Metaverso desafia empresas a pensarem futuro imersivo

A possibilidade de criarmos uma realidade paralela há muito tempo fascina o ser humano. Isso já foi tema de filmes, livros e de tentativas da indústria de tecnologia de gerar essa aproximação com um número maior de pessoas.

Camila Farani
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O Fortnite, jogo da Epic Games, é uma das plataformas que vem se consolidando como conceito de metaverso (Rafael Henrique/SOPA Getty Images)

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A possibilidade de criarmos uma realidade paralela há muito tempo fascina o ser humano. Isso já foi tema de filmes, livros e de tentativas da indústria de tecnologia de gerar essa aproximação com um número maior de pessoas, como no lançamento do Second Life. O espaço tridimensional simulava a vida real e, lá, éramos todos avatares. Não avançou como prometia, e provavelmente tenha sido mais um caso de um produto à frente do seu tempo, que chegou quando o mercado ainda não estava preparado para ele.

Hoje o cenário é diferente, o que nos leva a acreditar que o Metaverso, considerada a próxima plataforma de computação baseada em Realidade Virtual e Aumentada, tem potencial para ir além do buzzword. Apostas não faltam. Uma das maiores delas é a do Facebook. Recentemente, o fundador da gigante global, Mark Zuckerberg, anunciou que vai investir US$ 50 milhões em pesquisas e programas parceiros para garantir o desenvolvimento do metaverso nos próximos anos.

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Pense em um conjunto de espaços virtuais, que poderão ser explorados pelas pessoas mesmo que elas estejam distantes fisicamente. A perspectiva é que muito do que vivemos no mundo físico, passe a acontecer também no metaverso, como reuniões de negócios, um passeio com um amigo por um shopping virtual, um concerto musical, uma aula ou um jogo realístico. A Epic Games, avaliada em US$ 8,7 bilhões, concluiu uma rodada de financiamento de US$ 1 bilhão, que permitirá à empresa apoiar futuras oportunidades de crescimento, entre elas, a aposta no metaverso.

Players do mundo todo estão se movimentando para esse novo momento que começa a ser construído. Mais de 90 startups no mundo já estão envolvidas na criação dos blocos fundamentais para o metaverso, revelam dados do CB Insights. O foco vai desde o desenvolvimento das plataformas virtuais que permitirão aos usuários interagirem socialmente ou no mundo do trabalho de forma mais imersiva, na criação de ferramentas virtuais e nas tecnologias dos avatares. Outro direcionamento das startups é a construção dos ambientes de serviços financeiros, para a troca de ativos, que permitam às pessoas, por exemplo, adquirir produtos nestes ambientes virtuais.

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Criar uma versão mais digitalizada da vida está mais próxima da realidade do que nunca. Claro que precisamos entender os limites disso, mas, hoje, a tecnologia está disponível – o que não aconteceu no passado. A capacidade de processamento, armazenamento e uso inteligente dos dados cresce exponencialmente, as tecnologias como Realidade Virtual e Aumentada avançaram e, em breve, o 5G viabilizará conexões cada vez mais rápidas e baixas latências.

E, o mais importante, existe um amadurecimento e uma pré-disposição muito maior dos consumidores de estarem presente no mundo digital desde a aceleração criada pela pandemia da Covid-19. O exercício que podemos fazer é vislumbrar o quanto esses espaços virtuais poderão trazer de novas possibilidades para a forma como vemos o mundo hoje. Que atividades do nosso dia a dia serão transpostas para essa realidade virtual e, assim, criarão a oportunidade da construção de novos negócios?

Como empreendedores, investidores e empresários, precisamos nos antecipar para podermos entender como nos posicionarmos. E mesmo que o metaverso ainda leve cinco ou dez anos, esse novo mundo que está desenhado à nossa frente exige uma postura mais digital e, especialmente, um entendimento do que motiva esse novo consumidor.

O que faz uma pessoa pagar US$ 2,9 milhões pelo primeiro tweet feito pelo fundador do Twitter, Jack Dorsey? Ou comprar um meme, um tênis virtual da Gucci ou ainda investir US$ 500 mil no projeto 3D de uma casa? As transações de criptoarte, feitas via NFT – Non-Fungible Tokens, ou tecnologia de tokens não fungíveis, nem eram imaginadas até bem pouco tempo.

Um novo mundo está sendo construído, e ele passa pela capacidade de entregar melhores experiências para os consumidores no mundo físico e digital, sem esquecer, claro, da privacidade e segurança. O que será do metaverso ainda não sabemos, mas, uma coisa é certa: a evolução passa não pela tecnologia em sim, mas pelo que conseguiremos criar a partir dela.

Camila Farani é um dos “tubarões” do “Shark Tank Brasil”. É Top Voice no LinkedIn Brasil e a única mulher bicampeã premiada como Melhor Investidora-Anjo no Startup Awards 2016 e 2018. Sócia-fundadora da G2 Capital, uma butique de investimentos em empresas de tecnologia, as startups.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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