Copom decidiu aguardar dados sobre pandemia, atividade e fiscal para definir juros

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Diante das incertezas, seria preferível aguardar a divulgação de mais informações sobre o cenário econômico e a pandemia do coronavírus

Alguns membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central defenderam na semana passada que já fosse dado início à elevação da taxa básica de juros, mas a o entendimento predominante no colegiado foi de que, diante das incertezas, seria preferível aguardar a divulgação de mais informações sobre o cenário econômico e a pandemia do coronavírus.

É o que mostra a ata da última reunião do Copom, divulgada hoje (26), quando foi definida a manutenção da taxa básica de juros no patamar de 2%, mínima recorde. “As próximas divulgações serão muito informativas sobre a evolução da pandemia, da atividade econômica e da política fiscal. Sendo assim, os benefícios de se aguardar essas divulgações para decidir os próximos passos da política monetária se sobrepõem aos custos”, diz a ata.

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Segundo o documento, alguns diretores defenderam que o Copom deveria considerar o início de um processo de normalização parcial da taxa básica de juros, reduzindo o grau “extraordinário” do estímulo. O argumento foi que, desde maio de 2020, quando o Copom passou a caracterizar o grau de estímulo desejado como extraordinário, a projeção do cenário básico do BC para a inflação passou a se aproximar das metas, acompanhando uma reversão do choque desinflacionário, elevação das expectativas de inflação e redução da ociosidade da economia.

Em maio, auge do impacto da pandemia sobre a atividade econômica, a Selic foi reduzida de 3,75% para 3%, no sétimo corte consecutivo. Desde então, a taxa foi reduzida mais duas vezes, chegando em agosto ao patamar vigente hoje de 2%.

Sobre a decisão do Copom de suspender o “forward guidance” (orientação futura) –pelo qual o BC se comprometia a não elevar os juros desde que algumas condições estivessem satisfeitas– a ata reitera que a decisão foi tomada porque as projeções de inflação já estavam suficientemente próximas da meta para o horizonte considerado relevante para a política monetária (até 2022).

A avaliação foi que as duas outras condições estabelecidas para a manutenção do forward guidance, a manutenção do regime fiscal e expectativas de inflação de longo prazo ancoradas, não foram alteradas, diz a ata.

ATIVIDADE

Ao avaliar o comportamento da atividade econômica no país, o Copom ponderou que, apesar de os dados disponíveis para o final do ano passado estarem surpreendendo positivamente, há o risco de a evolução da pandemia e o arrefecimento dos efeitos do auxílio emergencial gerarem mais gradualismo, ou mesmo uma reversão temporária da retomada.

A ata também detalha a avaliação dos membros do Copom sobre o caráter heterogêneo da recuperação doméstica, com o setor de bens tendo reduzido sua ociosidade, enquanto os serviços enfrentam maior redução de demanda em meio à pandemia. “Prospectivamente, a evolução desses hiatos setoriais dependerá da evolução da pandemia e do ajuste nos gastos públicos”, informa o documento.

Alguns diretores do Copom avaliaram que os dados do emprego formal indicariam que a ociosidade da economia como um todo estaria se reduzindo mais rapidamente do que o previsto. Mas a maioria do Copom considerou que outros dados do mercado de trabalho não avalizam essa conclusão.

A estimativa do governo é que o país fechou 2020 com “perda zero” de vagas de emprego com carteira assinada. Mas a taxa de desemprego no país, que considera também o mercado informal, estava em 14,3% no trimestre até outubro, dado mais atualizado, bem acima do nível de 11,6% de um ano antes.

EXTERNO POSITIVO

Sobre o cenário internacional, a avaliação do Copom é de que, apesar dos riscos relacionados ao surgimento de novas variantes do vírus e do processo de “reflação” nos Estados Unidos, que enfrenta uma expectativa de aumento da inflação em meio aos massivos estímulos governamentais, o ambiente por ora é favorável às economias emergentes.

O argumento é que prevalecem as forças positivas dos amplos programas de imunização contra o coronavírus, dos novos estímulos fiscais em alguns países desenvolvidos e da comunicação dos bancos centrais das principais economias desenvolvidas de que os estímulos monetários terão longa duração. (com Reuters)

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