Dólar sobe ante real com fuga para segurança no exterior

Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

Às 10:00, o dólar avançava 1,42%, a R$ 5,2645 na venda

A volta do clima pessimista nos mercados internacionais impulsionava o dólar contra o real na manhã de hoje (15), com uma recessão global iminente – consequência da pandemia de coronavírus – levando a uma fuga para ativos seguros.

Às 10:00, o dólar avançava 1,42%, a R$ 5,2645 na venda. Na máxima do dia, a divisa norte-americana tocou R$ 5,265. Na B3, o dólar futuro de maior liquidez era negociado em alta de 1,91%, a R$ 5,266.

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“Estamos naquele momento de entender que o fato é mais complicado do que se pensava, no que se trata de economia”, disse à Reuters Denilson Alencastro, economista-chefe da Geral Asset, referindo-se à pandemia de coronavírus.

“Teve um pouco de calmaria nos últimos dias, mas estimativas de ontem do FMI mostram uma recessão bem forte à frente. Os mercados estão refletindo essa incerteza, essa angústia.”

Ontem (14), o Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que economia global deve encolher 3,0% em 2020, em um impressionante colapso da atividade impulsionado pelo novo coronavírus, que marcará a pior recessão desde a Grande Depressão da década de 1930.

No mundo todo, as evidências do impacto devastador da Covid-19 levavam a uma fuga para a segurança, o que impulsionava o dólar – a moeda mais líquida do mundo – contra pares emergentes ou ligados a commodities. Rand sul-africano, peso mexicano, lira turca e dólar australiano, pares do real, caíam entre 1% e 3% contra a divisa norte-americana.

Além do cenário internacional, os investidores também estavam atentos ao cenário político doméstico, depois que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, avisou sua equipe na noite de ontem que deve ser demitido pelo presidente Jair Bolsonaro até o final desta semana.

“O noticiário mais confuso, por causa da política, afeta as expectativas. Os governantes não se entendem e isso afeta o preço dos ativos”, comentou Denilson Alencastro.

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Apenas em 2020, o dólar já acumula alta de mais de 30% contra a moeda brasileira. A crise da saúde é apontada como fator agravante para a situação do real, que já vinha sendo prejudicado por um cenário de pouco investimento e juros baixos no Brasil.

O dólar spot fechou o último pregão em alta de 0,10%, a R$ 5,1906 na venda.

Nesta quarta-feira, o Banco Central leiloará até 10 mil contratos de swap tradicional para rolagem, com vencimento em outubro de 2020 e janeiro de 2021. (Com Reuters)

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