Conheça Roz Brewer, a única CEO negra do S&P 500

Eleita a 48ª mulher mais poderosa do mundo pela Forbes, executiva está deixando a Starbucks para assumir como presidente da Walgreens.

Maggie McGrath
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Paul Morigi/Getty Images
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Roz Brewer, anteriormente COO da Starbucks, se tornará a CEO da Walgreens Boots Alliance e a única mulher negra administrando uma empresa S&P 500

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Rosalind “Roz” Brewer é, segundo levantamento da Forbes, a 48ª mulher mais poderosa do mundo. E, agora, ela está prestes a ganhar ainda mais poder.

Na última terça-feira (26), foi divulgado que Roz, que atua como diretora de operações da Starbucks desde 2017, assumirá o comando da Walgreens Boots Alliance em março. Este é um anúncio importante, que faz da executiva de 58 anos não apenas a primeira CEO mulher da Walgreens, como a única executiva-chefe negra de uma empresa parte do índice S&P 500.

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“Parabéns à Roz Brewer por ser nomeada a nova CEO da WBA”, disse a presidente e coCEO da Ariel Investments, Mellody Hobson, no Twitter. “Outra barreira de vidro estilhaçada hoje!”, comemorou.

Roz ainda não comentou publicamente sobre a natureza notável de sua nomeação (e não respondeu aos pedidos da Forbes para uma entrevista). Em vez disso, disse em um comunicado oficial da Walgreens: “Estou animada para trabalhar ao lado de toda a equipe da WBA, entregar mais inovação e impactar positivamente a vida de milhões de pessoas em todo o mundo, todos os dias. O que já é uma realidade hoje, pois a empresa desempenha um papel crucial no combate à pandemia de Covid-19”. Vale ressaltar que, quando a executiva, uma cientista por formação, assumir oficialmente sua posição em março, isso significará que três mulheres estarão à frente das três maiores redes de farmácias dos Estados Unidos – as outras duas são Heyward Donigan, CEO da Rite Aid, e Karen Lynch, da CVS.

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Esta não será a primeira vez de Roz como a “única” ou “primeira” mulher negra em uma função: antes de ingressar na Starbucks em 2017, ela atuou como CEO do Sam’s Club e foi a primeira mulher negra a liderar uma divisão do Walmart. Em 2019, Roz se tornou a única diretora negra no conselho da Amazon (do qual ela sairá antes de se tornar oficialmente a CEO da Walgreens). A mais nova de cinco filhos de pais que trabalhavam na linha de montagem da General Motors em Detroit, Roz faz parte da primeira geração de sua família a frequentar a universidade.

No passado, Roz já expressou o que pensava sobre a dinâmica racial no mundo corporativo e as formas pelas quais ela foi afetada. “Quando você é uma mulher negra, engana-se muito. Você se pega pensando que realmente não pode ter um cargo de destaque. Às vezes, você é confundida com ajudante de cozinha”, disse ela em um discurso de formatura em 2018 no Spelman College, sua alma mater, de cujo conselho ela participa. “Às vezes, as pessoas presumem que você está no lugar errado, e tudo que consigo pensar é: ‘Não, quem está no lugar errado é você’.”

Em uma entrevista de 2015 à CNN, quando era CEO do Sam’s Club, Roz falou sobre seu compromisso com a diversidade em todos os aspectos dos negócios, incluindo fornecedores. “Sua fala precisa ser alta e chegar a todos os lugares. Eu tento usar minha plataforma para isso”, disse ela na época. A opinião da executiva gerou indignação em um grupo de supremacistas brancos que passaram a exigir boicotes ao Walmart e fizeram ameaças de morte à Roz.

Em breve, Roz será a única mulher negra à frente de uma empresa do S&P 500, mas não será a primeira. Essa honra é de Ursula Burns, que se tornou CEO da Xerox em 2009. Mas, além dos sete meses de mandato de Mary Winston como CEO interina da Bed Bath and Beyond em 2019, nenhuma outra mulher negra foi eleita para dirigir uma das maiores empresas de capital aberto da América desde que Ursula deixou a Xerox em 2016.

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“A Roz é excelente, mas não é a única. Existem muitas mulheres talentosas e capazes – incluindo mulheres negras – lá fora. A Corporate America precisa fazer um trabalho melhor para identificar e desenvolver esses talentos”, diz Shellye Archambeau, ex-CEO da empresa de software de compliance MetricStream e atual diretora nos conselhos da Verizon, Nordstrom, Roper Technologies e Okta, e colaboradora da Forbes.

“Se você acha que as mulheres, enquanto grupo, enfrentam barreiras de vidro, eu digo que as mulheres negras enfrentam barreiras de concreto”, diz Serena Fong, vice-presidente de engajamento estratégico da empresa de pesquisa Catalyst. “E isso se deve aos entraves sistêmicos que existem em termos de gestão e promoção de talentos.”

Dados da Catalyst jogam um pouco de luz sobre essas barreiras: em 2019, as mulheres brancas ocupavam 32,3% de todos os cargos de gestão, enquanto as mulheres negras detinham apenas 4%. No nível de vice-presidente sênior, 26% dos cargos eram ocupados por mulheres, mas apenas 5% deles pertenciam às mulheres negras. Enquanto isso, o relatório Lean In de 2020 descobriu que, para cada 100 homens promovidos a gerente, apenas 58 mulheres negras também eram promovidas – embora elas solicitem promoções na mesma proporção que eles.

“Gostaria de poder dizer que está melhorando”, disse Roz em uma debate da Goldman Sachs em 2019. “Acho que estamos aparecendo mais em números, mas ainda me confundem com alguém que não tem o cargo principal em uma organização.” É uma declaração surpreendente de alguém que foi responsável por um resultado de mais de US$ 100 bilhões no Walmart e que, antes disso, trilhou uma carreira de 22 anos na Kimberly-Clark como presidente da operação global. Quando Stefano Pessina, o CEO que está de saída da Walgreens, elogiou Roz como uma “executiva distinta e experiente” que impulsionou “crescimento significativo e sustentável e criação de valor”, ele não estava exagerando.

“Ela é evidentemente qualificada”, diz Fong. “A promoção de Roz deve ser comemorada. Este é um passo muito positivo para a construção de locais de trabalho mais inclusivos. Mas é apenas um passo. Esta não é uma celebração do resultado final, mas um marco em termos de continuação do trabalho que ainda precisa ser feito.”

Shellye Archambeau coloca da seguinte forma: “É histórico. Mal posso esperar até o momento em que acontecimentos como este deixem de ser um marco.”

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Roz, que disse em uma entrevista em dezembro que ficou surpresa com a demonstração de atenção que recebeu pelas barreiras quebradas, parece inclinada a concordar. “Eu esperava que fosse algo rotineiro”, disse ela em 2019. “Mas isso é sempre um sinal para mim de que meu trabalho, nosso trabalho, nunca termina.”

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