Com suspensão do IPO do Ant Group, Jack Ma perde US$ 2,6 bilhões

Reprodução Forbes
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Jack Ma, cuja maior parte da fortuna vem de sua participação de 4,8% no Alibaba, agora tem um patrimônio líquido de US$ 63,4 bilhões

O bilionário chinês Jack Ma viu sua riqueza despencar US$ 2,6 bilhões depois que os reguladores suspenderam abruptamente a oferta pública inicial de ações de US$ 35 bilhões do Ant Group – uma decisão surpresa que veio poucos dias antes de a gigante das fintechs ter sido escalada para abrir o capital por meio de uma listagem dupla em Xangai e Hong Kong, considerada a maior da história se concretizada.

A decisão da Bolsa de Valores de Xangai de adiar o IPO foi tomada por mudanças significativas no ambiente regulatório depois que o cofundador e outros executivos seniores foram convocados para uma reunião conjunta com quatro importantes agentes reguladores financeiros. O Alibaba disse, em um documento, que o Ant Group “pode não atender às qualificações de listagem ou requisitos de divulgação” à luz das mudanças recentes no ambiente regulatório da fintech. Em uma carta pública aos investidores, a companhia disse que também decidiu suspender sua listagem em Hong Kong.

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A dramática reviravolta nos acontecimentos fez com que as ações do Alibaba despencassem mais de 8% da noite para o dia, com queda de mais de 9% em Hong Kong após a abertura dos mercados nesta quarta-feira (4). A gigante do comércio eletrônico possui cerca de um terço do Ant Group, que foi fundado em 2004 primeiro como um braço de meios de pagamento, mas depois se expandiu para mercados que incluem seguros, empréstimos ao consumidor e gestão de patrimônio. Jack Ma, cuja maior parte da fortuna vem de sua participação de 4,8% no Alibaba, agora tem um patrimônio líquido de US$ 63,4 bilhões, segundo o ranking de bilionários em tempo real da Forbes.

Por meio de uma carta aberta, o Ant Group se desculpou pela suspensão da listagem, mas não definiu um prazo de quando a oferta poderia ser retomada. Uma possível razão para interromper o IPO é dar à empresa mais tempo para divulgar como seus negócios em expansão seriam afetados pelo ambiente regulatório em transformação, escreveu o analista Kevin Kwek, da Sanford C. Bernstein. “Não achamos que o modelo do Ant seja fundamentalmente furado, mas agora existem desafios claros a serem enfrentados”, escreveu ele.

Os reguladores parecem estar preocupados com a rápida expansão do negócio de empréstimos ao consumidor do Ant, o que pode ser contrário ao seu objetivo de controlar os índices de alavancagem e proteção contra riscos financeiros. No mesmo dia em que Ma foi convocado para uma reunião com os reguladores, o governo divulgou um conjunto de regras preliminares voltadas para os microcredores online, que estipula limites para os valores permitidos de empréstimo individual e exige que operadores de plataformas como a do Ant financie, pelo menos 30%, dos empréstimos facilitados por eles em nome dos bancos.

O percentual proposto é significativamente superior aos 2% dos empréstimos que o Ant atualmente tem em seu balanço. A empresa facilitou US$ 254 bilhões em crédito até junho deste ano, mas 98% foi subscrito por bancos parceiros, segundo seu prospecto. O grupo busca se posicionar como um provedor de serviços de tecnologia, gerando receitas à medida que os bancos pagam para usar seus produtos, como software de controle de risco, ao conceder crédito.

“Focar mais no balanço patrimonial significa se afastar do modelo de ‘ativos leves’ que têm bom desempenho com avaliações de tecnologia, e isso os coloca eles um pouco mais próximos de algo parecido com um banco”, escreveu Kwek. “Para os investidores que acreditam que o Ant pode administrar bem os reguladores, esse atraso pode lançar algumas dúvidas sobre isso.”

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