Com algoritmos e transações humanizadas, M&A passa por revolução no Brasil

krisanapongdetraphiphat/GettyImages
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Apesar de paralisação nos negócios, pandemia acelerou nova abordagem nas transações

Deals humanizados e processos otimizados pelo uso da tecnologia são algumas das novidades do mercado de M&A brasileiro que mostra resiliência e fôlego em 2020. Entre janeiro e julho deste ano, foram fechadas 483 operações de fusões e aquisições, contra 462 no mesmo período de 2019 apesar da paralisação de transações em função da pandemia. Refletindo um cenário de baixa taxa de juros e câmbio atrativo ao investidor externo, o contexto nacional abre caminho para transformações que já impactam negócios nos quatro cantos do país.

Explorar territórios fora do eixo Rio-São Paulo é, aliás, uma das frentes de negócios da STARK Platform, startup criada durante o ápice da crise do coronavírus com a promessa de automatizar etapas como o matchmaking, reduzindo o processo que dura, em média, três meses, para quinze dias com um algoritmo e banco de dados proprietário. Na ponta, para chegar a pequenas e médias empresas em busca de um comprador ou captação de recursos estão os BDAs, pessoas físicas ou jurídicas distribuídas em diferentes regiões do Brasil responsáveis por aproximar a plataforma dos empresários.

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“Outros nichos de mercado já passaram por uma disrupção tecnológica, mas o M&A ainda não. O modelo tradicional é custoso, moroso e baseado num conceito que vende complexidade para justificar um fee elevado,” explica o CEO e cofundador da M&ATech, João Vitor Carminatti.

A combinação das teses de investimentos de grandes investidores com empresas é gratuita e, em caso de sucesso no match, uma taxa é cobrada pela operação. De maio até o fim de outubro, três transações com volume financeiro de R$ 122 milhões haviam sido fechadas e, até março, cinco deals em negociação devem ser concluídos pela empresa.

Além de algoritmos, calor humano e escuta ativa. Essa é a proposta da Santis, boutique de fusões e aquisições que também atua no no middle market de M&As brasileiro. O conceito apesar de simples, é complexo para um ambiente de muita pressão e estresse por resultados: incluir a humanização dos deals na disciplina dos processos de M&A.

A filosofia está estampada na página inicial do website da Santis com um convite “vamos tomar um café?”, em conversas que têm como objetivo ouvir as dores, angústias e exigências das diferentes partes envolvidas em uma operação de fusão ou aquisição. “O middle market é mais sensível. É comum encontrar pessoas com um apego emocional pela empresa. Então o analista precisa ouvir e não é possível fazer isso sobre pressão. Entender os porquês de cláusulas e exigências é fundamental para obter êxito na negociação”, explica Felipe Argemi, fundador da boutique de M&A.

A proposta da Santis encontra vazão em um mercado aquecido, com oportunidades crescentes em uma nova cultura para os M&As, agora mais rápidos e eficientes em processos realizados de forma 100% online. O fortalecimento do mercado de capitais e o número crescente de IPOs dá saída para fundos de private equity e, por outro lado, abre espaço para investimentos em empresas de capital fechado no país.

Para 2021, Argemi avalia que as operações em setores já aquecidos devem se fortalecer, entre eles as áreas de saúde, finanças e tecnologia, além de oportunidades que podem se abrir nas indústrias que foram mais penalizadas durante a crise aberta pela pandemia, como turismo e o setor aéreo. “Mesmo em um cenário de crise ou segunda onda de coronavírus, as transações e conversas devem ser mantidas”, afirma.

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