Sob o comando de Cassio Pantaleoni, SAS foca em parcerias e nos talentos internos

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Cassio Pantaleoni, country manager do SAS: filosofia e psicologia em favor da gestão

Em meados de março, pouco antes de nos darmos conta de quão grave seria a pandemia de coronavírus no mundo e da decretação das medidas de isolamento, o SAS, especializado em soluções de analytics, divulgou os resultados de 2019 no Brasil e as expectativas para 2020.

Na sede da companhia, que está no Brasil desde 1996, o country manager Cassio Pantaleoni revelou um crescimento de 24% na receita total operacional sobre 2018. Segundo ele, o resultado é reflexo do bom desempenho na venda de soluções de fraude, risco, customer intelligence e serviços profissionais, entre outras, especialmente para bancos, seguradoras, operadoras de telecomunicações e governo. Desse total, as novas receitas tiveram crescimento de 20% em relação ao ano anterior, enquanto as renovações avançaram 29% no mesmo período.

Outra constatação é que o Brasil foi o principal mercado do SAS na América Latina, com 34% de participação na receita operacional da região. “A maturidade do mercado brasileiro, especialmente nas nossas verticais estratégicas – bancos, operadoras e seguradoras -, somada à capacitação do nosso time técnico local e à excelência das soluções, confere à operação brasileira as condições ideais para atingir os excelentes resultados que tivemos no ano passado”, disse Pantaleoni.

O executivo explica que um dos fatores que contribuíram para o resultado foi o investimento nos parceiros. Do total de novas receitas de 2019, 38% foram obtidas graças aos canais de distribuição. “Nós investimos fortemente neles ao longo dos últimos três anos para que tivessem não apenas conhecimento, mas recursos humanos para desenvolver os projetos e conquistar essa representatividade.” A expectativa é que, ao longo deste ano, essa contribuição seja ainda maior, beirando os 45%.

Pantaleoni revelou que, para 2020, o principal foco da companhia será na experiência dos clientes, principalmente no que diz respeito à entrega de valor e geração de resultados de negócios. “Entender suas necessidades, oferecendo soluções customizadas e em níveis estratégicos, é uma das nossas prioridades, e isso deve ser intensificado ao longo deste ano.”

Para isso, o SAS se baseia em três pilares: sólida fundação tecnológica, com plataformas robustas e preparadas para as necessidades atuais; um time altamente capacitado; e alinhamento às principais tendências do mercado. Nesse sentido, uma das novidades é a criação de uma equipe dedicada à transformação digital e inovação, cuja missão será apoiar os clientes no desenvolvimento de estratégias de digital transformation, desde a ideia até a execução, usando novas tecnologias de analytics. “Transformar os negócios digitalmente é um desafio de todo CEO atualmente, e a exploração dos dados e transformação em insights de negócios são partes fundamentais dessa mudança.”

Outro movimento está ligado à oferta de serviços, não apenas no que tange ao modelo “as a service”, mas também à criação de um catálogo capaz de atender às necessidades dos clientes, independentemente do momento em que eles estejam na jornada de adoção de analytics. “Nosso trabalho é garantir que os líderes tenham condições de tomar decisões consistentes em tempo real, baseadas em dados confiáveis e modelos adequados aos seus negócios.”

RECURSOS HUMANOS

Formado em filosofia e entusiasta da psicologia, Pantaleoni dedica atenção especial aos colaboradores. “Eu costumo dizer que a filosofia é a arte de fazer as perguntas que ninguém quer fazer de uma forma estruturada. Dissecar algo que chega para você para saber se aquilo é coerente. Eu acho que acabo executando esse processo investigativo cada vez que um problema se apresenta para definir que decisão tomar”, conta.

O executivo diz que aprendeu que há maneiras diferentes de lidar com os questionamentos. Muitas vezes, as pessoas estão mais interessadas em saber por que algo aconteceu ou quem foi o responsável, quando o mais importante seria entender como aquele determinado evento se deu. “Eu acho que isso me ajuda muito no dia a dia.”

Durante o ano passado, uma pesquisa foi realizada para entender como os colaboradores do SAS enxergavam as diversas iniciativas ligadas a pessoas conduzidos pela companhia. “Descobrimos aí uma oportunidade: entregar o programa de diversidade aos colaboradores em vez de deixá-lo na mão apenas do departamento de recursos humanos e das lideranças. Por isso, estamos criando comitês para que eles nos digam o que esperam de nós nesse quesito e como melhorar a nossa abordagem interna. A ideia é conduzir as ações a partir das perspectivas deles e não apenas das nossas.”

Outra ideia do country manager que já está em operação em território brasileiro representa uma mudança em termos gerenciais. Para isso, foi definido um programa que permeia a hierarquia pela empresa estruturado em squads formados por colaboradores de diversas funções, idades e formações. Essas equipes passam, então, a resolver determinados problemas no lugar da diretoria. “Estamos descobrindo que existem conhecimentos escondidos na organização.” Um desses squads, voltado à experiência do cliente, não só conseguiu reverter uma má impressão como ainda fechou uma venda de US$ 1 milhão com o cliente “insatisfeito”. “A ideia é que o engajamento vá muito além da venda e atenda todas as esferas de relacionamento. Outro dia descobrimos um profissional da área de recursos humanos que é expert em um determinado setor industrial.”

Também comandado pessoalmente pelo executivo, o Talent Experience, programa global do SAS, também está sofrendo customizações por aqui. A primeira delas está relacionada a profissionais em início de carreira, que em território brasileiro terão a chance de job rotation, ou seja, de passar por diversas áreas da companhia, mas sempre com foco em elementos relacionados a analytics. Além disso, o programa vai ganhar novidades, como uma dinâmica de gamification para estimular o conhecimento da força de trabalho sobre as ofertas da empresa e o consequente desenvolvimento ao longo de um ano inteiro. Para finalizar, está previsto a identificação, no mercado, de determinados perfis profissionais que terão a chance de morar durante um período nos Estados Unidos, fazer um treinamento na matriz e, ao fim do ciclo, ser contratado pela unidade brasileira.

CORONAVÍRUS

Assim como em todas as empresas, a pandemia também obrigou o SAS a rever suas iniciativas de marketing e eventos – estes últimos passaram a ser realizados à distância, sem deslocamentos físicos. “Não há como evitar a revisão de metas”, acredita Pantaleoni. “Mas, diante do desconhecido, a melhor coisa a fazer é se apoiar em dados analíticos. É isso que estamos tentando fazer”, diz o executivo que projetava, inicialmente, 10% de crescimento em 2020 no Brasil. As novas métricas ainda não foram definidas.

Para Alexandre Sapia, diretor executivo de soluções e serviços para a América Latina, o momento gera oportunidades que podem passar, inclusive, pelo redirecionamento estratégico. “Se o cenário é de contenção, podemos ajudar nossos clientes a serem mais eficientes. Se em determinados setores – como o de telecom – o panorama aponta para aumento de cancelamentos, podemos ajudar as empresas a recuperarem parte de suas perdas com ações fiscais, por exemplo. A ideia é justamente colaborar para que as empresas passem por isso preservando parte da rentabilidade de seus negócios.”

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Startup gaúcha disponibiliza robô para triagem de pacientes

Não são poucos os exemplos de empresas de tecnologia e inovação que estão colocando seu know how à disposição da luta contra a Covid-19. A mais nova integrante dessa força-tarefa é a Zenvia, proprietária de uma plataforma de comunicação que agrega soluções em SMS, voz, e-mail e aplicativos de mensagens para diferentes canais.

Diante da realidade da pandemia – cuja proporção é impossível de ser contida pela estrutura dos atuais sistemas de saúde em qualquer lugar do mundo –, Cassio Bobsin, fundador e CEO da companhia, percebeu que poderia fazer da sua tecnologia um instrumento de impacto social.

Para isso, o executivo criou um grupo de trabalho com a participação de especialistas em telemedicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em seguida, obteve acesso, por meio do Ministério da Saúde, ao cadastro nacional de unidades básicas de saúde e pronto-atendimentos – mais de 50 mil estabelecimentos. Depois, desenvolveu um protocolo específico para a Covid-19 e, na sequência, criou um sistema de triagem automatizada, que agora está sendo oferecido gratuitamente para qualquer entidade de saúde do país que tenha interesse, em parceria com a plataforma de análise de big data Neoway.

“O objetivo é que, antes de procurar o serviço de atendimento, a pessoa possa fazer uma triagem, evitando a sobrecarga das unidades de saúde e a consequente exposição à contaminação”, explica Bobsin. Até agora, 32 prefeituras, responsáveis por 3,2 milhões de habitantes, já estão usando a solução, entre elas, Capivari (SP), Cáceres (MT), Porto Alegre e Caxias do Sul (RS), Santa Fé (PR) e Itajaí (SC). Em menos de três dias, mais de 43 mil atendimentos foram registrados.

Na prática, um robô analisa, por meio de seis perguntas sobre sintomas, perfil e doenças preexistentes, se a pessoa precisa se dirigir a uma unidade de saúde ou se a melhor conduta é permanecer em casa. Caso o mais indicado seja a ajuda médica, o sistema fornece os endereços mais próximos dos serviços de atenção primária. Bobsin explica que, com o aumento do uso e o abastecimento de informações, a tecnologia logo será capaz de indicar até os locais com, por exemplo, maior disponibilidade de atendimento.

Além de ajudar no atendimento à população, a tecnologia da Zenvia fornece um painel para o município com as informações dos respondentes (que participam anonimamente da triagem). Graças a ele, é possível acompanhar, bairro a bairro, o comportamento dos cidadãos, identificando casos suspeitos e antecipando tendências, como possível aumento de ocorrências.

Acostumado a lidar com bilhões de operações por mês, Bobsin, que deslocou uma dezena de profissionais totalmente dedicados ao projeto, diz que escala não é problema. “Estamos à disposição de qualquer cidade que queira implementar a solução, e ela vai funcionar até quando for necessário”, diz. A solicitação da ferramenta deve ser feita pelo e-mail [email protected]

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Dados como arma no combate ao coronavírus nas comunidades

Pesquisadores brasileiros da área de dinâmica de sistemas desenvolveram um simulador para analisar o impacto de diferentes medidas na disponibilidade hospitalar e no número de vidas salvas em populações de baixa renda das favelas brasileiras, no contexto da pandemia do novo coronavírus.

A necessidade surgiu do movimento Favelas contra o Coronavírus, uma iniciativa de coletivos de comunicação comunitária. A ação, atrelada ao empreendedorismo social, é voluntária, orgânica e orientada por uma equipe multidisciplinar, que realizou desde o levantamento de dados até a modelagem e a construção do simulador.

Segundo Ellen Aquino, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade (PPGCTS) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o intuito da ferramenta é disseminar informações para dialogar com o poder público e contribuir com o debate sobre a disseminação e possíveis formas de enfrentamento da Covid-19 no país.

“Em tempos desafiadores como o que vivemos, sabemos que pessoas de baixa renda que estão organizadas em comunidades ou favelas enfrentam uma maior volatilidade na renda, o que diminui a adoção de medidas preventivas à Covid-19 justamente por falta de recursos. Além disso, o acesso dessas pessoas aos serviços de saúde tende a ser menor do que a média”, diz.

Segundo a pesquisadora, esses fatos enfatizam que é preciso levar em conta os modelos matemáticos e de simulação, elementos específicos da população de baixa renda. O simulador foi modelado com foco específico em sete dimensões: remoção temporária de moradores de favela para espaços públicos; remoção temporária de moradores de favela para hotelaria; subsídio a insumos de higiene; renda básica para compra de produtos de higiene; estruturas emergenciais de saneamento; expansão da disponibilidade de UTI; e uso de máscaras de proteção facial.

“Por meio dessas dimensões, o usuário pode simular a quantidade de vidas que poderiam ser salvas e de leitos de UTI disponíveis – em cenários otimista e pessimista -, de acordo com os conjuntos de estratégias que podem ser adotadas, em maior ou menor grau”, explica Ellen, parte da equipe coordenada por Igor Oliveira que conta, ainda, com Vinícius Picanço Rodrigues, mestre e graduado em Engenharia de Produção, e atualmente professor de operações do Insper.

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Empresas investigam força de trabalho para sintomas da Covid-19

Multinacionais dos setores de tecnologia, energia e alimentos, assim como bancos presentes no Brasil, têm usado uma plataforma que permite monitorar a manifestação de sintomas da Covid-19 em suas forças de trabalho. Desenvolvida pela startup brasileira de gestão de cadeia de suprimentos Nimbi em parceria com a desenvolvedora portuguesa Do iT Lean, a ferramenta já teve a adesão de 72 organizações no país e permite que colaboradores registrem diariamente o surgimento de sintomas relacionados à Covid-19, como febre e tosse. O sistema retorna com relatórios diários com o estado de saúde da equipe, com insights adicionais como a geolocalização dos colaboradores.

Segundo a Nimbi, a plataforma móvel tem sido oferecida como uma “boa prática”, cujo objetivo é apoiar as necessidades de funcionários no atual momento de instabilidade, e não como política de RH. A orientação é que as pessoas reportem como se sentem duas vezes ao dia, mas o preenchimento das informações não é compulsório. Não há uma preocupação sobre o compartilhamento destas informações pessoais, ou mesmo o medo de retaliação da parte de empregadores, segundo a empresa: “O feedback das empresas é que colaboradores tem recebido bem [esse monitoramento] e se sentem assistidos pelos seus empregadores”, diz Felipe Almeida, CEO da Nimbi. Segundo ele, a adesão de colaboradores em empresas que usam a plataforma tem estado acima dos 50%.

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MAIS

– A MarketUP, plataforma de gestão para pequenos negócios, lançou o movimento “Compre do Pequeno Negócio”, que tem como objetivo promover um canal de vendas no qual o consumidor consegue identificar e encontrar os produtos de sua necessidade e que estão localizados em estabelecimentos de bairros ou nas proximidades. Basta digitar o nome do item e o CEP da residência. Para fazer parte da plataforma é preciso ter uma conta no sistema, cadastrar os produtos e mantê-los atualizados. Além de realizar vendas, por telefone, também é possível criar uma loja virtual totalmente gratuita no software de gestão, bem como utilizar o recurso delivery para auxiliar nas entregas;

– O trabalho fora do escritório é visto como benefício para funcionários e é percebido como um fator-chave nos resultados positivos de empresas. Essa é uma das conclusões de um estudo da consultoria de carreira Mercer, realizado com 609 empresas brasileiras sobre trabalho remoto, em que 88% aprovam a adoção das medidas em meio à pandemia. Dentre os participantes no estudo, 78% oferecem algum tipo de política para permitir esta modalidade de trabalho. Por outro lado, 15% oferecem esta possibilidade somente por conta do distanciamento social imposto pela Covid-19. Problemas com infraestrutura na implementação da política foram relatados por 22% dos participantes.

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