Atraso do Brasil na distribuição da vacina acrescenta risco à recuperação econômica, diz Moody's

A agência também destacou que o fim do auxílio emergencial poderia representar alguns riscos para a recuperação

Redação
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REUTERS/Mike Segar
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A agência também destacou que o fim do auxílio emergencial poderia representar alguns riscos para a recuperação

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Os atrasos contínuos do Brasil na distribuição de uma vacina contra o coronavírus irão aumentar os riscos negativos para a recuperação econômica projetada para este ano, afirmou hoje (13) a principal analista para o Brasil da agência de classificação de risco Moody’s.

O governo brasileiro está sob pressão em meio ao ritmo lento do lançamento de vacinas no país. A imunização ainda não foi iniciada no maior país da América Latina, e a agência reguladora de saúde Anvisa ainda não aprovou nenhuma vacina para uso.

Em uma entrevista à imprensa virtual abordando as perspectivas econômicas do Brasil, Samar Maziad disse que a vacinação em todo o país limitará o escopo de medidas adicionais de distanciamento social e fechamento de negócios, apoiando assim a economia.

“À medida que vemos atrasos, isso aumentará o risco negativo para a recuperação”, disse Maziad.

A Moody’s espera que a economia do Brasil cresça 3,3% este ano, após uma contração esperada de 5,7% em 2020, com a maior parte da recuperação atribuída à base fraca de comparação e não a um processo autossustentável de retomada.

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Maziad disse ainda que o fim do auxílio emergencial pago a milhões de famílias no ano passado, no valor de quase R$ 300 bilhões, um dos programas de transferência de renda mais generosos do mundo como proporção do tamanho economia, pode desacelerar a recuperação e talvez fomentar a agitação social.

“A retirada da ajuda representa algum risco para a agitação social …(e) com o alto desemprego, há alguns riscos (para a economia). Mas não um risco elevado”, disse ela. “Os (principais) riscos continuam do lado fiscal.”

Maziad disse que o abandono do teto de gastos do governo, principal âncora fiscal do país, teria implicações negativas para o perfil de crédito soberano do Brasil.

Os gastos para combater a crise no ano passado abriram um buraco recorde nas finanças públicas, ameaçando a regra que limita o crescimento dos gastos à taxa de inflação. Muitos analistas dizem que uma violação em algum momento do futuro próximo é ​​altamente provável.

A Moody’s tem um rating de Ba2 para o crédito soberano do Brasil, abaixo do chamado grau de investimento, com perspectiva estável. (Com Reuters)

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