Metaverso: qual é o futuro do potencial negócio trilionário?

Diversos setores já utilizam a tecnologia para aplicações cada vez mais realistas.

Vitor Magnani
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Vitor Magnani: “com grandes marcas lançando novidades a todo momento, o mundo virtual se transforma dia após dia e já dá sinais de ser uma tendência nos próximos anos” (Crédito: Getty Images)

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Mesmo parecendo algo futurístico e distante para nós, o termo metaverso foi apresentado pela primeira vez no romance clássico de Neal Stephenson, “Snow Crash”, em 1992. Muito além de qualquer game ou aplicação de videoconferência, o metaverso é um mundo 3D virtual compartilhado, ou mundos, que são interativos, imersivos e colaborativos.

Assim como o universo físico é uma coleção de mundos conectados no espaço, o metaverso também pode ser considerado um aglomerado de mundos. É como se tivéssemos criado uma outra realidade e outro mundo que pode ser tão vasto quanto o mundo “real”.

Com muitas empresas de olho nesta tecnologia nos últimos meses, já é fato que o conceito não faz mais parte da ficção científica e está muito presente na vida de algumas pessoas. Famosos jogos online, como Battle Royale, Juggernaut, Fortnite e mundos virtuais criados por usuários como Minecraft e Roblox, são alguns desses exemplos. Além disso, há projetos, eventos e até mesmo treinamentos para empresas com o uso desta tecnologia.

De acordo com o diretor da divisão Enterprise da NVIDIA para América Latina, Marcio Aguiar, a companhia lançou uma ferramenta denominada Omniverse que facilita a criação e desenvolvimento de mundos virtuais ou metaverso. “Criadores, designers e engenheiros podem conectar as principais ferramentas de design, ativos e projetos para colaborar e interagir em um espaço virtual compartilhado. Os desenvolvedores e fornecedores de software também podem construir facilmente ferramentas na plataforma modular para expandir sua funcionalidade. Entre os setores que podem se beneficiar com a tecnologia, estão o de arquitetura, engenharia, construção, manufatura, mídia e entretenimento e supercomputação”.

Um dos exemplos de utilização desta tecnologia é da montadora BMW, que tem colaborado com a NVIDIA para a criação de uma fábrica do futuro. Com o uso de digital twin, as equipes mundiais podem colaborar em tempo real usando diferentes pacotes de softwares, como o Revit e o Catia. Elas também podem recorrer a clouds para projetar e planejar a fábrica em 3D, e é possível visualizar todas as alterações em tempo real no Omniverse.

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Cada uma das linhas de fábrica da BMW pode produzir até 10 carros diferentes, e a BMW se orgulha de oferecer aos clientes muitas opções. Existem mais de 100 opções para cada carro e mais de 40 modelos BMW. Ao todo, existem 2.100 maneiras possíveis de configurar um novo BMW. Por conta disso, controlar todos os aspectos operacionais da fábrica por meio do Omniverse auxilia a otimizar a linha de produção, a ergonomia e a segurança do trabalhador.

Até onde essa tecnologia pode nos levar

Com grandes marcas lançando novidades a todo momento, o mundo virtual se transforma dia após dia e já dá sinais de ser uma tendência nos próximos anos.

Bill Gates, que dispensa apresentações, declarou que o futuro está no metaverso e, em três anos, todas as reuniões de trabalho acontecerão nessa nova realidade virtual. E não para por aí, uma previsão da Grayscale Investments destaca que o metaverso possui o potencial para gerar negócios de US$ 1 trilhão por ano em diferentes setores. Entre os principais estão o de varejo, entretenimento, esportes e indústria.

Com a mudança de setores, também surgem novas profissões. Pesquisadores, desenvolvedores de ecossistemas e gerente de projetos da tecnologia vão se tornar comuns e necessárias no mundo da tecnologia.

O que não sabemos ainda é se o metaverso seguirá os caminhos da internet: se tornar uma plataforma independente e descentralizada. Enquanto isso, vemos iniciativas individuais de empresas criando seus próprios “universos”, disputando a atenção e tempo de cada usuário.

Vitor Magnani é presidente da Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O) e do Conselho de Economia Digital e Inovação da Fecomercio/SP. Professor da FIA e especialista em Relações Institucionais e Governamentais para ecossistemas inovadores

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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