De Rede D'Or a Mitre Realty: o desempenho dos IPOs de 2020

Andrey Tolkachev/GettyImages
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De fevereiro a dezembro foram enviados 43 pedidos de Oferta Pública Inicial e ocorreram 24 aprovações

O patamar alcançado pela taxa Selic em 2020 – atualmente em 2% ao ano e resultando em rendimento de 1,9% para o CDI – fez com que muitos investidores migrassem da renda fixa para a renda variável. De acordo com dados da B3, em novembro o número de CPFs na Bolsa brasileira era 52,98% maior na comparação com o mesmo período em 2019, para 3.173.411 registros, ante 1.681.033.

Também como reflexo da taxa de juros e crescimento dos brasileiros na Bolsa, aumentaram os números de empresas listadas na B3. Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foram registrados neste ano 43 pedidos de Oferta Pública Inicial (IPO, em inglês), sendo 24 aprovados e 19 aguardando parecer da autarquia. Durante o ano, outras 20 companhias desistiram do pedido. De acordo com Flávio Machado, sócio e líder de IPO da EY, a maioria dessas empresas interrompeu suas ofertas em função das condições de mercado trazidas pela pandemia de covid-19, postergando a listagem em Bolsa para o ano que vem.

Apesar das desistências e incertezas de mercado, muitas companhias brilharam em seus IPOs no ano de 2020. A Rede D’Or São Luís (RDOR3), por exemplo, registrou a segunda maior oferta da história brasileira e a maior desde 2013, movimentando R$ 11,5 bilhões. As ações foram precificadas na listagem a R$ 57,92. Hoje (23), os papéis em alta de 0,86% a R$67,88.

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Neste ano, o setor de varejo registrou dez pedidos de IPO na CVM, as empresas de incorporação, construção civil e vendas de imóveis enviaram nove prospectos e, no último trimestre de 2020, as companhias do agronegócio fizeram seis solicitações de Primeira Oferta Pública à Comissão.

Entre as 24 empresas que tiveram sua oferta registrada, os principais destaques foram as companhias de incorporação, construção civil e vendas de imóveis que tiveram 6 registros. Em segundo lugar ficou o setor de tecnologia da informação com 3 registros e em terceiro ficou o setor de bens industriais com 3 registros.

O primeiro registro aprovado do ano foi da Mitre Realty Empreendedorismo e Participações S.A (MTRE3), empresa de construção civil, com as ações da companhia saindo a R$ 19,30. Hoje, o papel abriu a R$14,87, ou seja, uma perda de 22,9% comparado com o preço definido no IPO.

A situação se repete com os papéis da imobiliária Plano & Plano Desenvolvimento Imobiliário S.A (PLPL3), que teve seu pedido concluído em dezembro no valor de R$ 9,4 por ação – o preço mais baixo de todos os IPOs em 2020 – hoje, abriu a R$7,95, com uma variação de 0%.

O último IPO de 2020 ocorreu no dia 17 de dezembro com a Neogrid (NGRD3), empresa de software para gestão de cadeias de suprimentos, levantando o montante de R$ 486,5 milhões, com cada ação a R$ 4,50. Hoje, os ativos abriram a R$7,14 a uma alta de 7,14%.

“Existe a expectativa de vários IPOs retomarem o prospecto para 2021, estamos em contato com mais de 30 empresas que estão se planejando melhor do que as companhias deste ano”, finaliza Machado. Para o ano que vem, segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic é estimada em 3,3%, apesar disso, Machado acredita que o mercado de ações deve se manter aquecido.

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