Cidades do Futuro: mobilidade como serviço

O desafio, dentro da expansão urbana, é garantir que os deslocamentos sejam realizados de maneira eficiente, sustentável e com equidade no uso do espaço público.

Vitor Magnani
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“De acordo com a consultoria McKinsey & Co, a integração total entre os meios de transporte disponíveis permitiria acomodar 30% mais tráfego com redução de 10% no congestionamento” (Crédito: Getty Images)

Acessibilidade


Em 1950 éramos 2,5 bilhões de habitantes no planeta. Hoje, somos 7 bilhões. E a perspectiva é de que, em 2050, a população mundial chegue a 8,9 bilhões de pessoas. Inevitavelmente, as viagens em uma cidade passarão a ser feitas mais com modos ativos (por bicicleta ou a pé, por exemplo) e menos com os veículos motorizados. O desafio, dentro da expansão urbana, é garantir que os deslocamentos sejam realizados de maneira eficiente, sustentável e com equidade no uso do espaço público.

Há pouco tempo o conceito de smart cities (cidades inteligentes) estava à frente desse debate. O investimento em hardwares e softwares conectados surgiu como solução para os problemas do espaço urbano.

O passo seguinte é focar no MaaS (Mobility as a Service ou Mobilidade como Serviço). O conceito gera opções para o cidadão se deslocar – seja de transporte individual (motorizado ou ativo), de passageiros ou de mercadorias, seja de transporte coletivo, privado ou público.

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De acordo com a consultoria McKinsey & Co, a integração total entre os meios de transporte disponíveis permitiria acomodar 30% mais tráfego com redução de 10% no congestionamento. Viagens cada vez mais combinadas entre modais têm sido demandadas para atender a pluralidade dos deslocamentos, mas a integração entre as formas de transporte exige dois fatores:

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1. Integração física
Trata-se da conexão física entre os diversos meios de transporte, como metrô, ônibus, bicicleta, e até mesmo, automóvel particular e de aplicativos com o objetivo de facilitar o acesso entre os diversos modais disponíveis. Exemplo: estações de bicicleta nos terminais de ônibus e ciclovias que levam até o metrô. Dessa forma, o cidadão terá mais opções com o uso combinado de diversos modos de transporte.

2. Integração de pagamentos
Trata-se da possibilidade de utilizar a mesma forma de pagamento, como um cartão de crédito e débito, para pagar por todos os serviços utilizados em um mesmo deslocamento. Essa integração é essencial para a existência do MaaS, pois sem ele, os valores para o cidadão podem ser cada vez mais alto.

A gestão do MaaS deve regular a entrada das empresas de mobilidade na plataforma estabelecendo normas e padrões, sem criar restrições burocráticas, mas exigindo que os participantes disponibilizem uma integração real do seu serviço. Assim, um operador (público ou privado) da plataforma MaaS poderá́ ofertar aos seus usuários o acesso e o pagamento a todos os serviços integrados na plataforma por meio de cartão físico ou virtual (NFC/QRCode).

Do outro lado, a plataforma deve permitir que um cidadão consiga acessar e pagar os serviços de transporte como ônibus, metrô, bicicleta compartilhada, transporte por aplicativo e estacionamento, com apenas um aplicativo ou cartão físico. Combinadas, as integrações físicas e de pagamentos promoverão a mobilidade integrada. É o primeiro próximo passo para que as cidades se aproximem de um conceito que é visto como o futuro da mobilidade.

Vitor Magnani é presidente da Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O) e do Conselho de Economia Digital e Inovação da Fecomercio/SP. Professor da FIA e especialista em Relações Institucionais para ecossistemas inovadores.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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