Ações da Tesla vão à lua? Dos prejuízos ao S&P 500, o que esperar dos papéis da companhia

Jeremy Moeller/GettyImages
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Montadora de automóveis é mais valiosa do mundo e uma das dez maiores empresas norte-americanas no S&P 500

A última semana marcou o início das negociações da Tesla como integrante do S&P 500. Poucos dias antes da fabricante de carros elétricos se juntar ao benchmark, a cotação das suas ações saltaram na medida em que fundos de índices (ETFs, na sigla em inglês), que seguem o S&P 500, ajustavam seus portfólios para incluir os papéis da companhia e continuar refletindo o índice de blue chips. Esse foi o maior rebalanceamento da história do S&P 500.

Segundo a Associated Press, em meados do ano passado, as perdas da Tesla se acumulavam e as vendas não eram suficientes para cobrir suas despesas, com o pagamento de grandes dívidas suspenso. A situação era tão ruim que um influente analista de Wall Street levantou a possibilidade da empresa não ser capaz de honrar seus compromissos, passando por um processo de reestruturação. Desde então, mesmo após um recente recuo, as ações da Tesla dispararam, subindo mais de 675%.

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Uma base de investidores entusiasmados ajudou a impulsionar a Tesla, embora o aumento implacável desafie as métricas fundamentalistas. Muitos analistas advertem que as ações da Tesla são vulneráveis a uma correção após o aumento de quase sete vezes neste ano, principalmente porque os resultados financeiros não acompanham o rally na bolsa. A ação da Tesla é a mais vendida do mundo, com mais de US$ 34 bilhões em posições vendidas.

A ascensão da Tesla, que se tornou a montadora mais valiosa do mundo e uma das 10 maiores empresas norte-americanas no S&P 500 é notável, principalmente se considerarmos que a empresa teve prejuízo de US$ 1,1 bilhão no primeiro semestre de 2019. Até mesmo Elon Musk, CEO da empresa, disse que as ações estão supervalorizadas.

A capitalização de mercado da Tesla cresceu quase o tamanho de todo o mercado de automóveis, apesar da empresa representar apenas uma pequena fração das vendas globais de automóveis. Com base no fechamento do mercado do dia 21, data da estreia no S&P 500, a Tesla vale mais do que Toyota, Volkswagen, General Motors, Ford, Fiat Chrysler, Nissan e Daimler juntos.

O potencial da Tesla para mudar o mundo

A Tesla projeta, desenvolve, fabrica e vende veículos, além de componentes totalmente elétricos de alta performance, bem como um conjunto completo de produtos baseados em energia renovável, incluindo energia solar, armazenamento e serviços em cadeia. A companhia vende e faz manutenção em seus veículos por meio de uma rede própria presente na América do Norte, Europa e na Ásia.

A empresa informou que produziu mais de 145 mil veículos e entregou quase 140 mil unidades durante o terceiro trimestre deste ano, um aumento de 51% e 44% em relação ao ano anterior, respectivamente. A Tesla espera entregar 500 mil veículos até o final de 2020, impulsionados pelo Modelo Y, um veículo utilitário elétrico crossover, e pela forte demanda da China.

A montadora tem o potencial de mudar o mundo com a tecnologia de longa duração para veículos, condução autônoma e baterias que podem armazenar energia solar gerada por seus produtos. No entanto, a adoção em massa de veículos elétricos pelos consumidores pode levar muito mais tempo do que a empresa espera. Alguns dos principais riscos que a Tesla enfrenta incluem a regulamentação governamental da condução autônoma de veículos e potenciais aumentos de capital. A empresa também está entrando em um grande ciclo de despesas robustas, com a construção de novas fábricas no Texas e na Alemanha, o que pode pesar no fluxo de caixa de curto prazo.

Grau de crescimento, qualidade e valor da Tesla

De modo geral, a Tesla exibiu um crescimento sólido em seu último trimestre fiscal e nos últimos cinco anos. Enquanto as vendas caíram 49% ano a ano para o trimestre encerrado em 30 de setembro, a empresa conseguiu aumentar seu lucro em 125% e o caixa operacional em 145%.

A companhia segue apresentando um crescimento trimestral impressionante, mas o crescimento dos lucros em longo prazo é uma incógnita, já que a companhia tem se contraído em média 15,6% ao ano durante os últimos cinco anos. Entretanto, as vendas têm crescido 50,4% ao ano. O caixa operacional tem se expandido 113% ao ano, também considerando os últimos cinco anos. Além disso, a empresa observou um crescimento no lucro nos últimos dois anos fiscais.

Uma ação de alta qualidade possui características associadas ao potencial de alta e risco de queda reduzida. Ações com Grau de Qualidade mais elevados, em média, tiveram desempenho superior àquelas com graus mais baixos no período entre 1998 a 2019. O Grau de Qualidade é a classificação percentual da média de métricas como o Retorno sobre Ativos (ROA, em inglês), Retorno sobre o Capital Investido (ROIC, em inglês), Lucro Bruto sobre Ativos, solvência, entre outros. A pontuação é variável, ou seja, pode considerar ou não todas as métricas. No entanto, para ser atribuído um score, as ações devem ser classificadas em pelo menos quatro, das oito métricas de qualidade.

A Tesla tem um grau de qualidade C, o que a coloca no meio entre todas as ações listadas nos EUA. A empresa está mal posicionada em termos de Retorno sobre o Capital Investido (ROIC, em inglês), classificando-se no 17º lugar no ranking das ações listadas nos EUA.

No banco de dados A+Investor, não existem informações sobre a relação Preço/Lucro (PL) da Tesla. A companhia, no entanto, registrou um lucro nos últimos 12 meses de US$ 0,51 por ação, o que se traduz em P/L de 1,286 com base no fechamento do dia 21, em US$ 649,86.

Se Tesla se encaixa em seu portfólio é uma decisão pessoal. Você é um investidor que busca crescimento ou valor? Qual é o seu horizonte de tempo? Qual é a sua tolerância a riscos? Responder a essas perguntas o ajudará a saber se a Tesla é, ou não, um bom investimento.

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