Superávit das contas externas fica abaixo do esperado para setembro, investimento estrangeiro despenca

AndriyOnufriyenko/GettyImages
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Nos nove primeiros meses do ano, o déficit em transações correntes foi de US$ 6,476 bilhões

O Brasil registrou em setembro o sexto mês seguido de superávit em suas transações correntes, de US$ 2,320 bilhões, levando o déficit em 12 meses a cair a 1,37% do Produto Interno Bruto (PIB), menor patamar desde abril de 2018, refletindo o esfriamento da economia no país e no mundo em meio à pandemia da Covid-19.

Apesar do contraste com o déficit de US$ 2,727 bilhões de setembro de 2019, o resultado do mês passado, divulgado hoje (23) pelo Banco Central, veio abaixo do superávit de US$ 3,00 bilhões esperado por analistas em pesquisa Reuters.

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Já os Investimentos Diretos no País (IDP) totalizaram US$ 1,6 bilhão, bem abaixo dos US$ 6 bilhões registrados em setembro do ano passado e inferior à expectativa de US$ 2,1 bilhões apontada em pesquisa da Reuters.

A pandemia do coronavírus impactou mais fortemente as importações do Brasil do que as exportações e, como resultado, os saldos comerciais do país têm crescido nos últimos meses.

Também há uma diminuição dos déficits nas contas de comercialização de serviços com o exterior e das remessas de lucros e dividendos por empresas estrangeiras atuando no país, sob o impacto da crise com o surto de Covid-19 na economia.

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Como resultado desses movimentos, o saldo em transações correntes do país tem melhorado, com redução do déficit. Por outro lado, os investimentos estrangeiros diretos no país (IDP) têm caído fortemente. No acumulado em 12, meses, o fluxo do IDP soma 3,31% do PIB, menor nível desde julho de 2018, quando estava nesse mesmo patamar.

Para o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, a redução desse fluxo é um retrato do adiamento de projetos de investimento em meio a todas as incertezas trazidas pela pandemia.

“A continuidade desse investimento ocorreu, mas a um ritmo menor”, afirmou Rocha a jornalistas, ressaltando que a paralisação das atividades por causa do coronavírus se prolongou mais do que o inicialmente previsto.

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Nos nove primeiros meses do ano, o déficit em transações correntes foi de US$ 6,476 bilhões, bem abaixo dos US$ 36,748 bilhões registrados em igual período do ano passado. Já o IDP somou US$ 28,554 bilhões até setembro, ante a US$ 52,032 bilhões no mesmo período em 2019.

Para outubro, o BC projetou superávit em transações correntes de US$ 1,2 bilhão, com IDP de US$ 1,0 bilhão. Até o dia 20, o fluxo de investimento estrangeiro era positivo em US$ 559 milhões, segundo a autoridade monetária.

A expectativa do BC é que o país feche o ano com déficit em transações correntes de US$ 10,2 bilhões. Já para o IDP, a projeção oficial, atualizada no final de setembro e que hoje parece excessivamente otimista, é que o fluxo fique positivo em US$ 50 bilhões.

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Portfólio

O fluxo de investimento estrangeiro em ações, fundos e títulos de dívida negociados no mercado doméstico ficou positivo em setembro pelo quarto mês seguido, em US$ 1,207 bilhão. Em outubro, o BC computou a entrada de US$ 2,799 bilhões nesses ativos até o dia 20.

No acumulado do ano, no entanto, os investimentos em portfólio no país ainda registram uma saída elevada, de US$ 27 bilhões, sob o impacto de uma retirada de US$ 22 bilhões do país em março, quando a economia global sofreu uma paralisação geral com o fechamento das atividades por causa da pandemia da Covid-19. (Com Reuters)

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