iFood lança assinatura para entregadores que contempla bicicletas elétricas e ponto de apoio

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Roberto Gandolfo, vice-presidente de logística do iFood: rodadas de pesquisa com entregadores que usam bicicletas

A plataforma de entregas iFood está lançando hoje (1), em São Paulo, o Pedal iFood, um projeto-piloto que pretende melhorar a vida dos entregadores que usam a bicicleta como meio de geração de renda. Em parceria com a Tembici, startup de microbilidade com atuação na América Latina, a empresa vai oferecer, por meio de planos de assinaturas, acesso a bicicletas elétricas, ponto de apoio para descanso e o Pedal Responsa, treinamento online desenvolvido pelo Instituto Aromeiazero.

“O iFood e a Tembici estão trabalhando neste projeto há mais de um ano. Nosso anúncio de hoje diz respeito ao lançamento da primeira fase do projeto-piloto, que tem o objetivo de melhorar as necessidades dos entregadores que usam a bicicleta para o delivery de alimentos. É o primeiro projeto voltado para esse público e inclui três pilares importantes: bicicletas elétricas exclusivas, a parada de descanso na rua Fradique Coutinho, em Pinheiros, um dos bairros com maior demanda de entregas na capital paulista, e um braço de segurança e conscientização viária”, conta Roberto Gandolfo, vice-presidente de logística do iFood.

O executivo conta que a empresa conduziu várias rodadas de pesquisa com entregadores que usam bicicletas e que a iniciativa tem caráter experimental para, em alguns meses de operação, conseguir monitorar diversos fatores e, assim, entender a aderência e o impacto no dia a dia dos colaboradores. “Os primeiros 60 dias serão muito importantes para identificar as necessidades de ajuste”, diz.

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Na prática, os entregadores terão acesso a dois planos de assinatura, a R$ 9,90 por semana. O primeiro inclui o uso das bicicletas mecânicas da Bike Sampa (via app do Itaú), com até duas retiradas por dia nas estações do serviço e viagens de até quatro horas. Se esse tempo for ultrapassado, há uma cobrança de R$ 5 para cada hora adicional.

Já no segundo plano, os entregadores podem optar, por uma diária adicional de R$ 2, às bicicletas elétricas e ao iFood Pedal Support Point, equipado com banheiros, água e pontos de recarga de celulares, além das medidas de higiene recomendadas, como totens de álcool gel e reforço constante da necessidade do distanciamento social. São duas viagens de até quatro horas, respeitando o intervalo de quatro horas entre elas. Se esse tempo for ultrapassado, haverá cobrança de R$ 5 para cada hora extra.

Os interessados devem acessar a área do iFood Pedal no aplicativo iFood para Distribuidores. Após realizar o cadastro, seleção e pagamento do plano, o entregador está apto a usar os serviços. A princípio, o plano só poderá ser adquirido com cartão de crédito, mas, em breve, outras formas de pagamento serão incluídas. “Nos primeiros meses de testes, os colaboradores participarão com feedbacks para tornar a experiência ainda melhor. A ideia é, gradativamente, expandir o projeto, que foi desenvolvido com o objetivo de contribuir com o ciclismo da cidade e valorizar o trabalho dos entregadores que usam o app”, diz Gandolfo.

EXCLUSIVO: Pandemia acelera área de atendimento a empresas do iFood

Segundo ele, até o fim de 2020 a intenção é aumentar a capacidade de atendimento do projeto. Nos próximos meses, são esperadas até 500 bicicletas elétricas em circulação por São Paulo. O potencial do piloto é até 1 mil. “Todas as próximas decisões serão tomadas com base nos aprendizados desse período.”

CONDIÇÕES DE TRABALHO

A medida chega num momento em que o país discute as condições de trabalho dos profissionais que atuam nas plataformas de entrega e de transporte. Na última semana, o governo do Distrito Federal sancionou uma lei que obrigada essas empresas a oferecerem centros – com vestiários, sanitários, sala de apoio, espaço de refeição, pontos de acesso à internet e recarga de celular – para entregadores e motoristas nas 33 regiões administrativas.

Um executivo do mercado, que não quis se identificar, diz que a medida pode representar um investimento, só no DF, de R$ 800 mil por ano para essas empresas. Em São Paulo, já existe uma lei que segue nessa direção e que, nos próximos dias, vai definir a data de entrada em vigor da obrigatoriedade dos pontos de apoio.

Para Daniel Guth, diretor executivo da Aliança Bike, associação que tem como missão fortalecer a economia da bicicleta e o seu uso pelos brasileiros, melhorar as condições dos entregadores e motoristas deveria ser uma questão humanitária. Um levantamento feito no ano passado em São Paulo pela entidade revelou que o perfil dos ciclistas que trabalham por aplicativo é formado por homens negros entre 18 e 22 anos de idade e com ensino médio completo, que estavam desempregados. Se trabalharem de nove a 10 horas todos os dias da semana, no final do mês o rendimento médio será de R$ 936.

“O problema atual é que esses profissionais trabalham muito nos horários de pico, em regiões de alta concentração de pedidos, e passam grandes intervalos de tempo parados. Se a solução proposta pelo iFood – com a ajuda dos algoritmos usados pela plataforma –, representar ganho de produtividade, ou seja, mais entregas nas mesmas horas trabalhadas, ela certamente influenciará positivamente do ponto de vista financeiro e de condições de trabalho. Caso contrário, será mais uma despesa para os ciclistas. Só conseguiremos analisar esse impacto na prática.”

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