Mercado automotivo se reaproxima do universo das corridas

Duda Bairros
Duda Bairros

Novas montadoras pretendem entrar na Stock Car para competir com GM e Toyota

“Win on Sunday, sell on Monday”, frase criada na década de 1960 por Bob Tasca, tornou-se o slogan do automobilismo. A expressão, que em português quer dizer “vença no domingo, venda na segunda” resume a relação que sempre existiu entre a indústria automobilística e as corridas de carro. E explicita bem o propósito de uma marca ao colocar seus veículos para competir: o resultado das corridas precisa influenciar a decisão de compra do público.

Na Stock Car Pro Series, criada em 1979 no Brasil com apoio da General Motors, essa motivação comercial também existe. E esse é o objetivo comum de todas as competições, seja ela de duas, três ou quatro rodas. Isso porque o esporte desperta a paixão e fideliza o público em consumidor, através da identificação com marcas e pilotos.

“Faz parte do DNA da Chevrolet no Brasil estar na Stock Car”, diz Jorge Maiquez, argentino responsável pelo departamento de automobilismo da General Motors na América do sul, ao relatar que vinha há algum tempo conversando com os organizadores do campeonato. A meta era incentivar uma volta às origens da competição e deixar o carro de corrida mais parecido o modelo encontrado nas concessionárias da marca. “Nosso presidente, Carlos Zarlenga, é um líder que gosta do automobilismo e se esforçou muito para que a Stock Car mudasse tecnicamente”, revelou Maiquez.

E o esforço teve efeito. Em 2020, os carros da categoria passaram a utilizar em sua base construtiva os monoblocos dos carros de rua, mas com as devidas adaptações para competição. Como resultado, o design passou a ser praticamente o mesmo, dentro e fora das pistas. Desta maneira, o desafio de aproximar os fãs da velocidade do consumidor de carros foi alcançado com sucesso.

No entanto, esta não era a única barreira a ser transposta pela maior categoria do automobilismo nacional. A GM queria disputar com outras montadoras. “Nós competimos nas ruas e também queremos competir nas pistas”, afirmou Maiquez. E a resposta desta demanda foi o convite e a entrada da Toyota no grid, com a chegada do modelo Corolla para enfrentar os Chevrolet Cruze.

Atendendo também à estratégia mundial de trazer para o Brasil a Toyota Gazoo Racing, braço de competição de marca japonesa, a Toyota decidiu entrar na Stock Car por ser a competição mais relevante do país. E mesmo em meio à pandemia, a montadora considerou que seu ano de estreia foi positivo. “Nesta primeira temporada, o objetivo era a implantação da marca Gazoo Racing”, confirmou Henry Soares, Gerente de Marca Regional da Toyota Gazoo Racing.

Este novo cenário, com duas marcas na disputa, resultou em uma mudança de regulamento implementada para equalizar a competição. Foram criados dois pacotes técnicos de equilíbrio de desempenho, os quais poderiam ser usados duas vezes durante a temporada por cada montadora, caso houvesse uma grande discrepância na pontuação entre pilotos da Chevrolet e da Toyota.

Como pano de fundo dessa transformação, evoluiu também o conceito que relaciona as vendas de carros aos resultados obtidos pelas marcas nas corridas. “Em outras épocas, a alternativa era uma relação direta da competição com as vendas. Agora, o esporte é um gerador de conteúdo para contar histórias que tenham a ver com nossos produtos, que sejam relevantes para os fãs e para as pessoas que gostam de consumir conteúdo relacionado ao nosso produto”, aponta Maiquez.

E essa mentalidade, alinhada com as formas de fidelizar o consumidor no cenário atual, também é compartilhada pela Toyota. Henry conta que o outro objetivo da marca japonesa é, através da Stock Car, trabalhar os fãs do automobilismo e expandir essa relação para o público em geral, gerando maior engajamento nas redes sociais tanto da equipe quanto da montadora. “Os nossos influenciadores são os próprios pilotos”, foi o que disse Henry ao exaltar o resultado de visibilidade de marca alcançado através de pilotos como Rubens Barrichello, Thiago Camilo, Ricardo Zonta, além da Stock Car.

Mas o formato do campeonato tende a evoluir para a chegada de mais montadoras. Há negociações em andamento para a temporada de 2021. “A Stock Car tem o equilíbrio perfeito, porque ela une tudo do universo promocional sem ter a parte chata e custosa de desenvolvimento dos carros”, explicou Fernando Julianelli, CEO da Vicar, promotora da categoria. Isso porque o desenvolvimento dos carros é feito pela equipe de engenharia da Stock Car, usando as peças e sistemas empregadas pelas fábricas em seus carros de rua.

No fim das contas, tanto a Toyota quanto a GM estão ansiosas pela chegada de outras marcas. Henry disse incentiva outros concorrentes a entrarem na competição contando sua própria experiência. Ao mesmo tempo, Maiquez, além de dar as boas-vindas antecipadas a novos rivais, disse que quem ganha com isso são os pilotos e o público, com um espetáculo ainda mais emocionante. “Assim como eles fazem com seus consumidores, para nós, da Stock, é fundamental ter estes clientes, os fabricantes, felizes com os resultados”, arremata Julianelli.

Letícia Datena é jornalista de esportes há oito anos, e atua no setor do automobilismo desde 2016. Já foi correspondente internacional dos canais Fox Sports e cobriu alguns dos campeonatos mais importantes do mundo, como o Rally Dakar, Rally dos Sertões, o WRC (World Rally Championship), Fórmula E e hoje é uma das responsáveis pelo departamento de criação de conteúdo da Stock Car.

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