Em 2000, as eleições nos EUA só foram definidas em dezembro. Veja o que aconteceu com as ações

Bush foi declarado vencedor da disputa apenas em 12 de dezembro pela Suprema Corte dos EUA

Jonathan Ponciano
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GettyImages/theasis
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Bush foi declarado vencedor da disputa apenas em 12 de dezembro pela Suprema Corte dos EUA

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Os prenúncios de uma eleição contestada judicialmente fizeram com que algumas pessoas em Wall Street lembrassem da corrida presidencial de Bush x Gore em 2000, quando os resultados foram decididos pela Suprema Corte em dezembro daquele ano. Vamos relembrar como o atraso na apuração afundou os mercados:

Na noite do dia da eleição, em 7 de novembro de 2000, as atenções se voltaram ao estado da Flórida, que tinha votos suficientes para decidir efetivamente a eleição em favor do então vice-presidente Al Gore, com base em pesquisas de opinião pública. O esperado resultado desmanchou nas horas seguintes, à medida que os votos contados mostravam que o vencedor seria o então governador do Texas, George W. Bush.

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Uma recontagem de votos criou uma camada de incerteza sobre o mercado e afundou as ações em até 8,5% antes da Suprema Corte nomear Bush como vencedor da disputa em 12 de dezembro – cinco semanas completas após o dia da eleição, observa Andrew Slimmon, do Morgan Stanley Investment Management.

O VIX, no entanto, índice que rastreia as expectativas de volatilidade, atingiu o pico em novembro antes da eleição realmente acontecer. Alguns setores até tiveram um impulso com as perspectivas de uma vitória de Bush: as ações defensivas e de consumo básico conseguiram ganhar, apesar da derrota mais ampla.

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A incerteza no mercado de ações ligada aos resultados das eleições durou aproximadamente três semanas: em 4 de dezembro, o S&P 500 havia retornado aos níveis pré-eleitorais. Esse cronograma está em linha com as estimativas dos analistas quanto à possibilidade de um resultado eleitoral contestado de forma semelhante desta vez. Marc Chaikin, da Chaikin Analytics, empresa de investimento com sede na Filadélfia, por exemplo, prevê um mercado em queda volátil por uma a duas semanas no caso de tal angústia pós-eleitoral.

O FUNDO

Os mercados odeiam incertezas e espectadores em Wall Street há semanas afirmam que, se a disputa se intensificar a ponto de virar uma batalha legislativa ou judicial, as ações podem cair 10% ou mais no pior cenário. Um crescimento no número de votos pelo correio – que podem chegar à Junta Eleitoral estadual até o dia da eleição ou mesmo depois – aumentou as dúvidas sobre quando o resultado da eleição será conhecido.

CITAÇÃO CRUCIAL

Nem todo mundo está tão otimista quanto às eleições deste ano. “Em 2000, não havia uma agitação generalizada no país. Desta vez, há o risco de que os protestos saiam do controle”, disse Greg Valliere, estrategista-chefe de política americana da AGF Investments à CNN. “Trump deixou claro que contestaria qualquer resultado com o qual discordasse … Gore concedeu porque era a coisa certa a fazer. Se for mostrado que Donald Trump realmente perdeu, não estou convencido de que ele seria um bom perdedor.”

O QUE OBSERVAR

No caso de uma eleição contestada que ultrapasse o prazo de uma a duas semanas nos resultados, há outras duas datas importantes para uma resolução: os eleitores dos colégio eleitorais dos EUA votam formalmente em 14 de dezembro e em 6 de janeiro de 2021 e o Congresso se reúne para contar oficialmente os votos. “Qualquer incerteza nesses pontos quase certamente criaria uma eleição legalmente contestada que é mais séria do que uma recontagem”, relatou a LPL Financial em uma nota a clientes no início deste mês.

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