Dólar vai à mínima desde fim de março, mas analistas seguem cautelosos com o câmbio

Thomas White/Reuters
Na mínima, a cotação desceu a R$ 5,0170, baixa de 3,71%

O dólar tornou a registrar forte queda hoje (3), a nona em 11 sessões, e chegou a operar na casa de R$ 5,01 na mínima do dia, com a moeda brasileira mais uma vez na dianteira de ganhos nos mercados globais de câmbio em nova sessão de destacado apetite por risco.

O dólar à vista fechou em queda de 2,38%, a R$ 5,0862 na venda. É o menor patamar para um encerramento desde o último dia 26 de março (R$ 4,9957).

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Na mínima, a cotação desceu a R$ 5,0170, baixa de 3,71%.

Na B3, o dólar futuro recuava 2,45%, a R$ 5,0850, às 17h03.

O tom positivo voltou a dar a tônica nos mercados financeiros globais nesta sessão, com dados melhores nos EUA e na China referendando expectativas de que o pior da crise econômica causada pelo coronavírus tenha ficado para trás.

O dólar teve nova queda ante outras moedas, e divisas emergentes experimentaram novo rali. Nos mercados de ações, o Ibovespa saltou acima dos 93 mil pontos, e o índice Nasdaq Composite de Wall Street fechou mais perto da máxima recorde de fevereiro.

A notícia de emissão de dívida soberana no mercado internacional pelo Tesouro Nacional endossou leitura de que há demanda por ativos brasileiros. Isso reforça a venda de dólares num contexto em que o real ainda é tido como uma moeda “descontada” em relação a seus pares, o que respalda a correção recente na taxa de câmbio.

Além disso, o fluxo cambial ao Brasil tem melhorado nas últimas semanas, com o aumento da oferta de dólar dando saída para investidores que buscam reduzir posições contrárias ao real, movimento que alimenta a perda de valor da moeda dos EUA.

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“A valorização do real é uma volta do exagero”, disse Daniel Tatsumi, gestor de moedas da ACE Capital, dizendo que a piora do real lá atrás foi 10% além da sugerida por um modelo com o qual trabalha.

“Acho melhor ser prudente agora sobre montar posições compradas em dólar, mas está fora de cogitação posição vendida (em dólar)”, disse, apontando que o cenário de médio prazo para o real ainda parece negativo.

Mesmo com um rali de 16,02% entre a mínima recorde nominal de fechamento (de R$ 5,9012 por dólar, atingida em 13 de maio) e a cotação desta quarta-feira, o real deprecia 21,10% em 2020, ainda com folga a divisa de pior desempenho no ano.

Analistas do banco MUFG Brasil também adotam postura cautelosa. Carlos Pedroso e Maurício Nakahodo avaliam que ainda há espaço para apreciação adicional do câmbio, mas citam limitação para essa tendência devido a “várias” fontes de receio, entre as quais a pandemia de Covid-19, risco de que novos gastos se tornem permanentes e embates do lado político.

“Nosso call de (dólar a) R$ 4,50 ao fim de 2020 estaria ok em um ambiente positivo de um mundo emergindo da crise de saúde. Mas, dados os vários problemas domésticos, o real pode terminar mais fraco do que R$ 4,50 (por dólar). O cenário está sob revisão”, disseram em relatório. (Com Reuters)

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