Mulheres estão por trás das mudanças nos investimentos ESG

Elas são mais propensas a priorizar os impactos ambientais, sociais e de governança ao considerar em quais empresas ou fundos investir.

Haroldo Rodrigues
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Tim Robberts/Getty Images
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Mulheres alinham cada vez mais seus investimentos com seus propósitos

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Um dos efeitos dos turbulentos anos de 2020 e 2021 é que eles transformaram a forma como muitos de nós olhamos para dinheiro e riqueza. A convergência de grandes crises fez com que quase todos reavaliassem o que pensávamos saber em todos os aspectos de nossas vidas: desde a pandemia nos seus níveis socioeconômicos e a crise econômica que causou; até o aumento dramático nos efeitos das mudanças climáticas.

As prioridades mudaram. Permanentemente.

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O mesmo tem acontecido com o investimento. Como resultado, o investimento ESG baseado em valores – voltado para Meio Ambiente, Social e Governança – assumiu o centro do palco e superou outras estratégias de investimento. Anteriormente, considerada uma estratégia de investimento de nicho – “investimento socialmente responsável” ou “investimento sustentável” – o ESG é agora a estrela, e as mulheres são uma parte fundamental dessa relevância.

A Moody’s escreveu em 2021 que “os investimentos com temas ambientais, sociais e de governança (ESG) se tornaram uma das categorias de investimento com melhor desempenho em últimos anos, abrindo caminho para o crescimento contínuo desta estratégia.”

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O relatório do US SIF: The Forum for Sustainable and Responsible Investment apontou que US$ 17,1 trilhões estavam em ativos investidos de forma responsável nos EUA no início de 2020, um aumento de 42% em relação a apenas dois anos antes.

As mulheres são conhecidas há muito tempo por tomar decisões financeiras com base no que é melhor para seus filhos e sua família. Atualmente, também estão cada vez mais alinhando seus investimentos com os seus propósitos, pelo que sentem ser melhor para sua comunidade, seus vizinhos e o planeta.

Quase metade das mulheres americanas são as principais provedoras de suas famílias, um aumento de quase quatro vezes desde 1960. O número de mulheres ricas cresce duas vezes mais rápido que o número de homens ricos à medida que os baby boomers envelhecem e as mulheres continuam a desfrutar de uma vida mais longa do que os homens. De fato, até 2030, as mulheres devem controlar dois terços de toda a riqueza nos EUA.

É importante e necessário entender claramente: dado seu crescente poder financeiro, os valores que as mulheres carregam moldarão como a riqueza está sendo criada, mobilizada e transmitida para a próxima geração. E cada vez mais, os estudos mostram que as mulheres valorizam os princípios por trás do investimento em ESG.

De acordo com a RBC Wealth Management, 2021, as clientes mulheres são quase duas vezes mais propensas do que seus colegas homens a sustentar a relevância – para as empresas em que investem – na integração dos fatores ESG em suas políticas e decisões. São mais propensas a priorizar o impacto ESG ao considerar em quais empresas ou fundos investir, enquanto os clientes do sexo masculino são muito mais propensos a priorizar o desempenho financeiro.

A visão estratégica da mulher só enfatiza que o investimento em ESG proporciona desempenho financeiro e impacto. Além disso, a performance das mulheres nos anos iniciais da década de 2020 ajudará a eliminar a preocupação dos investidores de que investir em ESG significa abrir mão de retornos, o que tem sido uma barreira generalizada ao crescimento de produtos ESG.

É bom que se diga que o investimento ESG incorpora tanto as métricas financeiras tradicionais quanto os fatores ambientais, sociais e de governança.

À guisa de ilustração, os fatores ambientais incluem o uso da matriz energética e água, as emissões de carbono, a reciclagem e a produção de resíduos.

Os fatores sociais incluem como o negócio trata seu pessoal, clientes, fornecedores, comunidade e todas as partes interessadas. Inclui igualdade de remuneração e progressão, bem como gênero, idade e diversidade étnica.

Os fatores de governança levam em consideração os líderes – integridade, competência, experiência e honestidade – além da diversificação do conselho de administração. O compromisso com a transparência é a premissa do negócio.

Embora o reflexo de controlar o que divulgam esteja vivo e bem alinhado com os princípios éticos do negócio, as empresas estão sendo cada vez mais pressionadas e incentivadas a divulgar mais, especialmente os números que não as fazem parecer boas.

A presença e a liderança das mulheres na direção e nas equipes de sustentabilidade corporativa têm acelerado o compartilhamento das informações e dados, priorizando a mitigação dos impactos ambientais negativos, bem como fortalecendo a diversidade corporativa.

Manter a diversidade é o novo coração do negócio. Percebam os benefícios tangíveis da diversidade em uma organização – melhor produtividade, criatividade e inovação, foco no cliente – para citar alguns. O coringa está nesses detalhes, nas notas de rodapé e nas estrelas do ESG, as mulheres.

Haroldo Rodrigues é sócio-fundador da investidora in3 New B Capital S.A. Foi professor titular e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Universidade de Fortaleza e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Ceará.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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