A melhor política econômica é a vacinação, defende pesquisadora da UFRJ

Andriy Onufriyenko/GettyImages
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Vacinas disponíveis no país até o momento têm capacidade para imunizar 7% dos grupos prioritários

A previsão de crescimento da economia brasileira é de 3,5% em 2021, segundo projeções feitas pelo ministro da economia, Paulo Guedes, nesta semana. A recuperação do PIB nacional, no entanto, depende fortemente de questões sanitárias, como a vacinação em massa da população, iniciada no último dia 18.

O número de vacinados no Brasil já ultrapassa a marca de 1,5 milhão de pessoas, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa. Foram 8,9 milhões de vacinas distribuídas aos Estados e ao Distrito Federal: 2 milhões da AstraZeneca e 6,9 milhões da CoronaVac. De acordo com cálculos do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), esse número é suficiente para vacinar 7% dos brasileiros pertencentes aos grupos prioritários.

Mas o início da vacinação representa também o primeiro passo em direção à reabertura gradual da economia, abrindo caminho para uma retomada mais dinâmica em alguns setores. Essa é a leitura do professor de finanças do Insper, Ricardo H. Rocha. “Com a vacinação temos dois efeitos: o primeiro é que o nível de atividade volta mais forte e, em segundo, abre perspectivas para investimentos, e isso é muito importante”, explica.

Dentre os setores da economia, o setor de serviços é apontado como aquele que mais se beneficiará com o avanço da distribuição das vacinas. Margarida Gutierrez, pesquisadora do Coppead-UFRJ, analisa que “uma vacinação com um ritmo mais acelerado, vai estimular muito o nível da atividade econômica, porque hoje tem uma parte importante do setor de serviços da economia, que pesa mais de 70% do PIB do Brasil, parcialmente travado por questões sanitárias”. Ela explica que esse impacto se deve a quantidade de mão de obra que o setor emprega, uma vez que quando o mercado de trabalho se recupera, o nível de renda, e consequentemente de consumo, começam a subir, provocando um círculo virtuoso em que ambos os indicadores crescem.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem revelam que, apesar dos desafios, o ano de 2020 foi encerrado com saldo líquido positivo na criação de vagas formais, com 142 mil postos. O setor de serviços, no entanto, foi o único a terminar o ano com menos vagas, fechando 132 postos formais no decorrer de 2020.

De maneira geral, Rocha acredita que o tempo de recuperação para setores como serviços, comércio, construção civil, serviços financeiros e etc. é muito semelhante, e acontecerá de maneira rápida à medida que as condições sanitárias melhorem. Isto porque, “com as pessoas trabalhando e com a renda aumentando, elas voltam a ter confiança de comprar usando crédito, fazer aquisições de bens, de consumo ou de imóveis e etc.”, conta o professor.

Segundo dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a confiança do consumidor brasileiro atingiu o menor nível em sete meses em janeiro deste ano, para 75,8 pontos, menor patamar desde julho (71,1 pontos) de 2020, quando começou a recuperação da primeira onda da pandemia. O número acompanha a expectativa dos consumidores em relação aos próximos meses, o Índice de Expectativas (IE) recuou pelo quarto mês consecutivo, em 3,5 pontos, e chegou a 82,1 pontos.

O ritmo das exportações, também crucial para a recuperação da economia brasileira, depende do avanço na imunização em outros países. “A partir do momento em que o mundo inteiro se imuniza, o nível de atividades das economias volta a crescer. Dessa forma, a China, Estados Unidos, União Europeia e Mercosul, que são os principais parceiros comerciais brasileiros, voltam a comprar produtos brasileiros”, explica.

É difícil, no entanto, dar uma resposta precisa quanto ao momento em que essas mudanças vão começar a acontecer, “esse primeiro lote [com 6 milhões de doses] não vai ter nenhum efeito sobre a economia, à medida que o processo de vacinação acelerar, começaremos a ter os efeitos sobre a economia, mas isso leva um tempo”, afirma Margarida. Ela aposta, em um cenário otimista, que esse avanço no desenvolvimento do país deve acontecer no segundo semestre deste ano, e que o PIB do semestre atual já está comprometido.

Para Rocha, o cenário é preocupante com duas consequências sérias diante do aumento do número de casos em países que ainda não vacinaram massivamente sua população: “as pessoas passam a não acreditar que o isolamento possa funcionar, e ao mesmo tempo, elas não estão imunizadas, então você acaba criando uma situação crítica. O que se sabe é que, quanto mais rapidamente imunizarem todo mundo, melhor”. Para a pesquisadora da UFRJ: “a melhor política econômica que a gente tem chama-se vacinação, está todo mundo esperando por isso, a economia hoje depende de uma coisa que não é econômica, que é a vacinação, e eu falo isso sobre o Brasil e o mundo inteiro”.

O Brasil já contabilizou mais de 8 milhões de casos de coronavírus e 218 mil mortes pela doença. A média móvel de mortes na última semana foi a maior desde 4 de agosto, e representou um aumento de 6% em relação a 14 dias antes, enquanto a média móvel de diagnósticos apresentou uma baixa de 6% no mesmo período, ambos os dados indicam uma tendência à estabilidade.

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