Ibovespa opera em alta com posse de Biden nos EUA e reunião do Copom no radar

O Ibovespa segue o otimismo no exterior e opera em alta nos primeiros negócios desta quarta-feira, 20, com os mercados globais acompanhando a posse do presidente Joe Biden nos EUA e mais um dia da temporada de balanços em Wall Street. Às 10h23, horário de Brasília, o índice brasileiro avançava 0,36% aos 121.071 pontos.

Segundo o Bradesco, a expectativa dos investidores é de que Biden apresente nos próximos dias ao Congresso norte-americano sua proposta para um pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão, num momento em que a economia dos EUA dá sinais de perda de vigor. Mais estímulos nos EUA significam mais liquidez, que pode migrar para mercados de maior risco, como o Brasil, estimulando entrada de dólares e, potencialmente, baixando o preço da moeda norte-americana.

No plano doméstico, as atenções seguem voltadas para o calendário de vacinação contra Covid-19. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) adiou de fevereiro para março a entrega das primeiras doses da vacina da AstraZeneca a serem produzidas no Brasil devido ao atraso na chegada do insumo farmacêutico ativo (IFA) da China, o que limitará a quantidade de doses para a imunização dos grupos de risco e diminuirá o ritmo da campanha de vacinação iniciada nesta semana no país.

Inicialmente, a Fiocruz esperava entregar o primeiro 1 milhão de doses da vacina entre 8 a 12 de fevereiro, mas o calendário contava com a chegada em 9 de janeiro do insumo a ser importado da China. O atraso na imunização no país deve impactar o desempenho do PIB brasileiro em 2021.

O dólar trabalha em queda contra o real nesta manhã, seguindo o mercado de câmbio frente ao clima positivo no exterior. Às 10h23, a moeda norte-americana recuava 0,49%, negociada a R$ 5,31 na venda.

Os investidores aguardam também o fim da reunião do Copom, com grande expectativa sobre os rumos que o Banco Central deve dar para a taxa de juros do país neste ano. O Forbes Money ouviu especialistas para entender quais as expectativas do mercado para a política monetária brasileira ao longo dos próximos meses:

Alexandre Espirito Santo, economista chefe da Órama Investimentos: “a inflação deixou de ser benigna há alguns meses, mas aa pressão nos alimentos deve se dissipar ao longo de 2021”. A Órama projeta o IPCA em 3,75% e acredita que o Comitê irá tirar o Forward Guidance ou sinalizar sua retirada para a próxima reunião, que irá ocorrer em março”.

Thiago Tristão, economista da Genial Investimentos: “A pressão nos preços do atacado não está arrefecendo como previamente esperávamos. No entanto, os determinantes de médio prazo, como hiato e expectativas, devem manter a inflação e as medidas de núcleo bem comportadas. Avaliamos que o Banco Central deve retirar o Forward Guidance apenas em março”.

Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos: “o Banco Central vem mantendo a taxa de juros em 2% desde agosto do ano passado, nível que ele mesmo reconhece ser extraordinariamente acomodatício. Dessa forma, estamos com expectativas próximas ou na meta para os próximos anos. Assim, esperamos que o Forward Guidance seja retirado nesta reunião ou, no mais tardar, na de março. Assim, continuamos com a expectativa de elevação da Selic a partir do segundo semestre de 2021, até 3% ao final do ano”.

Betina Roxo, estrategista-chefe da Rico Investimentos: “o Banco Central já tem levado em consideração as pressões inflacionárias de curto prazo. Não à toa, no último comunicado, o BC sinalizou que as próximas reuniões já levariam em consideração a retirada do Forward Guidance e retornaria à ferramenta de política monetária tradicional. Por fim, esses números de inflação não devem ter, por ora, muitos outros efeitos para além da retirada do Forward Guidance. Esperamos que a Selic seja mantida em 2%, comece a subir no segundo semestre e finalize o ano em 3%”.

(Com Reuters)

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