“Use qualquer desculpa”: mensagens de texto mostram como SoftBank planejou o não pagamento de US$ 3 bi do WeWork

TomohiroOhsumi/GettyImages
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Conversas entre CEOs do WeWork e SoftBank mostram planos para não pagar acionistas

Nos meses seguintes após a WeWork destituir seu fundador e CEO, Adam Neumann, e abortar os planos de um IPO, os funcionários e acionistas esperavam o pagamento de US$ 3 bilhões do maior investidor da WeWork, o SoftBank, numa chance final para muitos deixarem a empresa para trás.

Mas mensagens de texto não datadas entre Masayoshi Son, CEO do SoftBank, e o então recém-empossado presidente da WeWork, Marcelo Claure, mostram como os executivos discutiram maneiras de adiar o pagamento – antes que ele fosse totalmente abandonado -, segundo informações de um processo judicial movido por Neumann.

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Algum tempo depois que o SoftBank anunciou que assumiria o controle da WeWork em outubro de 2019, – um negócio avaliado em US$ 9,5 bilhões, incluindo os US$ 3 bilhões reservados para os acionistas -, Son recebeu uma mensagem de Claure. Na conversa, eles discutiam um atraso no pagamento aos acionistas via Oferta Pública de Aquisição de ações (OPA).

“É ótimo adiar o fechamento do oferta … Use qualquer desculpa que fizer sentido [sic]”, disse Son.

Claure respondeu: “Ok. Usarei antitruste. Estou ficando bom em desculpas como alguém que conheço muito bem :)”

Após o adiamento de 28 de fevereiro para 1º de abril, os acionistas foram notificados de que o SoftBank não avançaria com a oferta pública, citando, entre uma série de razões, “o não cumprimento de condições para aprovação regulatória”, que incluía “aprovações antitruste.”

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O pagamento de bilhões de dólares abortado desde então está no centro de vários processos movidos por acionistas da empresa global de escritórios compartilhados. A ação que traz as mensagens de texto tramita em um tribunal de Delaware e foi apresentada por Adam Neumann, que deveria receber quase US$ 1 bilhão.

Outra ação movida pela Benchmark Capital prevendo um pagamento de US$ 600 milhões tramita em nome de um comitê especial, formado por membros do conselho e representando centenas de atuais e ex-funcionários da companhia, acionistas minoritários da WeWork.

Em nota, um porta-voz do SoftBank disse que “a escolha seletiva de citações em documentos não muda os fatos: segundo os termos do nosso contrato, o SoftBank não tinha obrigação de concluir a oferta pública em que o Sr. Neumann – o maior beneficiário – buscava vender quase US$ 1 bilhão em ações.”

A WeWork não respondeu a pedidos por comentários.

Uma vez avaliada em US$ 47 bilhões, o futuro da WeWork permanece incerto, já que suas centenas de espaços de escritórios compartilhados ficaram amplamente vazios em razão da pandemia.

No mês passado, a companhia transferiu uma participação de US$ 200 milhões em seus negócios na China para a acionista Trustbridge Partners. Para outros investidores, a perspectiva é especialmente desoladora: nesta segunda-feira (26), a Fitch Ratings alertou que os títulos da empresa estão sob risco de inadimplência.

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