No ponto: Perdemos o trema. E agora?

A queda do sinal gráfico não diz respeito a uma simplificação linguística em si, mas a um desapreço pelas normas, pela ordem e, sobretudo, pela tradição

Cíntia Chagas
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Alys Tomlinson/Getty Images
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A reforma ortográfica mais recente nos deixou órfãos do trema, importante sinal gráfico

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“É verdade que o trema não existe mais?” Essa, leitor, é uma das perguntas que mais ouço no que diz respeito à reforma ortográfica. A resposta não me agrada muito, mas vamos lá.

O trema, aqueles dois pontinhos que ficavam em cima da letra u, era utilizado, antes das letras e e i, para indicar que o u deveria ser pronunciado. Mas como assim? Observe o caso, por exemplo, da palavra frequência. Antes, para sabermos que deveríamos falar “frecuência” em vez de “frekência”, lá estava o trema, marcante, indicativo, imponente.

Todavia, a última reforma ortográfica, inescrupulosa, simplesmente nos deixou órfãs do trema. Mas então quer dizer que devo falar “frekência” agora? Não, amado leitor, até porque a reforma é ortográfica, não fonológica. Isso significa apenas que perdemos um importante sinal gráfico.

Imagino como um estrangeiro (ou até um jovem brasileiro) fica ao entrar em contato com uma palavra cujo som não lhe é familiar. Suponhamos que eles nunca tenham ouvido o vocábulo em questão. Ao se depararem com ele na escrita, como têm certeza da pronúncia correta? Como saber se o u deve ou não deve ser pronunciado?
Mas não se engane, leitor. A queda do trema não diz respeito a uma simplificação linguística em si, mas a um desapreço pelas normas, pela ordem e, sobretudo, pela tradição.

É isso.

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Até semana que vem.

Cíntia Chagas é uma professora que sempre leva humor e conhecimento ao público. Escritora de dois best-sellers da editora HarperCollins, ela coleciona milhares de alunos nos cursos virtuais que ministra. Palestrante e instagrammer, provou que irreverência, humor e educação podem e devem andar juntos.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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