A tragédia do visionário da Zappos

Na pandemia, o jovem multimilionário Tony Hsieh, adorado por sua generosidade, entrou numa espiral autodestrutiva que chocou fãs e amigos

Redação
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Tony Hsieh, fundador da loja online Zappos, faleceu em incêndio

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Em agosto de 2020, logo depois de Tony Hsieh, o lendário empresário por trás da loja online Zappos, ter se mudado para Park City, Utah, ele aguardava ansiosamente a visita da cantora Jewel, sua amiga de longa data. Ela fez um show acústico particular para cerca de 50 moradores da comunidade que Hsieh estava construindo lá. Deveria ter sido um momento mágico, com a artista indicada ao Grammy sentada em frente a uma lareira e vistas das montanhas emoldurando a apresentação.

No entanto, um dia depois, Jewel foi embora de repente. Pouco depois, a cantora enviou a Hsieh uma carta via FedEx, já que ele havia deixado de usar e-mails e mensagens de texto num processo de desintoxicação digital. “Vou ser direta”, ela escreveu na carta, cujo teor foi compartilhado com a Forbes. “Acho que você não está em seu perfeito juízo. Está tomando muitas drogas que fazem você se desligar. As pessoas de quem você está se cercando são ignorantes ou estão dispostas a ser cúmplices do seu suicídio.”

No dia 27 de novembro, Hsieh morreu em decorrência de um chocante incêndio ocorrido nove dias antes na casa onde estava hospedado, em Connecticut. Ele tinha 46 anos.

De Bill Clinton a Ivanka Trump, passando por Jeff Bezos (que em 2009 havia comprado a Zappos por cerca de US$ 1 bilhão, mantendo Hsieh na operação), milhares de pessoas compartilharam lembranças, fotos e vídeos de um homem generoso e adorado por muitos. Sua imagem era a de um homem cuja missão na vida era criar felicidade.

Porém, embora fizesse outras pessoas sorrir, Hsieh vinha enfrentando problemas de saúde mental e dependência. De acordo com amigos e familiares, as dificuldades pessoais de Hsieh deram uma guinada radical para pior quando a pandemia restringiu o ritmo incessante de atividades pelo qual Hsieh parecia ansiar. Bebedor inveterado, ele passou ao uso frequente de drogas, principalmente óxido nitroso. Alguns amigos também mencionaram problemas de sono e solidão e tentaram intervir nos últimos meses, na tentativa de deixá-lo sóbrio.

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Às 3h34 do dia 18 de novembro, os socorristas chegaram a uma casa em New London, Connecticut, que Hsieh teria comprado para uma ex-colega da Zappos, Rachael Brown, com quem mantinha um relacionamento próximo. Enquanto várias pessoas fugiam da casa em chamas, Hsieh teria se trancado, intencional ou acidentalmente, em um depósito. A causa da morte foram as “complicações decorrentes da inalação de fumaça” – segundo o legista, de forma acidental. O incêndio continua sob investigação.

Seu patrimônio líquido, segundo estimativa conservadora feita pela Forbes, era de US$ 700 milhões. “Não há ser humano que não tenha se apaixonado pela humanidade do Tony, e é por isso que tantos ficaram com o coração partido”, declarou seu pai, Richard Hsieh. Tony não deixou mulher, nem filhos, nem testamento.

Reportagem publicada na edição 83, lançada em dezembro de 2020

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