Como o blended finance impacta os ODS e se integra com o ESG

Cinco aspectos podem ajudar a operacionalizar e usar o financiamento híbrido para gerar impacto, segundo a OCDE.

Haroldo Rodrigues
Compartilhe esta publicação:
shomos uddin/Getty Images
shomos uddin/Getty Images

Blended finance tem no seu DNA a peculiaridade de se tratar de uma finança sustentável

Acessibilidade


Há uma lacuna de financiamento para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU até 2030, estimada em mais de US$ 2,5 trilhões por ano. Aumentar o investimento do setor privado em países em desenvolvimento, como o Brasil, por exemplo, é essencial e estratégico para aterrar esta lacuna de financiamento. O uso de fundos públicos e filantrópicos para mobilizar investimentos privados é uma forma eficaz de atrair recursos financeiros que de outra forma não seriam canalizados para os países em desenvolvimento.

A mistura de capital ou capital híbrido (ou blended finance) é a tendência. No entanto, questões sobre adicionalidade, subsídio mínimo ou lavagem de impacto surgem rapidamente para os profissionais. Os princípios do blended finance – elaborados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) – fornecem orientação a esse respeito, por exemplo, que a combinação é limitada no tempo e evita distorções de mercado.

LEIA TAMBÉM: Investimento de impacto é crucial na economia circular da América Latina e do Caribe

Ainda, de acordo com a OCDE, cinco aspectos podem ajudar a operacionalizar e usar o financiamento híbrido para gerar impacto:

  1. Assistência técnica e financiamento em estágio inicial para apoiar ideias inovadoras;
  2. Chamadas competitivas para aumentar a relação custo-benefício;
  3. Fundos catalíticos agrupados para obter melhores acordos financeiros combinados e alcançar escala;
  4. Relatórios de impacto de qualidade para mostrar a diferença dos instrumentos de operação;
  5. Apoiar relatórios de mercado para fornecer transparência e benchmarking como um bem público.

Blended finance tem no seu DNA a peculiaridade de se tratar de uma finança sustentável. Mas o que é finança sustentável? O financiamento sustentável refere-se à integração de critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) nos serviços financeiros. Uma abordagem que vai além do foco tradicional em lucros e perdas para considerar questões como as empresas respondem à crise climática e como tratam funcionários, clientes e acionistas, entre outros.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

Cada vez mais, os investidores utilizam essa estratégia para avaliar riscos financeiros, identificar oportunidades e expressar seus valores.

E, por que as finanças sustentáveis são importantes? As investidoras de serviços financeiros desempenham um papel fundamental na transição para uma economia e uma sociedade sustentáveis. O financiamento sustentável desbloqueia o investimento para atividades econômicas e projetos que proporcionam melhores resultados para as pessoas e o planeta. Dessa forma, tem um papel fundamental a desempenhar no financiamento dos ODS.

A integração de fatores ODS e ESG nas decisões de investimento também pode ajudar a identificar riscos e oportunidades que a análise tradicional pode não revelar. Isso pode garantir investimentos à prova de futuro e, em alguns casos, aumentar os retornos.

E, finalmente, o que é o financiamento alinhado aos ODS? O investimento em ESG se concentra nas boas práticas e condutas operacionais: a empresa produz bens de maneira ambientalmente responsável? Está tratando bem seus trabalhadores? Envolve-se positivamente com a comunidade?

As finanças alinhadas aos ODS estão mais preocupadas com o propósito: quais produtos são produzidos e para quem? Eles ajudam ou prejudicam a sociedade? Eles consideram vários benefícios positivos, entre os resultados sociais, ambientais e relacionados à governança? Há uma consciência crescente da importância dos ODS como uma estrutura para finanças sustentáveis.

Muitos já divulgam informações sobre seu desempenho nos ODS juntamente com seus relatórios ESG. O que se percebe agora é que investidores tradicionais também estão se comprometendo com essa estratégia, reconhecendo seu potencial para abrir oportunidades e enfrentar desafios globais.

Haroldo Rodrigues é sócio-fundador da investidora in3 New B Capital S.A. Foi professor titular e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Universidade de Fortaleza e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Ceará.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Compartilhe esta publicação: