Aplicativos de paquera se adaptam à era do distanciamento social

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Didier Rappaport, CEO e fundador do happn: “As pessoas estão redescobrindo valores importantes”

Os aplicativos e sites de relacionamento estão passando por uma transformação no uso de suas plataformas à medida em que usuários tentam se adaptar às novas realidades impostas pela pandemia do coronavírus.

Um recente estudo publicado por um dos principais players do setor, o Dating.com, recurso de paquera do Facebook, mostra mudanças de comportamento nas atuais circunstâncias em cinco países. Nos Estados Unidos estão os usuários mais ativos quando o assunto é buscar o amor na quarentena, seguidos de perto pela Índia, Irlanda, Reino Unido e Espanha. Segundo o estudo, houve um aumento de 82% no uso destes sites desde o início de março, quando medidas de distanciamento social entraram em vigor em diversos países.

Ainda de acordo com o levantamento, usuários norte-americanos são os que mais dão “match”, com seis ou mais conversas acontecendo ao mesmo tempo. No Reino Unido estão os usuários que mais utilizam a plataforma durante o dia e ficam logados por mais tempo. Os usuários espanhóis são os que estão mais abertos a usar recursos de vídeo e conversas na Índia e Irlanda duram mais tempo: de 19 a 25 dias até que os usuários decidam se falar fora da plataforma.

Uma das maiores plataformas globais de paquera do mundo, o Tinder, tem apostado em recursos como a possibilidade de manter contato com pessoas de outros países como forma de espantar a solidão, chamada de “Passaporte”. As conversas internacionais, um recurso até então pago do aplicativo e agora oferecido de graça, aumentaram 15% em média no Brasil na última semana de março.

O comportamento por aqui segue tendências globais na base de usuários do aplicativo em países que estão aplicando medidas de distanciamento social: na Alemanha, o aumento no uso do recurso foi de 19%, na França, 20%, e na Índia, 25%. Além disso, houve mais swipes (o famoso arrastar para lá e pra cá) no domingo, 29 de março, do que em qualquer dia da história do Tinder (que já soma mais de 3 bilhões de swipes).

“Esperamos que nossos usuários, muitos dos quais estão ansiosos e procurando conexões mais humanas, possam usar o ‘Passaporte’ para se transportar da autoquarentena para qualquer lugar do mundo”, diz Elie Seidman, CEO do Tinder.

O isolamento também tem causado mudanças em como as pessoas se comunicam no aplicativo. Segundo o Tinder, as conversas diárias ao redor do mundo aumentaram, em média, 20%, e a duração dessas conversas já está 25% mais longa do que antes da pandemia. No Brasil, o índice é exatamente o inverso: 25% de aumento no volume e 20% no tempo.

Outro app de paquera, o happn – que registrou 18% de aumento no número de mensagens trocadas no Brasil durante a crise do novo coronavírus –, fez um levantamento com 430 usuários brasileiros e descobriu que, apesar de 35% deles preferirem os encontros presenciais, 56% acreditam que a situação permitiu conversar por mais tempo no aplicativo e, consequentemente, conhecer melhor o seu “crush”.

A impossibilidade de encontros de corpo presente é vista por 68% dos participantes da pesquisa como uma possibilidade de aumentar o vínculo afetivo entre as pessoas. Para 75% dos usuários que participaram do levantamento, a razão disso é a chance de se aprofundar nos assuntos, mesmo que virtualmente.

“Ainda é muito cedo para avaliar se haverá uma mudança de comportamento no mundo pós-pandemia. Mas, neste momento, o que podemos notar é que as pessoas estão redescobrindo valores importantes. Os relacionamentos, mesmo à distância, estão se tornando mais valorizados, as conversas se tornaram mais profundas e isso fortalece o vínculo entre nossos usuários”, diz Didier Rappaport, CEO e fundador do happn. “Além disso, o ritmo do mundo diminuiu, o que permite ter mais tempo para conhecer melhor, preocupar-se mais com os outros e se reconcentrar naquilo realmente importa: as pessoas.”

Entre as medidas adotadas pelo happn em apoio às medidas de distanciamento para a contenção do coronavírus, está uma campanha que sugere formas de paquerar à distância, como preparação de receitas ao mesmo tempo.

Além disso, o aplicativo, que localiza as pessoas mais próximas do usuário, estendeu o raio de encontros de 250 metros para 90 quilômetros, para atender usuários de regiões menos populosas, que estavam tendo um menor número de cruzamento de perfis.

“O romance está em nosso DNA, então esperamos que este momento, apesar de todos os seus desafios, atue como um lembrete do que realmente importa e por que as conexões e o amor são tão importantes em nossas vidas. Obviamente, esperamos que esses novos hábitos sejam levados à vida real após o confinamento. Valorizamos a importância do vínculo afetivo e permitir a criação de novas conexões é o nosso maior objetivo”, completa Rappaport.

Segundo Andrea Iorio, ex-country manager do Tinder no Brasil e especialista em transformação digital, a atual crise seria positiva para o segmento de aplicativos de paquera. “No atual contexto de isolamento social, pessoas solteiras buscarão ainda mais os aplicativos de relacionamento, que se tornam um meio importante de aliviar os medos e a ansiedade das pessoas em um período como esse”, aponta.

Não é a primeira vez que plataformas de relacionamento experimentam um boom como consequência de um momento difícil: Iorio lembra que o Match.com, um dos precursores do segmento, teve sua melhor performance durante a recessão de 2008. Segundo ele, fatores como mais tempo em casa e falta de dinheiro para sair e conhecer alguém impulsionaram o crescimento.

Em um cenário em que nem mesmo é possível sair, o executivo acredita que usuários buscarão conforto e conexão. Ele aponta que o maior tempo de conversa é um dos fatores que corroboram a emergência do “slow dating”, onde a importância das relações emocionais é priorizada em relação aos encontros físicos.

“Não sabemos o quanto tempo essa situação vai durar, mas se duas pessoas gostarem mesmo do papo, elas podem esperar dias, semanas ou até meses, mas eventualmente elas vão se encontrar”, aponta. “É claro, existe o desafio da impossibilidade imediata do encontro, mas sou muito otimista sobre as oportunidades para estes aplicativos, assim como o papel positivo que desempenham na sociedade, em aproximar pessoas em um momento de crise como esse.”

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 Rachel Weill/Getty Images

Estudantes estão insatisfeitos com ensino à distância

Quase todas as faculdades e universidades do mundo tiveram que adotar o ensino à distância como alternativa às aulas presenciais. Mas a experiência online não corresponde à expectativa dos estudantes. Em um estudo com 1.287 estudantes de 45 faculdades e universidades dos Estados Unidos, a edtech norte-americana OneClass questionou sobre a experiência de e-learning fornecida desde que as instituições tiveram que suspender as aulas presenciais – e 75,5% dos alunos responderam que não estão satisfeitos com a alternativa digital.

No Brasil, a mudança para o meio digital atrapalha tanto estudantes quanto instituições. Alunos estão pedindo descontos nas mensalidades, já que estão tendo que estudar em um formato diferente do que tinham contratado, segundo um estudo da Quero Educação. A companhia ressalta que o custo dos cursos de graduação presencial é, em média, duas vezes superior ao valor dos cursos ministrados online.

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Rock Content reduz quadro

A startup mineira de marketing de conteúdo Rock Content reduziu 20% de seu quadro de funcionários ontem (6) por conta do impacto da crise do coronavírus, particularmente entre as pequenas e médias empresas (PMEs) clientes da empresa.

Antes da pandemia, a Rock estava focada na integração com a norte-americana ScribbleLive, que foi comprada pela empresa brasileira em dezembro e adicionou cerca de 100 funcionários ao quadro da Rock, que na época já tinha 400 colaboradores. No primeiro trimestre de 2020, a empresa havia contratado mais 76 novos funcionários.

Segundo o cofundador e CEO da Rock, Diego Gomes, a empresa estava otimista para 2020, mas os efeitos da Covid-19 no segmento de PMEs foram mais severos do que o esperado. A empresa anunciou uma série de medidas para apoiar os funcionários. Leia mais aqui.

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Reprodução

L’Oreal cria plataforma para ajudar salões de beleza

Para minimizar os impactos econômicos e manter os negócios do mercado da beleza profissional em funcionamento durante a crise provocada pela Covid-19, a L’Oréal, a Trinks, aplicativo de divulgação, agendamento e pagamento de estabelecimentos do setor, e a fintech Stone se uniram na criação da plataforma Beleza Amiga #Juntospelosalão.

Nela, qualquer pessoa pode comprar vouchers de R$ 50 que serão abatidos do valor final de serviços prestados por salões de beleza cadastrados quando eles reabrirem, com validade até 31 de dezembro de 2020. A expectativa é cadastrar cerca de 2.500 estabelecimentos. Os consumidores que participarem ainda terão direito a um cupom de desconto de igual valor na compra de produtos das marcas L’Oréal Professionnel, Kérastase e Redken, que poderá ser usado até 30 de junho.

“Os salões de beleza são o centro do nosso negócio”, diz o diretor da L’Oréal Produtos Profissionais, Tiago Carvalho. “Esta ação vai apoiar o mercado profissional neste momento desafiador e ajudar na sua plena recuperação.”

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Pesquisa revela como ficam as campanhas com influencers em tempos de pandemia

A consultoria YouPix e a agência full service Brunch, ambas especializadas em influência e entretenimento digital, realizaram juntas uma pesquisa sobre as ações que as marcas estão fazendo em tempos de pandemia.

No total, 164 empresas, dos mais variados setores, participaram do levantamento. Segundo seus relatos, 70,3% cancelaram ou adiaram campanhas já programadas com influenciadores digitais. Este é um comportamento comum para qualquer momento de crise, já que muitas delas precisam reajustar suas estratégias, e necessário para poder voltar com foco e plano redesenhado.

“Parar para se reestruturar é essencial em qualquer negócio e as próximas semanas devem voltar com novas estratégias de comunicação, em especial com criadores de conteúdo e influenciadores”, diz o documento.

A pesquisa também indicou que 78,5% dos participantes não realocaram a verba programada, o que significa que eles devem manter o investimento em marketing de influência. Apenas 21,5% relataram realocação de recursos, principalmente em social Ads, Google Ads e remarketing.

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Getty Images

MAIS

– Milhares de pessoas já foram atendidas pelo projeto de cestas digitais “Corona no Paredão, Fome Não”, liderado pela ONG Gerando Falcões. Mais de R$ 8 milhões já foram arrecadados para a iniciativa, que opera com uma base de dados de famílias carentes coletada pela entidade, cujo foco é o desenvolvimento de favelas no Brasil. Segundo o fundador e CEO da organização e colunista da FORBES, Edu Lyra, a iniciativa, que tem como centro a distribuição de um cartão abastecido com o valor de R$ 100, busca contemplar mais de 150 mil pessoas em cerca de 70 favelas do país nos próximos três meses;

– O envio de flores através de plataformas de e-commerce especializadas aumentou durante o isolamento social. Segundo a Flores Online, um dos maiores representantes do segmento, os arranjos de flores tem ganho espaço durante a pandemia, já que as pessoas não podem se unir para celebrar datas que comemorariam presencialmente. Durante o período de de 30 de março a 5 de abril, a empresa teve um aumento de receita de 80,24%. O site processou 2.870 pedidos durante estes dias – no mesmo período do ano passado haviam sido 1.829. Além disso, consumidores estão gastando mais: no mesmo período de 2019 o gasto médio do consumidor no site era de R$ 154,46, neste ano, com a quarentena, subiu para R$ 177,42;

– A Kurier, startup focada em tecnologia e inteligência jurídica, foi comprada pela Vela Software, empresa do conglomerado de tecnologia canadense Constellation Software. Segundo a empresa canadense, a compra faz parte de uma estratégia de consolidação do mercado de lawtech no Brasil, iniciada em 2019 com a aquisição da Aurum, responsável pelo desenvolvimento dos softwares jurídicos Themis e Astrea, líderes em seus segmentos de atuação;

– A Gupy, startup de recrutamento e seleção por meio de inteligência artificial, junto com a IDTech, Jobecam e Acesso Digital, lançou o movimento “Contratando pela Saúde”, para agilizar a contratação de profissionais como médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas e técnicos em enfermagem. Por meio da plataforma, hospitais podem se inscrever e solicitar o atendimento da startup, gratuitamente, que vai ajudar a desenhar todo o processo de seleção – da abertura da vaga até o manuseio e gerenciamento da ferramenta. Todos os pedidos vão passar por uma triagem, com prioridade para as unidades com maior demanda.

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