Dólar recua ante real com maior apetite por ativos arriscados

O dólar era pressionado em relação ao real hoje (11), acompanhando um movimento global de leve apetite por risco em meio à recuperação das ações de tecnologia norte-americanas, enquanto os investidores locais digeriam algumas evidências de recuperação da economia brasileira diante da crise do coronavírus, mas ainda de olho na inflação.

Às 10:43, o dólar recuava 0,88%, a R$ 5,2733 na venda, enquanto o dólar futuro negociado na B3 caía 0,75%, a R$ 5,2855.

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A valorização do real estava em linha com o movimento de outras moedas consideradas arriscadas, como peso mexicano, rand sul-africano e dólar australiano, tendência que vários analistas associavam à melhora no ânimo dos mercados diante da recuperação em Wall Street depois de um tombo recente.

Hoje, os índices de ações dos Estados Unidos abriram em alta, assim como as ações europeias, em meio à fé de que as empresas relacionadas a tecnologia estão emergindo mais fortes da crise do coronavírus.

Enquanto isso, no cenário doméstico, as atenções continuavam sobre a alta dos preços de alimentos, com a inflação sendo atribuída, entre outros fatores, ao patamar elevado da moeda norte-americana contra o real.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem (10) que avalizou uma decisão da Secretaria de Defesa do Consumidor (Senacon) de abrir apuração para verificar se há irregularidades no preço do arroz e outros alimentos, mas reiterou que não vai interferir no mercado a fim de reduzir o valor do insumo.

“O governo tem mostrado preocupação com o patamar do dólar e seu impacto nos preços, e isso faz o mercado parar e ver se ele vai interferir”, disse à Reuters Vanei Nagem, responsável pela mesa de câmbio da Terra Investimentos.

“Inflação alta neste país causa preocupação, porque já sofremos demais com isso. Apesar de estarmos em um outro contexto econômico, o brasileiro ainda tem medo da palavra.”

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Ontem, dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostraram que os preços no atacado dispararam para seu maior nível em 26 anos em setembro, levando o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) a alta de 4,41% na primeira prévia do mês.

Já a inflação oficial registrou o maior nível para agosto em quatro anos diante da forte pressão da gasolina e dos alimentos.

Ontem, a moeda norte-americana à vista fechou a sessão em alta de 0,38%, a R$ 5,3200 na venda.

No ano de 2020, o dólar acumula salto de mais de 31% contra o real, impulsionado por um cenário doméstico de incertezas políticas e econômicas e juros extremamente baixos.

No entanto, vários analistas passavam a enxergar pausa no ciclo de flexibilização monetária do Copom, com expectativas crescentes de que o Banco Central passe a elevar gradualmente a taxa Selic em 2021.

“Os juros futuros indicam juros para cima. Tudo vai depender do Copom”, disse Nagem, ressaltando que uma Selic mais alta levaria alívio à moeda brasileira.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central anunciará sua decisão sobre os juros no dia 16 de setembro ao fim de uma reunião de dois dias.

Hoje, o BC fará leilão de swap tradicional para rolagem de até 12.660 contratos com vencimento em março e julho de 2021. (Com Reuters)

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