Sua empresa está aprendendo a falar o idioma digital?

Não existe também um caminho único ou certo que os líderes possam seguir, porém investir em cultura organizacional com diversidade e pessoas ágeis para aprender é uma boa aposta.

Federico Grosso
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Ter um time com a habilidade de aprender algo novo na prática, sem medo de errar e continuar testando é essencial para a cultura organizacional de uma empresa que quer ser inovadora e disruptiva

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Quando eu tinha 13 anos, meu professor de inglês me disse que eu não tinha aptidão para aprender novos idiomas. Até hoje não sei se ele estava errado ou se essa fala me incentivou a sair da Itália e viver pelo mundo, conhecendo novas culturas e diferentes línguas. Obviamente, estou longe de ser fluente nos cinco idiomas que falo como os nativos são. Porém, percebo que essa coragem de revelar algo para outras pessoas mesmo que não seja perfeito é algo extremamente importante para líderes do agora que precisam apoiar suas equipes pela transformação digital.

Explico: a tecnologia está mudando a forma como trabalhamos, nos comunicamos e consumimos produtos e serviços. Por outro lado, somos seres humanos e acompanhar todas as evoluções e tendências tecnológicas não é uma tarefa fácil. Dominar, de fato, cada uma delas exigiria de nós uma capacidade de processamento tão boa quanto a de supercomputadores. É por essa razão que ter um time com a habilidade de aprender algo novo na prática, sem medo de errar e continuar testando é essencial para a cultura organizacional de uma empresa que quer ser ou se diz inovadora e disruptiva.

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É uma característica bem semelhante que todos temos quando criança, afinal aprendemos a andar ou a mexer em um brinquedo novo sem nos perguntar qual é a funcionalidade certa ou ler manuais de instruções. Precisamos lidar com a tecnologia em nosso trabalho dessa mesma forma, constantemente, se quisermos ser relevantes no longo prazo. Aprender fazendo funciona muito bem com as novas gerações. Logo, está mais do que na hora de os líderes se capacitarem com seus colaboradores mais jovens. Assim como aprendi idiomas não respeitando muito as regras linguísticas, se você passar muito tempo tentando ser perfeito, talvez vá ficar para trás.

Essa necessidade de ter uma cultura empresarial mais ágil e atenta às inovações também foi demandada por uma mudança em nossa sociedade. Percebo que até cerca de 20 anos atrás as empresas estavam orientadas a resolver problemas complicados. Agora, nós precisamos ter um modelo de trabalho para encontrar soluções para questões complexas.

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Fabricar um carro há 30 anos, por exemplo, era complicado e demandava um time de engenheiros, designers e mão de obra para montar e apertar os parafusos. As indústrias se dividiam em departamentos, onde cada um era responsável por uma tarefa ou parte do automóvel. Agora estamos nos preparando para lançar veículos autônomos, algo bem mais complexo, que exige um time multidisciplinar, incluindo especialistas em inteligência artificial e ética, porque esse objeto será, na verdade, um computador com rodas que tomará decisões. Portanto, essa equipe deve estar integrada, sem espaço para silos.

Multidisciplinaridade e aprendizado na prática parecem ser a combinação ideal para uma cultura empresarial relevante na transformação digital, certo? Errado! Precisamos somar a essa equação outro fator de igual relevância: a diversidade. Ter pessoas em uma equipe com os mesmos background, habilidades e formação é como ter sempre a mesma visão ao olharmos para um problema. Nesse sentido, a diversidade tem um papel fundamental para as empresas conseguirem enxergar sob diferentes ângulos, como se fosse uma visão 360, sem pontos cegos. Não há mais como inovar sem diversidade.

Não existe também um caminho único ou certo que os líderes possam seguir, porém investir em uma cultura organizacional com pessoas diversas, multidisciplinares e ágeis em aprender novas tecnologias ao mesmo tempo em que as testam parece ser uma boa maneira de entrar com o pé direito na era da transformação digital.

Federico Grosso é general manager da Adobe para América Latina

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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