Motor: no país do futebol, investir em automobilismo é um golaço

Com o tema sob os holofotes, Band celebra sucesso comercial e aumento de 25% de audiência aos domingos.

Letícia Datena
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Duda Barrios
Duda Barrios

Bastidores do trabalho da Band com Felipe Massa na pista

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Com a volta do “Show do Esporte” no final de 2020, a TV Bandeirantes precisava de conteúdo esportivo para preencher as dez horas de transmissão da atração dominical. Neste cenário, o automobilismo encontrou um terreno fértil para conquistar um espaço importante na programação da emissora, que volta a ser conhecida como o “canal do esporte”.

Por outro lado, a Stock Car estava passando por um processo de reformulação sob o comando de um novo CEO, Fernando Julianelli, no qual um dos objetivos era voltar a ter um espaço regular em transmissões de televisão aberta. Dessa maneira, a maior categoria do automobilismo nacional, junto com a Copa Truck, que também estava sob o comando da Vicar na época, foram as primeiras competições de automobilismo confirmadas para 2021.

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O próximo anúncio importante para a grade do canal foi o da vinda de um dos mais reconhecidos comentaristas de automobilismo do Brasil, Reginaldo Leme. “Eu fui chamado quando a Band adquiriu os direitos da Stock Car. E estava, ali, iniciando uma nova fase da minha vida. A Band se propôs a ser parceira em tudo o que fizesse, em meus negócios, do meu anuário AutoMotor, este ano completando 30 anos de existência, parceira em meu canal de Youtube, da minha conta de Instagram. Isso significou uma nova realidade, que eu encarei como se estivesse começando de novo a carreira”, comentou o jornalista, que deixou o grupo Globo em 2019.

No entanto, enquanto os preparativos para o início das transmissões estavam sendo feitos, uma nova oportunidade, que viria a ser um divisor de águas mais tarde, surgiu. “O primeiro contato com a Fórmula 1 foi em fevereiro de 2021”, conta Denis Gavazzi, diretor de esportes do Grupo Bandeirantes. A conversa com a principal categoria do automobilismo mundial começou por intermédio de Márcia Sintra, na época conselheira da F1 em negócios com o Brasil, e evoluiu rapidamente de maneira que um acordo fosse concretizado.

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“As negociações demoraram um pouco mais, mas o acordo em si foi fechado em uma semana”, diz Gavazzi. Dessa maneira, a TV Bandeirantes transmitiu todos os treinos e corridas do calendário 2021. “O único treino que não transmitimos foi o que aconteceu no dia da morte da cantora Marília Mendonça”, conta o líder do departamento esportivo, explicando que a urgência do assunto ocasionou a alteração da programação original.

Contudo, com exceção da Fórmula 1, que atrai seguidores do mundo inteiro mesmo que não sejam aficionados por automobilismo, a emissora se deparou com um desafio importante ao longo de 2021: atrair a audiência do grande público para o esporte a motor. “Começamos a mostrar para o telespectador da Bandeirantes essa turma toda que está na Stock Car, os pilotos mais conhecidos pelo público como Rubinho, Massa, Tony Kanaan, Nelsinho Piquet. Além de, claro, aquela turma que já está lá há muito tempo”, explica Denis, ao contar que a estratégia foi utilizada também com outras categorias como o Rali dos Sertões e a Porsche Cup.

Já no caso da Fórmula 1, o caminho foi ampliar a cobertura do evento em televisão aberta. “O nicho da Fórmula 1 é gigante. Então acho que conseguimos trazer, não só pessoal que é apaixonado pela F1, mas também aqueles que haviam parado de assistir a F1”, conclui Gavazzi. Portanto, ao mesmo tempo que o aumento de exposição beneficia a organização do campeonato, também agrada ao público, que há tempos não via um pré e pós corrida tão completos nas transmissões nacionais.

“A Band, de fato, abraçou o esporte a motor”, diz Reginaldo Leme. “Hoje, todos os dias a gente ouve as pessoas dizerem que voltaram a gostar da F1 e da amplitude da nossa cobertura. O amante do automobilismo é uma pessoa exigente em termos de conhecimento e quer ver o antes e o depois de cada corrida. A Band está dando o que o torcedor quer. E o resultado disso é trazer de volta aqueles que tinham deixado de ver com regularidade. E não apenas isso. Ouço as pessoas dizerem também que os filhos, crianças, começaram a se interessar pelo automobilismo”, completa.

Sob a perspectiva da Stock Car, Fernando Julianelli afirma que, ao contrário do que se pode imaginar, estar na mesma grade de programação da F1 traz muitos benefícios. “A audiência está acostumada a ir para aquele endereço para consumir corridas, então a gente vê com bons olhos”, analisa o CEO.

Do ponto de vista comercial, investir em automobilismo foi definitivamente um acerto da Band. “As audiências de domingo subiram na casa dos 25% e, hoje, a receita vinda da plataforma do automobilismo dentro da receita total de esporte é quase que 50%”, conta Cris Moreira, diretor geral de comercialização no Grupo Bandeirantes. A resposta positiva do mercado mostra que o esporte a motor veio para ficar por muito tempo na grade da Band, tanto pelas transmissões de campeonatos importantes, como através de programas mais voltados para o entretenimento, como o Acelerados, comandado por Rubens Barrichello e o Automais, programa exibido aos domingos no BandSports.

Letícia Datena é jornalista de esportes há oito anos, e atua no setor do automobilismo desde 2016. Já foi correspondente internacional dos canais Fox Sports e cobriu alguns dos campeonatos mais importantes do mundo, como o Rally Dakar, Rally dos Sertões, o WRC (World Rally Championship), Fórmula E e hoje é uma das responsáveis pelo departamento de criação de conteúdo da Stock Car.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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