ali/EyeEm/Getty Images

Empresas B são as que atendem as boas práticas de desempenho social e ambiental, transparência pública e responsabilidade legal para equilibrar lucro e propósito

Está cada vez mais evidente que os problemas mais desafiadores da sociedade não se resolvem apenas pelo governo e associações da sociedade civil sem fins lucrativos. É forçoso reconhecer o novo papel a ser assumido pelas empresas no cenário mundial e, ainda mais, no Brasil, qual seja: investir para reduzir a desigualdade, diminuir os níveis de pobreza, um meio ambiente mais saudável, comunidades mais fortes e a criação de mais empregos de alta qualidade com dignidade e propósito.

Ao aproveitar o poder dos negócios, as empresas devem usar os lucros e o crescimento como um meio para um fim maior: gerar impacto positivo para seus funcionários, comunidades e meio ambiente.

É nesse cenário que se ressalta o movimento global de líderes das empresas B certificadas – B Corps, ou simplesmente, empresas B. Tais corporações atendem as boas práticas de desempenho social e ambiental, transparência pública e responsabilidade legal para equilibrar lucro e propósito. Assim agindo, aceleram uma mudança de cultura global para redefinir o sucesso nos negócios e construir uma economia mais inclusiva e sustentável.

O B Lab ou Sistema B Brasil, como assim é chamado o movimento no Brasil, imagina uma economia que usa os negócios como uma força do bem e que cria benefícios para todas as partes interessadas, não apenas os acionistas.

As empresas B lideram uma economia que está emergindo acreditando que:

• Devem ser a mudança que buscam no mundo;
• Todos os negócios devem ser conduzidos como se as pessoas e o lugar importassem;
• Por meio de seus produtos, práticas e lucros, as empresas devem aspirar a não causar danos e beneficiar a todos;
• É necessário agir com o entendimento de que cada um depende do outro e, portanto, é responsável uns pelos outros e pelas gerações futuras;

Até o momento, há mais de 3.500 empresas B em 70 países e em 150 setores, e mais de 120.000 empresas gerenciam seu impacto com a Avaliação de Impacto B ou B Impact Assessment – BIA.

A modelagem BIA permite que as organizações compartilhem informações sobre si, bem como criem consciência e tomem ações concretas em relação aos seus impactos econômicos, sociais e ambientais.

Além do mais, fornece uma abordagem atraente e holística para o gerenciamento de desempenho e avaliação do impacto social e ambiental gerados pelos seus negócios.

A BIA é uma plataforma digital aberta, confidencial, on-line e fácil de usar. Conta com uma estrutura padronizada dividida em cinco “Áreas de Impacto” que resulta avaliar as seguintes partes:

• Governança;
• Trabalhadores;
• Comunidade;
• Meio Ambiente;
• Clientes.

Cada área é organizada por “Tópicos de impacto” que descrevem as dimensões específicas de impacto relevantes para aquela parte. Dentro dos tópicos, as perguntas ponderadas fornecem um indicador do impacto positivo de uma empresa com base em suas políticas, práticas e resultados. Os tópicos de impacto também podem incluir questões de métricas não ponderadas que fornecem contexto adicional e auxiliam na precisão do autorrelato.

Em breve resumo, o conteúdo da plataforma é projetado para ser uma ferramenta de avaliação e gestão de desempenho, estimada para permitir a compreensão interna, incentivo, e identificação de oportunidades de melhoria concretas para todos os negócios.

Entender a BIA como uma ferramenta diferenciada é a direção para maximizar a redução das nossas desigualdades. Nada melhor do que a BIA fazer parte da avaliação dos negócios de impacto, principalmente os pequenos e médios, com potencial de receber aportes de investimentos ESG.

O conteúdo e a materialidade do BIA são objetivamente prescritivos e incluem não apenas uma estrutura para transparência de dados específicos, mas também um sistema de pontuação para avaliar e comparar o desempenho entre diferentes empresas.

Haroldo Rodrigues é sócio-fundador da investidora in3 New B Capital S. A. Foi professor titular e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Universidade de Fortaleza e presidente da Fundação de Amparo a Pesquisa do Ceará.

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