Uma reflexão sobre os desafios da liderança no pós-pandemia

ilkercelik/Getty Images
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A pandemia mudou nossas vidas para sempre e estamos diante de uma oportunidade única de olhar o mundo sob novas perspectivas

A pandemia do Covid-19 criou um enorme desafio humanitário: milhões de doentes e milhares de vidas perdidas; aumento das taxas de desemprego nas economias globais; paralisação das cadeias de produção; lockdown de cidades inteiras; retração econômica; colapso nos sistemas de saúde; governos esforçando-se para fornecer serviços essenciais e assistência básica para a população; isolamento e distanciamento de amigos e familiares; empresas quebrando e tantas outras lutando para sobreviver. Diante deste cenário jamais imaginado e diferente de tudo que já enfrentamos, um ano depois do início desta crise, seguimos enfrentando os desafios que forçaram uma mudança abrupta em nossas vidas pessoais e profissionais.

Um estudo feito recentemente pelo Institute for Business Value da IBM, com 3 mil CEOs em todo o mundo, incluindo o Brasil, mostrou o que eles entendem que serão seus maiores desafios durante os próximos anos. Para a imensa maioria, o momento trouxe uma oportunidade única de quebrar paradigmas, de repensar uma nova forma de liderar e operar, capaz de explorar todo nosso potencial corporativo, humano e social. No topo da prioridade da liderança apareceram quatro elementos que foram considerados fundamentais não só para nos prepararmos para o futuro, mas principalmente para posicionarmos nossas organizações para obter sucesso no mundo pós-pandemia – são eles: gestão de talentos, mudança na mentalidade da liderança, tecnologia e parcerias com o ecossistema.

Em uma jornada árdua de recuperação, o tema gestão de talentos será muito presente na agenda dos líderes pois os profissionais que possuem habilidades e competências híbridas de maior valor agregado, tais como fluência em novas tecnologias, pensamento crítico sistêmico, insatisfação positiva, influência empática, capacidade de processamento de informações e dados, gestão de caos, curiosidade intelectual, capacidade de resolver problemas complexos, combinados com inteligência emocional e capacidade de liderança, serão imensamente demandados e disputados pelas organizações. Além do fato da pandemia ter trazido temas existencialistas muito profundos para a vida dos profissionais, como maior senso de propósito e urgência, expectativa muito mais personalizada e flexível de trabalho e sentimento de pertencimento. Neste contexto, a mudança de mentalidade da liderança será algo relevante, o mundo novo exige um líder mais genuíno pois seremos cada vez mais percebidos e analisados por nossos comportamentos, coragem e conforto em assumir riscos, escuta ativa, fomentar ambientes inclusivos e diversos, com mentalidade de crescimento contínuo, autenticidade, empatia, capacidade de priorização, colaboração e resiliência para enfrentar turbulências com mais frequência.

Foi consenso entre os líderes pesquisados que o agente de mudança mais potente e de maior impacto nas operações e negócios tem sido a tecnologia e a grande aceleração digital que experimentamos neste período continuará nos próximos anos. A empresa cognitiva deste novo mundo tem a inteligência artificial como centro desta disrupção e a nuvem híbrida como habilitador e propulsor de grandes inovações oriundas da adoção acelerada de blockchain, RPA, 5G, robótica, IoT entre outras. Com o aumento da maturidade destas tecnologias exponenciais, as empresas conseguiram incrementar seus modelos de negócios digitais e plataformas, melhorar a personalização e a jornada de experiência do cliente, reduzir custos das operações com a automação de tarefas repetitivas e democratizar o acesso a produtos e serviços de melhor qualidade. E as possibilidades são infinitas na busca de aumentarmos o nível de qualidade e eficiência nas relações e nas operações.

Pensando em ecossistema, foi amplamente reconhecido pelos líderes pesquisados que parcerias de negócios oferecem um grande potencial de crescimento e resiliência em momentos de turbulência e são capazes de promover inovação, escalar rapidamente e se adaptar a ambientes em constante transformação. Neste momento de escassez de recursos, tornou-se fundamental garantirmos nossa capacidade de produzir mais com menos recursos. Precisamos fortalecer nossa capacidade coletiva e colaborativa, fomentar um ecossistema forte, em todos os segmentos de indústria, com uma abordagem de cocriação que nos ajuda a concentrar esforços em nossas fortalezas e investir nas parcerias que melhoram nossa competitividade, maximizam nossos resultados e potencializam a qualidade e valor agregado dos produtos e serviços entregues ao cliente final.

Finalmente, acredito que 2021 será um ano de transição e início da reconstrução das economias globais, onde nós – indivíduos, empresas, sociedade – começaremos a refletir sobre o que aprendemos até aqui e olharemos para a frente pensando que somos os protagonistas nesta jornada de moldar o futuro que desejamos. O próximo normal vai ser diferente, já é diferente. A pandemia mudou nossas vidas para sempre e estamos diante de uma oportunidade única de olhar o mundo sob novas perspectivas, um olhar mais essencialista, mais humano, com senso de urgência, de valorização das coisas simples, com maior senso de comunidade, emergindo uma possibilidade de ressignificação e descobertas de novos sentidos a questões cotidianas. E a tecnologia continuará sendo uma grande aliada e habilitadora de modelos flexíveis, escaláveis e resilientes em um mundo cada vez mais interconectado, personalizado, ágil, fluído e digital.

Tonny Martins é Gerente Geral da IBM na América Latina. O executivo começou sua carreira como estagiário na empresa há 29 anos e ocupou diversas posições de liderança nos segmentos de Serviços, Soluções e Consultoria de Negócios.

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