Dona de Si: Assédio no trabalho? Veja como denunciar

O crime de assédio sexual ou moral é muito difícil de provar, mas mulheres já estão cansadas de tanto abuso e precisam aprender a como se defenderem .

Suzana Pires
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Cecilie_Arcurs/Getty Images
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Procurar uma advogada é um dos importantes passos caso esteja sofrendo abuso no ambiente profissional

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Caríssima, é quase certo que você tem um chefe, um colega ou alguém por perto que ainda “sofra” de crenças antigas e siga agindo como se fosse o dono do território e de qualquer corpo feminino que se mova por perto. Nós sabemos o quanto esse comportamento melhorou nas grandes empresas, mas sabemos também que tem os caras de pau, acima do bem e do mal, que seguem exercendo seu poder profissional através de seduções baratas, comportamentos mofados e humilhações diárias do corpo feminino.

Tenho pra mim que homens dessas “espécies” possuem um grande ódio por si mesmos e só conseguem se afirmar em cima da crença de que qualquer fêmea nasceu para servi-los. É lamentável, mas eles estão por aí, no mundo real, infernizando vidas, fazendo mulheres emocionalmente doentes e transformando nosso caminho diário num crime, sem fim. E, dependendo da cultura do ambiente onde isso acontece, esse “ser” ainda é protegido, desculpado e premiado.

Imagino que se não você, alguma colega sua já deva ter passado por essa violência ou esteja passando e que não tenha sido fácil denunciar, expor o crime e se livrar do bandido. Não é algo particular com você, caríssima. O crime de assédio sexual ou moral é muito difícil de provar, mas nós já estamos cansadas de tanto abuso e precisamos nos defender. Como? Aí vão sete ações que você precisa ter para livrar o ambiente profissional dessa corja suja.

1- Saber que você não está louca – Na maioria das vezes, o assédio acontece de cima para baixo; alguém com mais poder joga com sua posição de mando para conseguir favores sexuais das pessoas subordinadas. No entanto, mesmo ciente disso, é quase certo que diante das investidas do assediador, é possível que você se pergunte se o que está acontecendo é real, se a sua cabeça está criando os fatos; então saiba: não duvide! Você está sendo assediada, sim! Não é um romance, tá??!!!

2- Observe a maneira de agir do monstro – Cada assediador desenvolve, ao longo dos anos, a maneira de assediar, fazer o cerco e importunar; não só com você, mas com diversas outras mulheres. E ele também desenvolve um método de disfarçar, para no caso de qualquer problema ele dizer tudo de bacana que ele fez por determinada pessoa ou departamento. Portanto, seja racional ao ponto de observá-lo, sem deixar que ele perceba que você está diagnosticando o jogo perverso dele.

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3- Finja que está no papo – Enquanto você estiver observando como ele age, é natural que você se defenda das investidas dele, mas se você quer denunciá-lo e se livrar do criminoso, terá que entrar no jogo dele. Pelo menos, fingir que está caindo. Esses monstros são tão doentes que basta um sorriso com um olhar sustentado para ele acreditar que você já está seduzida. Leve-o em “banho maria”.

4- Converse com sua amiga advogada – Se você tem uma amiga, irmã, prima advogada, ótimo. Mas, se você não tiver, procure uma ONG que tenha (Instituto Dona De Si, Justiceiras, Mulheres Unidas, etc). Qual a importância dessa reunião? A advogada vai te instruir sobre as provas necessárias: e-mails, gravações de conversas, whatsapps, bilhetinhos, etc. Essa advogada será a sua “fortaleza”, aquela pessoa que estará com você a cada etapa do caminho, porque não será fácil para seu estômago lidar com isso de maneira tão racional. Mas, se cerque de uma rede de apoio para ter forças.

5- Captando provas – Em geral, esses criminosos estão agindo desta maneira há muitos anos e saindo impunes, sempre. Isso o faz parecer invencível, mas é exatamente aí que está a fragilidade do nojento: ele relaxa e comete o crime de assédio de maneira livre, como se fosse algo frugal, normal, e é nessa brecha que você penetra e o pega. É sua missão fazê-lo produzir provas do crime, portanto fique atenta! É nesse momento que você terá o diálogo para gravar, o e-mail onde ele se entrega e a série de whatsapps perturbadores. Segure-se na rede de apoio! Você vai conseguir.

6- Compliance da organização – Para relatar sua denúncia ao compliance da empresa, entenda que esse departamento não foi feito para te defender e entrar com processos judiciais. Este departamento regula o Código de Ética da empresa, defendendo-a de práticas abusivas e criminosas; portanto, é quase certo de que eles vão lidar, internamente, com o crime, aplicando uma demissão no assediador. E, talvez, possa ter um empenho para a conscientização de que assédio é crime, mas eles não tem poder para passar disso. Só você pode ir para a etapa seguinte. Não se esqueça: você tem provas, testemunhas, e-mails e está sedenta por justiça.

7- Fazer justiça é a sua força – Entrar com um processo criminal seria o ideal. É muita dor de cabeça? Custa dinheiro? Sim, mas precisamos desmistificar os processos judiciais, caso contrário, continuará sendo uma prática longe da nossa realidade, causando uma sensação de injustiça difícil de sanar e que pode te levar a uma “quebra emocional” ainda mais custosa. Percebo que o processo judicial, quando você se preparou para isso, vai te trazer a justiça merecida, mas também para as outras diversas vítimas do mesmo criminoso; podendo até se tornar um caso para o ministério público investigar e isso, caríssima, tem força de mudar o futuro.

Você pode estar pensando que eu esteja fazendo parecer que todas essas ações sejam “fáceis” ou “simples” e que todas nós temos o espírito espiã e mais nada a fazer no nosso dia-a-dia. Mas, não. Eu sei o quanto você é ocupada, que sua grana muitas vezes não sobra e que você está exausta; mas estou aqui para te fazer ver que se você continuar “virando a cabeça para o lado”, se negando a entender o estrago que esses criminosos fazem na sua vida e de todas as mulheres do mundo, mais exausta você vai ficar.

Já não está na hora de pararmos de considerar natural que no nosso trabalho tenha sempre o “tarado”? Aquele que temos que ter “jogo de cintura” para levar? Aquele que faz do nosso cotidiano um inferno? Chega. Chega. Chega. A cada assediador que uma mulher derrubar, fará com que um outro repense e mude suas atitudes.

E há de chegar o dia que o assediador seja cada vez mais raro nos ambientes de trabalho, porque suas ações serão codificadas e reveladas de maneira rápida e eficiente; na primeira entrevista, cortando o mal pela raiz, mesmo que ele tenha um diploma de Harvard. Lugar de assediador, predador e estuprador é na cadeia!

Sororidade sempre.
Suzana Pires.

Primeira atriz também autora de novelas do Brasil, a empresária e empreendedora social Suzana Pires é formada em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), em showrunner na MediaXchange, em Los Angeles, e em empreendedorismo pelo Empretec Sebrae SP. Depois que começou a escrever a coluna Dona De Si, em 2017, surgiu a ideia de criar o Instituto Dona De Si, com o principal objetivo de acelerar talentos femininos. Atualmente, segue como atriz na Rede Globo de Televisão e como autora cria projetos para players nacionais e internacionais através da marca Dona De Si Conteúdos.

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