O sucesso do áudio: por que o Clubhouse explodiu no Brasil nos últimos dias

NurPhoto/Getty Images
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O Clubhouse foi criado pelo engenheiro industrial Paul Davidson e pelo cientista de computação Rohan Seth

Neste fim de semana, uma nova rede social movimentou os ânimos na internet, tornando-se um dos assuntos mais comentados no Twitter. O Clubhouse, criado pelo engenheiro industrial Paul Davidson e pelo cientista de computação Rohan Seth no ano passado, ganhou o afeto de millenials e boomers ao oferecer uma nova proposta de comunicação online: salas de bate-papo por voz.

A proposta pode até parecer algo já conhecido pelo público, mas o diferencial está nos detalhes. Ao vivo e sem nenhum apelo visual, a ferramenta possibilita que diversas pessoas conversem e debatam um determinado assunto sem preocupação com edições, imagens ou tempo. De certa forma, é quase um podcast espontâneo.

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Embora tenha explodido no Brasil apenas nos últimos dias, o Clubhouse foi lançado em março de 2020 nos Estados Unidos. Nos primeiros dois meses, a ferramenta já acumulava 1.500 usuários e era avaliada em US$ 100 milhões. Tallis Gomes, fundador da Easy Taxi e Forbes Under 30, diz que foi um dos primeiros a explorar o app no país. Ele conta que descobriu a plataforma em maio de 2020, apesar de seu perfil mostrar que ele entrou de fato no Clubhouse há duas semanas, no dia 25 de janeiro. “Estava aparecendo um brasileiro ou outro e eu comecei a produzir conteúdo junto de outros empreendedores. De repente, o negócio cresceu e agora está essa loucura.”

Nos Estados Unidos, a novidade também explodiu recentemente, principalmente com uma divulgação espontânea de Elon Musk. No início de fevereiro, o fundador da Tesla usou a ferramenta para entrevistar Vlad Tenev, CEO do aplicativo de investimento Robinhood. Assistida por mais de 120 mil pessoas, a conversa deu o destaque necessário para que o Clubhouse acelerasse sua popularidade. Em janeiro deste ano, o valor de mercado da startup já mostrava um cenário positivo, tendo disparado para US$ 1 bilhão após a segunda rodada de investimento comandado pela Andreessen Horowitz. Na ocasião, o aplicativo já somava mais de dois milhões de usuários. Atualmente, especialistas estimam que esse número tenha chegado a seis milhões.

Após o “boom” inicial, celebridades como Drake, Oprah e Ashton Kutcher adotaram a plataforma e ajudaram ainda mais na disseminação. No Brasil, empreendedores e influenciadores já tomaram conta do aplicativo. A Forbes Brasil já fez sua primeira aparição na plataforma com o evento Forbes Power Breakfast – Como Investir em Ações, que aconteceu na manhã de hoje (8), às 8h30.

Com a moderação do CEO da Forbes no Brasil, Antonio Camarotti, e a presença dos speakers Florian Bartunek, sócio-fundador e CIO da Constellation Investimentos, Claudia Ramenzoni, head da RB Investimentos, João Pedro Motta, empreendedor e Under 30 e Pablo Marçal, consultor empresarial, o bate-papo de uma hora rendeu diversas dicas e análises do mercado financeiro atual. “Hoje em dia se discutem coisas fascinantes no mercado”, disse Bartunek para os mais de 1.500 ouvintes da sala. Para ele, a inovação tem sido a tendência do setor, que se afastou um pouco dos tradicionais bancos e commodities para investir em novas empresas e ideias – como o próprio Clubhouse.

Com o sucesso da primeira sala, a Forbes já está com novas programações no radar. Na quarta-feira (10), o Forbes Power Breakfast marcado para as 8h30 tem como tema liderança feminina.

Mas como funciona o Clubhouse?

Por enquanto disponível apenas para iOS, o Clubhouse funciona de forma fiduciária, ou seja, é preciso ter um convite para entrar. Cada novo usuário tem o direito de convidar duas pessoas para a plataforma. No entanto, também é possível reservar um nome oficial e entrar em uma fila de espera, em que outras pessoas podem aprovar seu ingresso.

Ao entrar no aplicativo, o usuário marca uma lista de interesses temáticos, o que vai ajudar o algoritmo a entregar uma homepage mais conectada com seus gostos. A partir do reconhecimento inicial, o app mostra várias opções de salas de bate-papo –que estão acontecendo ao vivo–, geralmente com várias pessoas falando. Não há nenhuma imagem, caixa de comentário ou espaço para curtidas.

A sala se divide entre moderadores, speakers (quem está falando) e ouvintes e, mesmo se o indivíduo estiver em uma sala repleta de famosos, é possível apertar um botão para “levantar a mão” e pedir a palavra sobre o assunto. Basta os moderadores aceitarem sua participação e o transformarem em speaker.

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Para Tiago Alves, CEO da Regus no Brasil, a ferramenta tem a capacidade de revolucionar a comunicação online, atualmente tão pautada em apelo visual. “O Clubhouse favorece o ecossistema, não o egossistema” destaca. “Quem entrar no aplicativo e ficar palestrando sozinho sem se preocupar com os ouvintes vai perder audiência. As salas que mais tem adesão são as que têm muitos speakers.”

Com intenso poder de comunidade, o aplicativo também é enxergado dessa forma por Gomes, que o compara com uma ágora da Grécia Antiga. “O povo e os intelectuais se reuniam para discutir temas em comum na praça, todos horizontalizados. No Clubhouse, também não tem discrepância de quem pode ou não falar. Todos têm direito de opinar”, explica o empreendedor, ressaltando a importância de um debate saudável, sem discursos de ódio.

“No Clubhouse, você não pode se esconder atrás de uma máscara de fake”, destaca. “Se alguém ingressa em uma sala para contribuir com ações negativas, seja um troll ou um hater, as pessoas podem expulsar e bloquear o usuário. Além disso, esse fato de ser uma responsabilidade fiduciária cria um efeito de rede de confiabilidade, já que a pessoa que indicou o hater é banida também.”

Sobre esse ambiente de segurança, Arthur Igreja, TEDx speaker e especialista em tecnologia e inovação, alerta para o risco de golpes fora da plataforma. “Por ser um aplicativo tão exclusivo, muitas pessoas já estão se movimentando nas redes sociais pedindo convites. Com isso, há a possibilidade de golpes por SMS ou Whatsapp fingindo uma possível aprovação na plataforma”, explica.

Além disso, Igreja ressalta a utopia presente nessa case de rede exclusiva para convidados. “Você só consegue ter esse controle se o número de usuários for pequeno. O próprio Facebook começou nesse sistema de convites, até se expandir para o que é hoje em dia”. Para ele, essa explosão de novos usuários pode estremecer a promessa de privacidade presente no aplicativo. “O conteúdo não fica arquivado, mas as pessoas podem gravar e vazar informações”, destaca. Com um potencial inegável, o especialista apenas busca ressaltar que a rede não é tão restrita quanto parece no momento.

Até agora, o Clubhouse está organizado e focado apenas no conteúdo, uma proposta com grande potencial de mercado. Para Alves, é a chance perfeita para que influenciadores transformem sua imagem e tenham chance de monetizar a ferramenta através da boa comunicação. “No Clubhouse, o cara tem que ser bom mesmo. Não adianta uma foto bonita”, finaliza.

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