Rentabilidade de soja e milho mais que dobra ante Ibovespa em 2020, diz ARC Mercosul

picture alliance/GettyImages
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A soja e o milho tiveram valorizações de 29% e 12%, respectivamente

Investidores que apostaram em ativos como soja e milho tiveram rentabilidade que representa mais que o dobro do retorno obtido pelas aplicações no índice Ibovespa em 2020, mostra um estudo da consultoria ARC Mercosul divulgado hoje (30).

Enquanto o principal indicador da bolsa brasileira acumulou ganhos de 6% no ano, a soja e o milho tiveram valorizações de 29% e 12%, respectivamente.

O levantamento compara uma cesta de ativos composta pelo Ibovespa, soja, milho, ouro, petróleo e dólar, disse a consultoria, e considera o valor da cotação no primeiro dia útil do ano ante a posição desta quarta.

A oleaginosa perde apenas para o ouro, cuja rentabilidade saltou cerca de 50% em meio a um movimento de aversão ao risco durante a pandemia do novo coronavírus.

“Foi um ano muito favorável às commodities agrícolas. (Houve) a demanda aquecida da China, que se manteve ativa nas compras ao longo de todo o ano”, disse em nota o diretor da ARC Mercosul, Alexandre Inácio.

Ele também ressaltou a redução na oferta de soja causada pela queda na produtividade das lavouras americanas.

“A safra americana menor do que o esperado, problemas climáticos na América do Sul, atraso do plantio no Brasil e o apetite chinês criaram o ambiente perfeito para que as cotações em Chicago disparassem”, afirmou Inácio.

Também apoiados por uma greve que paralisou as atividades de processamento da oleaginosa por 20 dias na Argentina, encerrada nesta quarta, os preços da commodity superaram a barreira dos US$ 12 por bushel depois de seis anos e buscam o patamar de US$ 13.

No milho, que aparece na análise em quarto lugar, atrás do dólar, a ARC disse que a rentabilidade foi decorrente do aumento na demanda chinesa para ração de seu plantel de aves e suínos, quebra na safra da Ucrânia e, novamente, seca na América do Sul.

Ainda de acordo com o levantamento, o Ibovespa e o petróleo aparecem na quinta e sexta posição, respectivamente.

“Quem investiu na commodity (petróleo) esperando valorização neste ano perdeu dinheiro. O produto acumulou uma queda de 17% ao longo do ano. Com a pandemia, as pessoas passaram a circular e consumir menos”, afirmou a consultoria.

Projeções

O sócio e gestor na Trígono Capital, Werner Roger, disse que todas as commodities tiveram um forte efeito cambial positivo neste ano e para as agrícolas a tendência seguirá otimista em 2021.

“Vai ser melhor ainda…A safra (de soja) que está sendo plantada agora tem mais da metade negociada e chegou a ser vendida com câmbio a R$ 5,80…Vamos ter um ganho real muito grande em relação ao do ano anterior (2020)”, estimou.

Para ele, até mesmo outras commodities, como o açúcar e as proteínas, podem ter desempenho positivo no ano que vem. “Alimentos não serão afetados por uma eventual queda no poder de compra, com efeitos econômicos da pandemia”, disse.

Desta forma, a rentabilidade dos grãos poderá novamente superar o retorno do Ibovespa.

Sobre o índice, Roger acredita em uma pressão vinda dos papéis da Petrobras por conta dos preços do petróleo, possível desceleração da Vale em meio aos desdobramentos do desastre de Brumadinho (MG) e de um cenário baixista para o minério de ferro a médio e longo prazo.

Por outro lado, o gestor disse que o Ibovespa pode ser beneficiado pelo desempenho de companhias de outras áreas e pelo avanço nos lucros das empresas, que foram comprimidos em 2020 com a Covid-19.

“Agronegócio, construção, efeitos do câmbio…isso acaba impulsionando a bolsa. A renda fixa não está remunerando bem, além de commodities, é melhor investir em ações”, completou. (Com Reuters)

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