5 coisas para saber antes de investir na Rede D’Or

Negociação de ações tem início hoje na B3 com o ticker RDOR3 .

Artur Nicoceli e Ana Paula Pereira
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 REUTERS/Ricardo Moraes
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Negociação de ações tem início hoje (10) na B3 com o ticker RDOR3

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As ações da Rede D’Or São Luiz começam hoje (10) a ser negociadas na B3. Fundada pelos médicos Jorge Moll Filho e Alice Moll, a companhia estreia entre as dez empresas mais valiosas da Bolsa brasileira, com valor de mercado próximo dos R$ 115 bilhões. De acordo com as ofertas registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o IPO é o segundo maior da história brasileira, ficando atrás apenas da operação do Santander Brasil, em 2009.

O pedido foi registrado com a distribuição de 145.677.487 ações primárias e 50.987.120 ações secundárias e os papéis serão negociados sob o código RDOR3. De acordo com Alexandre Jung, head de renda variável da Vero Investimentos, “o setor de saúde tem um déficit muito grande no Brasil e o poder público não tem capacidade de investimento para suprir essas necessidades”, cenário que favorece o potencial de mercado da Rede D’Or.

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A oferta foi liderada pelo Bank of America com a participação do J.P Morgan, BTG Pactual, Bradesco BBI e XP Investimentos. Para quem perdeu o período de reservas das ações, mas avalia investir na companhia, a Forbes compilou – com base no relatório da Suno Research – cinco pontos que devem estar no radar dos investidores:

Estratégia

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Criada em 1977 no Rio de Janeiro como Grupo Labs, a Rede D’Or tem uma estratégia agressiva de aquisições, iniciada em 2007, que possibilita à companhia crescimento não relacionado com a base de expansão das operadoras de planos de saúde que utilizam a rede.

O foco em aquisições – cerca de 40 – vai além dos hospitais e inclui ainda clínicas especializadas para tratamentos de alta complexidade. Como citado, o crescimento pautado em aquisições começou em 2007 com a expansão dos negócios para outras áreas geográficas, como a região Nordeste. Atualmente, a Rede D’Or possui 51 hospitais próprios, 32 projetos hospitalares em desenvolvimento, 51 mil colaboradores e 87 mil médicos credenciados, operando nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Ceará, Sergipe, Distrito Federal e Paraná, segundo informações disponíveis no prospecto da Rede D’Or.

Valuation

Na análise da Suno Research, assinada pelo analista CNPI, Tiago Reis, o preço justo por ação da Rede D’Or seria de R$ 48,80. Isso porque, considerando um Crescimento Anual Composto (CAGR) de 20% do lucro líquido e, levando em conta o resultado líquido de 2019, de R$ 1,9 bilhão, a perspectiva para o lucro em 2030 seria de R$ 8,85 bilhões. “Considerando um múltiplo de saída de 30 vezes o Lucro Líquido, o valor de mercado da companhia em 2030 seria de R$ 265,6 bilhões”, demonstra o relatório. As contas estão longe do preço fixado dos papéis, em R$ 57,92. A faixa indicativa de preço para a ação era entre R$ R$ 48,91 e R$ 64,35.

Ainda segundo a análise, o Fluxo de Caixa Operacional também demonstra o elevado preço dos papéis. “Entre 2019 e 2016, a Rede D’Or não apresentou crescimento significativo neste indicador, alcançando R$ 782 milhões no fim de 2019”, acrescenta o texto. Com isso, a companhia estreia na Bolsa negociada a 146 vezes o fluxo operacional registrado em 2019.

O valuation da D’Or foi considerado, assim, caro pela casa de análises, sem upside para investimentos e margem de segurança.

Utilização de recursos

Apesar de cara, a oferta primária de ações atraiu muitos investidores, originando R$ 11,5 bilhões para a Rede D’Or. Do montante, R$ 8,44 bilhões serão reinvestidos na operação: 50% na construção de novos hospitais e expansão das unidades da Rede por meio de projetos Greenfield e Brownfield. Os outros 50% serão destinados à aquisição de novos ativos, como hospitais, clínicas oncológicas e corretoras de seguros de saúde.

O restante dos recursos captados com o IPO serão divididos entre os acionistas vendedores da companhia.

Inovação

A estratégia de aquisições vem acompanhada de fortes investimentos em tecnologia. Nos exames diagnósticos, a Rede D’Or introduziu tecnologias em câmeras digitais que permitiram avançar na rápida identificação de doenças, melhorando a competitividade das operações. Outra inovação implementada foi um sistema de rápido atendimento e diagnóstico de quadros não graves nas emergências. Conhecido como Smart Track, a tecnologia agiliza atendimentos e integrou o acesso de médicos a exames e dados dos pacientes, diminuindo o tempo médio de atendimentos e tratamentos, aumentando a eficiência operacional em seus hospitais.

Fatores de risco

Entre os fatores de risco para as operações da Rede D’Or, a Suno elenca a segunda onda de uma pandemia de covid-19, que impacta os custos e, por outro lado, diminui o fluxo de pacientes ‘não-covid’ nas unidades da rede; a concentração geográfica das operações na região sudeste; a expansão baseada na identificação de ativos para aquisição e; a concentrada cadeia de fornecedores, com 150 empresas respondendo por 80% do custo total com materiais e medicamentos.

Embora não tenha destacado este aspecto em sua análise sobre os fatores de risco, a Suno observa ainda em relatório os impactos do crescimento do desemprego sobre a demanda de planos de saúde empresariais, impactando as operações de hospitais e empresas no setor de saúde.

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