Credit Suisse corta recomendação para Eletrobras após fala de Bolsonaro

Os preços-alvo das ações preferenciais caíram a R$ 32, de R$ 40,2, enquanto os papéis ordinários foram a R$ 28,3, de R$ 39,6.

Redação
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Os preços-alvo das ações preferenciais caíram a R$ 32, de R$ 40,2, enquanto os papéis ordinários foram a R$ 28,3, de R$ 39,6

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Analistas do Credit Suisse reduziram a recomendação para as ações da estatal Eletrobras e cortaram preços-alvo dos papéis, ao citar fala do presidente Jair Bolsonaro no fim de semana de que o governo pretende “meter o dedo” no setor elétrico.

“Uma afirmação que pode ter muitas implicações”, escreveu a equipe do Credit Suisse em relatório no domingo, no qual apontou que eventual intervenção governamental no setor “pode aumentar a percepção de risco”, por levantar ecos de medidas do governo para reduzir tarifas em 2012 que impactaram empresas, principalmente estatais. “Consequentemente, o posicionamento deve levantar preocupações para o setor e especialmente para a Eletrobras”, acrescentaram.

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A recomendação para as ações preferenciais da companhia passou para “neutra”, de “outperform”, enquanto para os papéis ordinários passaram de “neutra” para “underperform”. Os preços-alvo foram cortados de R$ 40,2 para R$ 32 e de R$ 39,6 para R$ 28,3, respectivamente.

O Credit Suisse destacou que mudanças estatutárias na gestão do CEO Wilson Ferreira fortaleceram a empresa contra interferências, assim como a Lei das Estatais de 2016, mas ainda assim expressou alguma preocupação com a sucessão de Ferreira, que anunciou que deixará a companhia em março para assumir a BR Distribuidora.

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“O potencial impacto de interferências políticas pode ser reduzido. Ainda assim, uma nova gestão não tão qualificada e não focada na lucratividade pode prejudicar novamente margens e deteriorar expectativas”, escreveram. “Além disso, os planos de privatização poderiam ficar sob risco, uma vez que poderiam implicar preços mais elevados da eletricidade à frente”, completaram.

Os analistas destacaram que o governo não pode alterar contratos no setor elétrico de maneira unilateral para reduzir tarifas, contudo, afirmaram que mesmo assim a incerteza após a fala de Bolsonaro deve impactar o setor. Eles também lembraram que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) discute o uso de mais de R$ 50 bilhões em créditos tributários para aliviar tarifas nos próximos anos, o que poderia ser uma medida para conter o avanço das contas de luz.

Essa discussão na Aneel ocorre após decisões judiciais pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e do Cofins nas tarifas elétricas. A agência terá uma decisão final sobre o ressarcimento desses valores aos consumidores após um processo de consulta pública com duração de 45 dias.

Uma proposta inicial do regulador propõe a devolução dos créditos em cinco anos, o que poderia aliviar tarifas em cerca de 5% ao ano, segundo a agência. Ela também divulgou uma projeção de que as tarifas de eletricidade podem aumentar em média 13% neste ano se não houverem medidas de alívio, como a discussão em andamento sobre os créditos tributários.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou no sábado (20) que vai “meter o dedo na energia elétrica”, um dia após ter anunciado a indicação de um novo presidente para a Petrobras, alegando que o setor “é outro problema também” para seu governo. (com Reuters)

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