Investimento ESG em rede: a mola propulsora de um grande pacto nacional por um território digno

Comprometimento dos investidores sociais privados com o ESG possibilita que as organizações possam trabalhar além das metas e objetivos financeiros e, literalmente, mudar vidas através da mudança ambiental, governança e impacto social.

Haroldo Rodrigues
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Florian Kaiser/EyeEm/Getty Images
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Está na hora de lançar um pacto. Investir em ESG transforma. Vida digna para as favelas, periferias e comunidades é a emergência do pacto

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Precisamos de um grande pacto de dignidade da favela no apoio aos 14 milhões de brasileiros, de acordo com o Instituto Locomotiva e o Data Favela, antes que Elon Musk chegue a Marte. Assim foi escrito na minha coluna, em resposta aos quereres de Celso Athayde, Preto Zezé e Edu Lyra.

Em livre tradução, a CUFA, a Holding Favela e o Gerando Falcões provocam: como fazer para que as favelas e periferias sejam moradas de uma vida digna? Isso é desafiador e só reforça o chamamento pelo pacto.

Ainda segundo o Instituto Locomotiva e o Data Favela, basta a análise de um dado para se constatar a tamanha desigualdade desses territórios: 50% dos domicílios em favelas tem 4 ou mais pessoas, e 60% têm no máximo 2 quartos. A média é superior a 4 pessoas por dormitório.

Regenerar esses territórios é o que se tem e só reforça a convocação pela vida. As pessoas vivem em seus territórios. Investir transforma o território, muda a vida da pessoa. Grandes ambições geram grandes mudanças.

Essa visão coloca a vida no centro do pacto e coincide com a agenda Mundial dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS, que, desde 2015, sugere “vida digna para todos é a obrigatoriedade principal deste século”. Nada mais atual e agudo em tempos de pandemia.

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Está na hora de lançar um pacto. Investir em ESG transforma. Vida digna para as favelas, periferias e comunidades é a emergência do pacto.

A indústria brasileira possui forte atuação de responsabilidade social para promover e fomentar o desenvolvimento comunitário, na pandemia tem demonstrado essa força. Porém, ações além da responsabilidade social, com o intuito de fomentar negócios de impacto com potencial de gerar benefícios positivos é o caminho para unir empresas em prol de territórios degenerados.

Uma iniciativa de impacto ESG, em andamento, é exemplar e inspiradora. Empresas, fundações e institutos, grandes nomes nacionais, se conectaram e estão fazendo investimento ESG em rede.

A CBMM, Duratex, HM Engenharia, Instituto InterCement, InterCement, ArcelorMittal, Fundação Tide Setúbal e Vale integram uma rede – chamada HousingPact – que apoia e investe em startups, negócios de impacto, focados em transformar o padrão de habitação de populações de baixa renda através de inovação e empreendedorismo, com a coordenação do Instituto InterCement, ImpactHub e NeoAlfa.

Juntas, as empresas começaram, em 2019, o projeto de aceleração com 17 startups. No HousingPact, as empresas desenham seus projetos e soluções juntas, em interações em rede com as demais aceleradas e as empresas realizadoras.

Um dos negócios investidos, a Cooperativa Coletando, prevê a coleta de 18 toneladas de resíduos por ano, com incremento de renda mensal para cada morador que descartar materiais limpos nos ecopontos da empresa. O recebimento será feito por microfranquias, implementadas e orientadas pela Firgun, outra startup selecionada.

Outro, a Agua V, capacita jovens de 18 a 35 anos para a produção e instalação de tecnologias sociais – cisternas de captação de água da chuva, hortas verticais e vasos freáticos com proteção contra dengue. O objetivo é impulsionar nova atividade que engloba a geração de renda junto à conscientização e apropriação de práticas socioambientais replicáveis. Os produtos são vendidos em lojas da Vivenda, parceira do projeto.

O modelo em rede HousingPact, com adesão diversificada de empresas, fundações e institutos, mostra muito bem a crescente preocupação e alinhamento com o ESG, investimentos sustentáveis que buscam gerar impacto além do resultado financeiro.

O pacto é o chamamento para que o movimento ganhe cada vez mais espaço em todos os setores da indústria do Brasil, colocando problemas que, antes, eram negligenciados, como destaque.

O comprometimento em rede dos investidores sociais privados com o ESG possibilita que as organizações tenham um panorama sistêmico do território, podendo trabalhar além das metas e objetivos financeiros de cada instituição e, literalmente, mudar vidas através da mudança ambiental, governança e impacto social.

Um grande pacto nacional por territórios dignos pode ser o ambiente catalisador para investir em ESG. Há que se ter uma mola propulsora de adesão à regeneração dos territórios pelo potencial de transformação e impacto gerado. Isso tem que ser caminho sem volta.

Haroldo Rodrigues é Sócio Fundador da investidora in3 New B Capital S. A. Foi professor titular e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Universidade de Fortaleza e presidente da Fundação de Amparo a Pesquisa do Ceará.

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